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Prometer é fácil. Promessas eleitorais há muitas. Hoje vamos olhar, Bruno Vieira Amaral e Judite França, para as propostas de PS, AD e também da Iniciativa Liberal e do Chega para a mobilidade. Com a campanha a aproximar-se do fim, continuamos a alta velocidade nos transportes. Depois de ontem termos visto as propostas dos partidos à esquerda do PS, hoje olhamos para as promessas dos dois principais partidos para este setor e também da IL e do Chega.
E começamos precisamente pelo PS.
Mais precisamente pelo Plano Ferroviário Nacional, que é a menina dos olhos de Pedro Nuno Santos, ex-ministro desta área. No programa eleitoral, o PS pretende a aprovação do plano elaborado nos últimos dois anos e que prevê o início dos projetos para as três capitais de distrito, todas no interior Centro e Norte, que ainda não têm ligação ferroviária, a saber, Viseu, Vila Real e Bragança.
O PS não se esquece das obras de linha de alta velocidade entre Porto e Lisboa e promete lançar a primeira fase da ligação entre Porto e Valença. Depois, o programa centra-se nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Em Lisboa, o PS pretende melhorar a linha de cintura e a linha do Norte até à Azambuja, além de concretizar a nova travessia ferroviária do Tejo.
Para o Porto, promete a conclusão das obras de modernização da linha do Norte, entre Ovar e Gaia, a reintrodução do serviço de passageiros na linha de Leixões e promete mais estudos para a futura linha do Vale do Sousa.
E quais são as propostas da AD, Bruno, para a ferrovia?
A AD pretende aumentar a cota quer do transporte ferroviário de passageiros, quer de mercadorias. No entanto, ao contrário do PS, não refere obras concretas no seu programa eleitoral. A AD refere, isso sim, a criação de um novo modelo de exploração no transporte ferroviário de passageiros, que passe pela descentralização da gestão dos serviços de transporte de natureza local. Ao mesmo tempo, aposta naquilo a que chama uma nova relação entre o transporte ferroviário e os passageiros, a fim de recuperar a confiança perdida. E quanto a outros sistemas de transporte, nomeadamente nas áreas metropolitanas, o que promete o PS?
Desde logo, a expansão do metro de Lisboa às zonas da Estrela, Santos, Campo de Ourique, Alcântara e Benfica, mas também expansão em Odivelas e Loures. A margem sul não é esquecida. O PS quer expandir o metro sul do Tejo à Costa de Caparica, Seixal, Barreiro e Alcochete.
No Porto, o PS pretende concluir as obras em curso nas diferentes linhas do metro e assegurar o avanço dos projetos para a terceira fase das novas linhas para Gondomar, Maia, Trofa e Matosinhos.
Outras áreas metropolitanas de média dimensão, como a de Coimbra e a área de Braga, Guimarães, Barcelos, Famalicão, também merecem a atenção do PS, que pretende criar sistemas de mobilidade para estas duas áreas, que, no caso do sistema Cava do Ave, se articule com o sistema de transportes da área metropolitana do Porto. Também neste caso, a AD opta por propostas mais genéricas.
Sim, quando se refere à mobilidade, o programa eleitoral da AD não menciona regiões específicas, preferindo elencar objetivos tais como o de aprofundar a tendência de gratuitidade e aumentar a oferta do transporte público com o reforço da frota e definição também de padrões de bilhética harmonizados. Quanto a este último aspecto, o da uniformização tarifária, o PS propõe o mesmo, além da criação de um cartão mobilidade e a promoção, por exemplo, de soluções não poluentes, como o uso de bicicleta, através da construção de estacionamento de longa duração nos interfaces de transportes. E vamos olhar ainda para as promessas dos partidos à direita. Quais são as propostas da Iniciativa Liberal e do Chega para os transportes públicos?
Começamos pela Iniciativa Liberal. Aproveitando este tema do incentivo do uso da bicicleta, os liberais têm uma proposta idêntica à do PS, que é da instalação de parqueamentos públicos de bicicletas nos interfaces dos transportes públicos, mas têm outras propostas, como a de implementar o seu próprio plano ferroviário nacional, com a meta de que nenhuma capital de distrito esteja a mais de duas horas de distância de Lisboa ou Porto.
O Chega também pretende concretizar o Plano Nacional de Ferrovia, além de muitas outras propostas com impacto na mobilidade nas grandes áreas metropolitanas, com destaque para a possibilidade de eliminar a descontinuidade entre o metro de Lisboa e o metro da margem sul. Outra proposta que, segundo o Chega, requer uma avaliação da melhor localização é a da construção de uma terceira travessia sobre o Tejo.
Que pontos em comum têm os programas dos dois partidos?
Destacamos dois que servem para mostrar, ao mesmo tempo, diferenças entre partidos. Ontem vimos que só o PCP incluía no seu programa eleitoral a questão dos táxis e do TVDE. Ora, Chega e Iniciativa Liberal não esquecem este setor. O Chega quer que a atividade de transporte individual de passageiros em veículo descaracterizado só possa ser exercida por empresas ou empresários em nome individual, licenciados pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes, e quer tornar mais rígidas as regras relativas à formação de quem exerce a atividade, garantindo, é o que é dito no programa do Chega, que os condutores compreendam e falem a língua portuguesa. Já a abordagem da Iniciativa Liberal vai no sentido de liberalização, propondo a unificação dos regimes de táxi e TVDE para que o plano de concorrência seja mais justo. Mas os dois partidos convergem na abertura das empresas de transportes detidas pelo Estado à iniciativa privada. A Iniciativa Liberal pretende liberalizar o mercado de transporte fluvial no Tejo, privatizando a Transtejo Soflusa e abrindo novas rotas de navegação a outros operadores. Quanto ao Chega, defende a entrada de privados em empresas atualmente detidas pelo Estado, bem como a participação das autarquias no capital e na gestão de empresas como o Metropolitano, a Transtejo e a Soflusa. E amanhã há mais Prometer é Fácil, sempre depois das notícias das 17h00.