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Está na hora do Prometer é Fácil, hoje com Bruno Vieira Amaral. Pode acompanhar esta edição em direto no nosso site observador.pt e também no Facebook e YouTube do Observador. Bruno, o que é que nos trazes hoje na tua bandeja?

Ontem falámos das propostas dos partidos em relação à carreira docente, em especial quanto à recuperação do tempo de serviço dos professores. Hoje dedicamo-nos a olhar para outra recuperação, a das aprendizagens e a modelos propostos pelos partidos para a avaliação dos alunos. O PS dedica especial atenção aos alunos que durante a pandemia frequentaram o primeiro e segundo ciclos. O programa eleitoral prevê o acompanhamento destes alunos ao longo do percurso escolar e a implementação de planos personalizados de recuperação de aprendizagens.

E há uma atenção particular a alguma disciplina, Bruno?

Na matemática, onde os resultados dos alunos portugueses até estão na média da OCDE, o PS quer desenvolver um plano específico de intervenção. Na área da leitura, onde os alunos portugueses até estão ligeiramente acima da média da OCDE, o PS pretende promover um sistema integrado de promoção da leitura. Curiosamente, na área de ciências, em que os alunos portugueses não tiveram tão bons resultados no PISA, não se fala de nenhum plano específico.

E a AD, Bruno, tem alguma meta concreta relativamente aos resultados do PISA?

Sim, que é de recolocar os alunos portugueses com níveis de desempenho acima da média da OCDE nas avaliações do PISA de 2028. Apesar de estarem na média, um pouco acima ou ligeiramente abaixo, a queda na última avaliação foi superior à média dos restantes países.

E como é que se propõe a alcançar esse objetivo?

Entre outras medidas, a AD tem a realização de provas de aferição no quarto e no sexto anos de escolaridade, já em 2024/2025, a publicação dos resultados e apoio aos alunos em risco de insucesso escolar. E naquela que talvez seja a medida mais destacada do programa, a implementação do A+A: Aprender Mais Agora.

E o que é o Aprender Mais Agora?

É um plano de recuperação da aprendizagem que, diz o programa da AD, realmente permita aos alunos construir um caminho de sucesso escolar. De acordo com o programa, incluirá recursos adequados para o apoio aos alunos, a capacitação de docentes para implementar um sistema de tutorias, assim como o reforço de créditos horários.

E vamos olhar agora para o Chega. O que é que defende o partido de André Ventura nesta área?

Desde logo, a redução dos currículos e dos horários escolares, que aliás é defendida por quase todos os partidos, e o mais importante, a reintrodução de exames nacionais no final de cada um dos três ciclos de ensino básico, a juntar aos do ensino secundário, e que tenham, diz o programa do Chega, consequências efetivas na transição ou reprovação dos alunos.

Nesta questão dos exames, há grandes diferenças nas propostas apresentadas pelos diferentes partidos?

Sim, talvez seja esta a questão concreta em que as diferenças entre esquerda e direita são mais notórias. O Bloco de Esquerda, por exemplo, defende o fim das provas nacionais do nono ano e a realização em alternativa de provas de aferição por amostragem, de modo a que a avaliação incida sobre o sistema educativo e não sobre os alunos.

E é uma proposta nos antípodas do que apresenta a Iniciativa Liberal no programa eleitoral.

O que também não surpreende. Os liberais consideram que os atuais elementos de avaliação e/ou aferição são insuficientes. Os exames finais do nono ano e do final do secundário e as provas de aferição no segundo, quinto e oitavo anos não são úteis, para a Iniciativa Liberal, para os alunos, nem para a avaliação do sistema educativo.

Voltamos à esquerda. Onde é que situa o PCP nesta questão dos exames?

Naturalmente mais próximo do Bloco do que da IL, com a defesa da valorização da avaliação contínua, eliminando os exames do nono, 11º e 12º anos e revendo o regime de provas de aferição no segundo, quinto e oitavo anos. Tal como o Bloco, também o PCP defende a redução do número de alunos por turma e a aposta no ensino profissional e artístico.

Ideias que também constam, de resto, do programa do Livre.

Sim, aí também se refere a redução do número de alunos por turma, a valorização do ensino artístico e profissional, de forma a facilitar a integração dos alunos na comunidade, através do desenvolvimento de competências práticas de uso mais imediato na sociedade, é o que se lê no programa do Livre. Já a flexibilização curricular é uma ideia presente em quase todos os programas eleitorais.

Nem o PAN foge à regra?

Não foge. Lê-se no programa do partido de Inês de Sousa Real que é necessária uma flexibilização curricular, mas também uma maior autonomia das escolas, assim como a adaptação da carga letiva horária às características do desenvolvimento etário.

Resumindo e concluindo, todos os partidos propõem alterações significativas ao atual modelo de ensino?

Há objetivos que são praticamente transversais, como o da recuperação de aprendizagens, embora com diferenças nos métodos para alcançar esse objetivo. Onde se verifica uma nítida diferença entre os dois blocos políticos é de facto na questão do modelo de avaliação, com a direita a insistir em mais exames e a esquerda a preferir o atual modelo das provas de aferição, com preferência por uma avaliação contínua.

E fica assim escrutinada mais uma promessa na Tarde Política.

E amanhã mais, sempre depois das notícias das 17h00.