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"Prometer é Fácil". Pode acompanhar esta edição em vídeo no nosso site observador.pt, também nas plataformas Facebook e YouTube. Judite, de que promessas falamos hoje? Falamos de promessas que têm grande impacto na vida dos portugueses diariamente e que, apesar de terem estado afastadas dos debates eleitorais, têm lugar de destaque nos programas. Hoje olhamos para a questão dos transportes públicos e da mobilidade, mas por uma questão de extensão e de tempo, começamos pelos partidos à esquerda do PS. Nos próximos dias, olharemos para os restantes.

Comecemos então pelo Bloco de Esquerda, que vê a ferrovia como a chave para ligar o país e, ainda assim, para o partido de Mariana Mortágua, tem sido negligenciada. Por isso, defende o Bloco um plano ferroviário nacional com investimentos públicos ao longo de duas décadas. Até 2040, toda a rede deve estar eletrificada e todas as capitais regionais ou distritais devem estar ligadas.

O Bloco defende ainda a construção da terceira travessia do Tejo, exclusivamente ferroviária, até por ser uma infraestrutura que o partido considera indispensável para uma acessibilidade sustentável ao futuro aeroporto de Lisboa, em Alcochete.

E Bruno, para além da ferrovia, o que propõe o Bloco?

Em extra ferroviário, o Bloco quer uma maior oferta de transportes públicos em número e frequência suficientes e a redução tarifária, sobretudo com passes intermunicipais e nacionais mais baratos e transportes públicos gratuitos nas cidades. Os transportes públicos devem ser grátis para jovens até aos 25 anos, pessoas com 65 ou mais anos, pessoas com deficiências, beneficiários de prestações sociais e desempregados de longa duração. O Bloco quer ainda a redução do preço dos passes.

E é o único partido a ser muito claro sobre a criação de zonas centrais de grande restrição à circulação automóvel. Em Lisboa, o objetivo é, em quatro anos, chegar aos 100 hectares, Baixa, Chiado e Avenida da Liberdade, e 40 hectares no Porto, Ribeira, Sé e Aliados, mas com planos para expandir as zonas sem carros.

E sobre a chamada mobilidade suave, o que temos? O Bloco destaca a construção de ciclovias e sistemas de bicicletas partilhadas e nisto está a par com as propostas do LIVRE.

Vamos então ao programa do LIVRE para os transportes.

Ora, o partido de Rui Tavares quer garantir a oferta e o acesso a uma rede de transportes públicos de uma forma bastante lata, que assegure a intermodalidade, a integração horária, tarifária, a acessibilidade, mas faz uma referência que não está patente nos outros programas, quer implementar ou reforçar o horário de funcionamento noturno dos transportes coletivos urbanos e suburbanos, aumentando a oferta para quem trabalha por turnos e para dissuadir comportamentos de risco, como a condução com cansaço ou sob o efeito de álcool.

O LIVRE propõe também o transporte a pedido nas zonas urbanas e de baixa densidade e ainda quer desincentivar o uso e a propriedade do automóvel em zonas que sejam bem servidas por outros modos. Só não diz como.

O investimento na ferrovia é unânime em todos os programas, assim como a ligação entre todas as capitais de distrito. Já tínhamos visto isso com o Bloco de Esquerda. O LIVRE insiste também na necessidade da rede de alta velocidade para diminuir o tempo de ligação entre as cidades da Península Ibérica.

No programa do LIVRE há ainda um pormenor curioso, que é o de incentivar as crianças a fazerem o percurso entre casa e a escola a pé e de bicicleta, de forma segura, para que assim se inicie uma mudança cultural mais saudável.

Por fim, vamos ao PCP. O Partido Comunista defende um sistema de transportes públicos em que a espinha dorsal são as empresas públicas. Para o PCP, só assim é possível ter transportes fiáveis, coordenados e frequentes, não só de qualidade, mas também com preços sociais.

No programa de investimento que propõe, o partido de Paulo Raimundo promete a admissão de trabalhadores em falta, a aquisição, manutenção e modernização das frotas necessárias, a construção de parques de estacionamento de carros e bicicletas nos interfaces de transporte e constituição de uma crescente oferta pública de transportes em regiões entregues aos operadores privados ou então que tenham sido abandonadas por esses mesmos operadores.

Neste plano, não fica de fora a ANA, que o PCP quer nacionalizar, assim como quer travar o processo de privatização da TAP.

O PCP propõe ainda criar um sistema de operador público rodoviário que assegure a oferta em todo o país. Quer ainda sanear financeiramente a CP e reverter a privatização da CP Carga.

Nas medidas direcionadas às pessoas, o PCP mantém a gratuidade aos jovens e aos estudantes e quer alargá-la aos maiores de 65 anos, tal como ao Bloco. Fixa ainda um preço máximo no passe mensal: €20 para o metro e ligações regionais, €40 para inter-regionais.

Um pormenor que não encontramos nos outros programas é a modernização do setor do táxi e a revisão da lei do TVDE, impondo contingentes determinados pelos municípios, assim como o controle contra os abusos das plataformas.

Estão, portanto, dissecadas mais promessas dos partidos na Tarde Política.

Amanhã há mais, depois das 17h00.