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Junta-se agora a nós o Bruno Cardoso Reis, historiador especialista em relações internacionais. Bruno, bom dia. Este fim de semana descrevias esta situação como um braço de ferro entre a China e os Estados Unidos. Agora vemos a posição do Reino Unido. Quer dizer que este braço de ferro pode chegar também à Europa?

Sim, até porque os Estados Unidos disseram que de facto isto faria parte de um projeto de recolha de informações militares pela China, que já teria atingido mais de 40 países, como eu digo, nos cinco continentes. Sabemos, por exemplo, em particular Taiwan, o que também não é de espantar, sendo de facto um programa de recolha de informações militares, é até um alvo particularmente frequente também deste tipo de balões chineses. Um outro aspecto curioso é que aparentemente a própria China também anunciou que já teria abatido um objeto voador qualquer. Portanto, teremos talvez aqui um padrão de maior atenção, maior visibilidade e também maior desconfiança e escrutínio público sobre este tipo de atividades de espionagem, na sequência daquele episódio com um balão que se tornou inclusive bastante visível e bastante comentado também no espaço público e no espaço político norte-americano.

Então, prevês que esta tensão vá escalar também? Até onde é que isto pode ir?

O ministro britânico Ben Wallace a este respeito, dizia que via nisso um sinal de um mundo mais perigoso. Eu acho que há certamente aqui mais tensões. Acho que se pode comparar isto ao chamado momento Sputnik durante a Guerra Fria. Portanto, em 1957, quando foi lançado aquele primeiro satélite da União Soviética, e isso, no fundo, foi visto como um sinal de vulnerabilidade, nomeadamente da parte dos Estados Unidos, e levou a um período maior de investimento em ciência e em medidas para tentar contrapor essa corrida também no campo científico e tecnológico por parte da União Soviética. Acho que provavelmente vamos ver aqui um acelerar dessa competição entre a China e os Estados Unidos também a este nível. Por outro lado, acho que isto também reflete um período de maior tensão, de maior desconfiança na relação, nomeadamente entre grandes potências, e portanto, isso leva a que qualquer objeto de repente se torne eventualmente suspeito e que também em função das próprias críticas de que o presidente Biden foi objeto por não ter reagido logo a esse balão chinês, nomeadamente da parte dos republicanos, também num contexto em que as coisas estão muito polarizadas e muito politizadas no campo da política americana, em que inclusive as questões de política externa, que geralmente são consensuais, se tornaram mais polêmicas. Isso também leva a que se tenha passado de uma política de grande prudência para uma política de máxima vigilância e também um pouco tolerância zero. Portanto, tentar o mais possível lidar de forma agressiva com estes objetos e eventuais intrusões a partir do exterior no espaço aéreo norte-americano e eventualmente de outros países