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The building is exploding right now. You got people running up the street.

Another passenger plane in the World Trade Center.

The Twin Towers of World Trade Center, both of them being damaged by impacts from planes. We saw one happen.

It is a very hard thing to watch.

Eu lembro-me que estava no funeral a fazer um velório e perguntaram-me se o número 11 é sagrado no Islão. Foi um colega seu que me ligou. Eu disse que não estava a perceber a pergunta, para finalizar o enterro e me ligar a seguir. E depois houve alguns comentários no cemitério que parece houve um ataque, há quem diga que houve um acidente, há quem dissesse que houve um sequestro. Portanto, isso foram as primeiras palavras que ouvimos e é claro que quando regressei ao meu local de trabalho, pus-me à frente da televisão para ver exatamente o que se tinha passado. A primeira informação que eu soube, estava no cemitério a fazer o enterro. O seu colega mais tarde ligou-me. Eu disse que o número 11 não é sagrado, nós no Islão não temos nenhum número que possamos dizer que seja sagrado ou que seja algo importante. E foi esta a resposta que eu dei. Também não poderia avançar muito sobre aquilo que tinha se passado, porque não sabíamos muito concretamente o que se passou e como é que se passou. E fomos todos nós acompanhando as notícias durante horas e horas, para sabermos exatamente ou ter uma pequena ideia daquilo que se passou. Quando nos disseram que foi um ataque terrorista, fomos um dos primeiros, a comunidade islâmica foi uma das primeiras comunidades em Portugal a condenar esses ataques. Mais tarde participamos em algumas orações, alguns encontros ecumênicos. A mesquita também o fez. Também houve um encontro ecumênico na sinagoga, na igreja. Estivemos sempre presentes e devidamente a condenar esses ataques.

E como um imã de uma mesquita central tão importante, tão grande como é a de Lisboa, pergunto se recebeu alguns pedidos de ajuda, alguns pedidos de dúvida dos próprios fiéis. Sentiu que a fé daqueles que seguem o Islão, pelo menos cá em Portugal, cá em Lisboa, sentiu que saiu abalada depois destes ataques?

Eu não diria que a fé ficou ou ficasse abalada. A grande questão que se coloca ainda hoje, como é que é possível as pessoas que professam o Islão terem feito isso? Portanto, esta é que é a grande questão que de vez em quando vamos nos colocando ou questionamos por falta de conhecimentos da sua crença, foram pessoas que foram manipuladas. Esta é que é a grande dúvida que vai surgindo. É claro que quando nós falamos de qualquer ataque, mais concretamente do que se passou no dia 11 de setembro de 2001, vai fazer 20 anos, muita coisa mudou. Desde as nossas viagens que nós fazíamos, os lugares de culto passaram a ser mais protegidos, podemos dizer assim, mas não muito visível. Porque felizmente em Portugal nós não tivemos nenhum ataque direto, nem indireto. Haviam algumas poucas que as pessoas diziam e comentava-se, porque o fato de ver uma senhora com lenço ou, por exemplo, uma pessoa com uma túnica comprida ou com uma barba comprida, associava-se logo ao Talibã.

Sente que a islamofobia aumentou em Portugal desde esse dia?

Eu acho que aumentou nas redes sociais. Eu não sou muito fã das redes sociais, mas por aquilo que percebo, nota-se que há algumas coisas que são ditas que demonstra, além de uma ignorância, alguma islamofobia a crescer. Mas a comunidade islâmica portuguesa é uma comunidade que existe desde 1968, portanto, não é uma coisa nova. É claro que tudo que se passa, que não seja agradável, choca a todos nós como seres humanos. E quando alguém faz em nome de uma religião, nós tentamos separar. Imaginemos se um cristão comete alguma loucura ou se um judeu ou hindu, seja o que for, ou agnóstico, seja o que for, choca e lamentamos. Nos dias de hoje, tem que haver condições e nós temos que estar preparados para convivermos uns com os outros. A multiculturalidade é uma coisa saudável. Eu tenho que saber os meus limites e os outros também têm que saber os seus limites. Eu não posso impor a uma outra pessoa a minha identidade religiosa, nem cultural. Culturalmente somos todos portugueses. A única coisa que poderá diferir é entidade religiosa é uma coisa muito pessoal, é uma coisa espiritual. Agora, só para acrescentar, é interessante. Por exemplo, nós vimos pessoas que professam o Islão ou qualquer outra crença cometerem atos de violência, mas também vemos, por exemplo, adeptos de futebol, adeptos de desporto, a cometerem atos de violência. Nós não deixamos de gostar do desporto só por ver alguns adeptos a serem violentos com os outros. Este ano ainda, quando os ingleses vieram cá jogar no Porto, os estragos que eles fizeram, a violência que eles deixaram, nunca nós deixamos de gostar de futebol. Aqui conseguimos separar.

E acha que, por exemplo, desde esse dia 11 de setembro de 2001, numa maioria de portugueses católicos, os portugueses conseguiram separar aquilo que foi o ataque que partiu da cabeça de algumas pessoas, sejam fiéis ou não do Islão? Acha que os portugueses conseguiram separar aquilo que foi um ato isolado daquilo que é o Islão como religião?

Infelizmente, o que se passou após 11 de setembro? Nós tivemos 11 de março e depois tivemos alguns ataques suicidas ou bombistas em Londres, depois foi o Bataclan, depois foi a Bélgica. Isto tudo, infelizmente, ao acontecer, nós tivemos um papel muito importante de transmitir e tentar separar as coisas. Infelizmente, há muçulmanos radicais que deturpam versículos do Alcorão. Não podemos negar, há. A verdade é esta. Ainda ontem ou anteontem, quando começou o julgamento de um dos envolvidos no ataque do Bataclan, ele inicia com a frase: "La ilaha illallah", não há nenhuma outra divindade a não ser Allah. Não demonstrou nenhum arrependimento e o Islão condena esses todos atos de violência. Mas há pessoas que o fazem em nome da minha crença. Eu não posso negar que não haja. Há. E por que eles o fazem? Tiveram um conhecimento errado do Islão, deturpam alguns versículos do Alcorão, estão a ser manipuladas, fazem-lhes uma lavagem cerebral. São pessoas que foram perturbadas ou que são perturbadas. Tudo isto é questionável e tudo isto é sensível, mas tentamos sempre estar abertos, receber as pessoas, conversar com as pessoas, sem qualquer barreira. A questão que se coloca é que não é que o outro acredite naquilo que eu acredito, mas pelo menos tentar separar. E o conhecimento é uma arma que faz com que nós possamos separar as coisas. Aliás, ontem ou anteontem, nós tivemos uma cena no nosso país em que um juiz teve uma conversa desagradável com a gente. Será que todos os juízes são assim? Claro que não. Temos que tentar separar as coisas. Há episódios isolados, por exemplo, mas infelizmente, os muçulmanos com pouco conhecimento da sua crença, fazem coisas que a própria religião condena.

Sheik David Meir, para terminar, faço uma pergunta que acredito que seja difícil responder pela generalidade. Na sua opinião, o Islão mudou desde o 11 de setembro de 2001?

O Islão não mudou. A forma de chegar até às pessoas e explicar sobre o Islão mudou. E tinha que mudar.

Para positivo?

Sim, para positivo, em algum aspecto, mas também os outros criaram mais tabus e deturpam. Mas em termos gerais, podemos dizer assim, a forma de explicar o Islão. Eu costumo dizer aos muçulmanos, nós deveremos, muçulmanos portugueses, muçulmanos europeus, nós devemos valorizar a liberdade que nos dão. Em alguns países islâmicos, eu não me identifico com nenhum país islâmico. O meu país é Portugal, é tão simples como isso. Infelizmente, o que acontece em alguns países islâmicos, eu não tenho nada a ver com isso. E sabemos nós que em alguns países islâmicos há crenças que não tinham liberdade ou já começam a ter, ainda bem. Há países islâmicos em que o não muçulmano também tem o mesmo estatuto como cidadão, como o muçulmano. Mas uma coisa é o governo, uma coisa é a lei, outra coisa são as pessoas, é o povo que infelizmente, às vezes, faz certas coisas que não têm nada a ver com a própria crença. Por exemplo, muito recentemente, uma criança hindu de oito anos urinou num sítio e a população foi destruir o templo hindu. É ridículo, é absurdo, é contra o Islão, mas aconteceu num país islâmico. E o que é que foi essas pessoas? Será que essas pessoas não conhecem a sua crença? Não, não conhecem a sua crença. São crentes, mas são desconhecedores da sua crença, porque se conhecessem a sua crença, na realidade, não faziam aquilo que estão a fazer. Esses episódios isolados já estão a ser a mais. E isto também faz-nos refletir, isto também nos preocupa. Por que é que há vários episódios isolados feitos por muçulmanos? Uma ou outra pessoa pode justificar-se, mas já estão a ser vários. Isto é preocupante. The building is exploding right now. You got people running up the street. Another passenger plane in the World Trade Center. The Twin Towers of World Trade Center, both of them being damaged by impacts from planes. We saw one happen. It is a very hard thing to watch. Have we had a war?