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Nesse dia 11 de setembro, curiosamente, estava em Londres. Tinha viajado para Londres na noite anterior para ter um dia de reuniões com um conjunto de arquitetos e engenheiros portugueses, ingleses e até dois ou três australianos. Estávamos precisamente numa reunião quando os telemóveis de todos os participantes, ou de quase todos, começam a receber mensagens. Ficou tudo um bocado parado, a olhar para os telemóveis, quando viram, começou toda a gente a falar ao mesmo tempo: "Vamos já diretos para um televisor, para um monitor onde se possa ver o que está a dar". Não sei que canal era. E fomos todos para um corredor ou para uma sala onde estava o monitor da televisão, e ainda vimos, infelizmente, o avião a bater na segunda torre.

Tiago Cassis, deixa-me perguntar-lhe, do olhar de um engenheiro civil, quando viu as imagens do embate dos aviões nas Torres Gémeas, conseguiu perceber logo que as pessoas que estavam no edifício não iam conseguir sair?

Não consegui perceber isso. Devo dizer que estranhei que as torres não tivessem caído na altura, não tinha a percepção do que era a estrutura das torres. Pura e simplesmente estranhei que elas caíssem. É curioso, enfim, isso tudo tem uma explicação, mas as pessoas teriam à espera: "As torres caíram porque aquela estrutura metálica, quando os aviões embateram diretamente, ruiu." Mas não foi esse o caso. Claramente, aquilo foi uma situação em que as torres se escoaram por dentro, quer dizer, a envolvente metálica acabou por resistir bastante bem, ficou danificada na zona do embate dos aviões, mas aguentou-se. O miolo das torres, que era mais débil, tinha a zona dos elevadores, central, e depois os pisos, e essa zona é que, fruto das altas temperaturas que se portou, acabou por se esboroar e as torres ruíram por dentro, e foi por isso que caíram. Aliás, há imagens, fotografias posteriores em que se vê, pelo menos numa das torres, que a grande estrutura metálica envolvente acabou por ficar ainda com um certo número de pisos de pé.

Tiago, deixa-me perguntar-lhe, as Torres Gémeas eram edifícios icónicos na paisagem urbana de Nova Iorque. Este desastre do 11 de setembro trouxe lições para a engenharia, para a arquitetura? Acha que se mudou um pouco a forma de fazer edifícios depois deste atentado terrorista?

Eu acho que na generalidade dos edifícios, não. Em edifícios de grande altura, sim. O que mudou muito foram duas questões. Foi a questão securitária, praticamente deixou de ser possível fazer uma aproximação a edifícios destes, por exemplo, com veículos pesados. Todos estes edifícios têm à volta uma zona de proteção. Estes edifícios e não só, aeroportos, estádios, tudo isso, todo esse tipo de construções e infraestruturas que sejam fundamentais, houve o cuidado de impedir o acesso de veículos, por causa dos explosivos. E no que diz respeito a edifícios altos, o que aconteceu-

Os arranha-céus, como as Torres Gémeas, eram um bom exemplo.

Exatamente. Desse ponto de vista, mais no que diz respeito à engenharia estrutural, o que aconteceu foi que se criaram condições para que um edifício destes, se houver uma parte dele que entre em colapso, digamos, que seja fortemente danificada, o edifício não caia. Basicamente, foi isso. Criou-se aquilo que a engenharia designa por redundância, ou seja, há uma parte da estrutura que cai, que rompe, que colapsa por motivo de uma explosão, por exemplo, mas o restante edifício tem capacidade para ficar de pé.