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É segundo os previsores.
"Quente e Frio" com Filomena Martins. Filomena, já estavas aqui a dizeres madrugadas frias, tempestades que traziam chuva e depois calor. Era o que tinhas dito ontem. Mais alguma coisa no menu?
Olha, Rita, por acaso sim.
Ah.
Queres que vamos lá em frente.
Neva, queres ver.
Não, ainda não. O Atlântico está agitado e não é só com uma, mas com duas tempestades a merecer atenção, porque à Austin juntou-se a Josephine.
Parece um bom casamento. Só assim pelos nomes.
Pelos nomes. Uma traz-nos agitação marítima e uns chuviscos, a outra vai trazer mau tempo aos Açores. Mas Portugal continua a viver um contraste curioso, que são madrugadas quase de inverno seguidas de tarde primaveris, temperaturas primaveris que pra semana serão de verão. E depois haverá nova reviravolta, está aqui a notícia, porque no final do mês a chuva deve regressar com força.
Até porque até agora não tivemos grande chuva. Por onde começamos então?
Vamos começar pela tempestade Austin. Está a intensificar-se muito depressa no Atlântico, no tal processo de ciclogênese explosiva, que está a ser favorecido pela corrente do jato polar.
Desculpa o aparte, é um bom título para uma banda de rock: Ciclogênese Explosiva.
Tenta. Os efeitos mais fortes deverão atingir as ilhas britânicas e o norte de França, mas também a costa norte da Espanha, na Galiza e nas Astúrias, por exemplo, as rajadas poderão chegar aos 100 km/h e amanhã o mar deverá atingir os cinco a sete metros na costa Galega e Cantábrica, e há ondas que podem atingir os 10 metros. Em Portugal, os efeitos são menos intensos, mas também haverá vento, o mar também vai ficar bastante agitado. O IPMA já tem seis distritos sob aviso amarelo, Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra e Leiria, portanto nada de passear junto à praia. Pelo menos entre as 10:00 e as 22:00, estão previstas ondas de quatro a cinco metros, que depois isoladas podem atingir alturas ainda maiores. Há aqui uma particularidade: o mar agrava-se quando a chuva e o vento já estão a diminuir em terra, porque a ondulação gerada pelas tempestades viaja milhares de quilómetros pelo Atlântico e chega depois. Quanto à chuva, esta quinta-feira ainda deve concentrar-se sobretudo no noroeste, com mais probabilidade de acontecer ali na zona de Viana do Castelo, Braga e Porto. Durante a noite e a madrugada de sexta-feira, uma outra frente desta tempestade pode avançar também pelo norte e centro, perdendo intensidade à medida que se desloca para sul. Portanto, haverá uma precipitação fraca, que pode até chegar aqui à região de Lisboa, mas já muito pouco intensa. Sábado e domingo, a tendência é de tempo mais seco, pelo menos em grande parte do continente.
Então vamos agora à Josephine.
Josephine, sim, e aos Açores, porque a Josephine nasceu como tempestade subtropical, mas pode transformar-se numa depressão extratropical muito intensa. Isto não é normal, a sucessão não costuma ser essa, às vezes acontece, porque mudar de classificação não significa perder força. A Josephine poderá apresentar até ventos com força de furacão durante esta transformação e nos Açores a instabilidade deverá aumentar durante o fim de semana, sobretudo nos grupos ocidental e central, e na madrugada de segunda-feira, dia 26, uma frente fria poderá trazer nova precipitação ao arquipélago. Na Madeira, é só esta sexta-feira que o dia deve ficar mais instável.
E estas madrugadas frias?
Queres que se vão embora?
Não, eu estou a dormir normalmente. Eu até gosto de dormir com algum frio, sentir o frio lá fora.
Pronto.
Gosto de cobertores.
O frio durante a noite ainda não vai desaparecer nestas noites de sexta e sábado. Na madrugada de sexta-feira, Bragança vai descer aos seis, Lisboa ficará pelos 13, já não é mau. No sábado, o frio deve acentuar-se no interior Norte, Bragança pode voltar aos 3° e Lisboa não deve subir dos 10, 11. Naquelas zonas mais abrigadas, com céu limpo e vento fraco, o arrefecimento noturno ainda vai ser mais acentuado. Portanto, quem sair cedo de casa deve precisar de casaco, mas dentro de poucos dias vai trocá-lo por uma manga curta.
Então vamos ao calor. Voltamos a ter temperaturas de verão, não me digas?
É isso.
No final de outubro?
No final de outubro. Vem uma massa de ar subtropical do norte de África, da zona de Marrocos, do Saara, que traz 25, 26, 27 e até 28°. Chega a partir de domingo, esta massa de ar subtropical, e vai provocar uma subida acentuada das temperaturas na península Ibérica, porque há uma depressão Atlântica e uma ondulação da corrente jato. Estou sempre a falar destes nomes.
Da corrente jato.
E vão favorecer a entrada de ventos de sul e sudoeste e transportar ar quente pra Andaluzia, pra Estremadura e pra Portugal. Na segunda-feira, por exemplo, só a título de exemplo, Sevilha vai chegar aos 30, Córdoba aos 28, Badajoz aos 27. Portugal, o aquecimento também será particularmente evidente no interior e no sul. As máximas deverão subir para os 25 e 26 em várias regiões, podendo atingir 27 em Évora, Santarém, Mora, Cruz, Grândola, e os valores mais elevados concentrar-se ali no distrito de Beja, Cuba, Mértola, várias outras localidades desta região vão chegar aos 28, podendo ir até mais acima. É um calor muito invulgar, como tu disseste, pra última semana de outubro. Em algumas regiões, as temperaturas estão quatro a sete graus acima do habitual. E estas temperaturas, que vão começar, como eu disse, no domingo, podem acentuar-se a partir de segunda-feira e prolongar-se durante parte da semana
Vai ser assim um mês de outubro acima da média. E a chuva poderá regressar com força no final do mês, é isso?
É isso.
Com a chuva.
Falei de chuva. Há sinais de uma mudança importante na circulação atmosférica a partir de quinta-feira, 29, portanto ou terça, 26 a 27. Uma frente fria poderá aproximar-se do continente, deverá chegar muito fraca ainda, trazer uns chuviscos ao norte e centro. A dúvida está nesses últimos dias de outubro. As projeções do modelo europeu admitem que uma forte ondulação da corrente de jato, cá está ela.
Corrente de jato.
Permita às depressões atlânticas aproximar-se de Portugal e, ao mesmo tempo, o anticiclone deverá enfraquecer ou deslocar-se e abre caminho a essas frentes para cá chegarem e entre 29 e 31 de outubro, portanto final do mês, a chuva mais generalizada e por vezes intensa, pode muito bem cá chegar.
É que é só para estragar o dia das bruxas, Filomena. Caramba! Portanto, o resumo é este: Austin agita o mar já amanhã, as madrugadas continuam frias, o ar subtropical poderá levar os termômetros aos 28 °C no Alentejo e no final de outubro o Atlântico poderá voltar a abrir a torneira.
É isso, fizeste um bom resumo.
Vamos agora ao fenômeno. Portanto, chuva, aguaceiros ou chuvisco. Afinal, qual é a diferença? Por acaso, eu muitas vezes uso essa expressão, chuva fraca ou aguaceiro fraco ou chuvisco. Conta.
Quando ouvimos a previsão do tempo, aparecem muitas vezes estas palavras: chuva, aguaceiros, chuviscos. Eu já as disse ainda agora na previsão e às vezes são usadas como sinônimos, mas não são exatamente a mesma coisa.
Eu logo vi. Eu logo vi que estava a dizer mal. Vai explicar então as diferenças, não é?
Vou tentar. Comecemos por precipitação, que é um nome que eu não gosto muito, mas que é o nome dado à água que cai da atmosfera e chega ao solo sob a forma de chuva, neve, granizo ou chuviscos.
Ou seja, cai qualquer coisa. É qualquer coisa a cair.
Desde que seja em forma de água, mesmo que seja neve ou granizo, é precipitação. A chuva é formada por gotas de água que caem das nuvens. Nas previsões, quando se fala simplesmente em chuva, estamos muitas vezes perante precipitação relativamente contínua, que pode durar várias horas e atingir uma área bastante extensa. É o que acontece normalmente quando essa chuva vem de frentes atlânticas. Já os aguaceiros é quando essa chuva é mais irregular. Começa de repente, às vezes são bastante intensos, mas acontecem em poucos minutos e terminam com a mesma rapidez. Chegam, descarregam, vão-se embora.
Que é muito comum aqui em Lisboa, esse tipo de aguaceiros.
É aquela chuva que chega e vai. É por isso que pode estar a chover intensamente às vezes num sítio e depois a poucos quilômetros ali ao lado já não chove. Os aguaceiros estão normalmente associados a nuvens de desenvolvimento vertical, quase as mesmas que causam as trovoadas. E o ar sobe, favorece a formação desta precipitação localizada. Depois temos os chuviscos, também chamados de morrinha em algumas regiões do país.
Ou de chuva molha-tos, não é?
É isso. São gotículas muito pequeninas, geralmente provenientes de nuvens baixas. Às vezes quase parece que estamos dentro da nuvem que decidiu molhar-nos devagarinho.
Durante o dia todo.
É isso. Não tem nada a ver com o nevoeiro, cuidado. O nevoeiro forma-se de uma forma completamente diferente. E há aqui uma distinção importante: um aguaceiro não tem necessariamente de ser forte e a chuva contínua não tem necessariamente de ser fraca. Às vezes é, outras vezes não é. Podemos ter aguaceiros ligeiros e chuva persistente muito intensa. Portanto, quando a previsão anuncia aguaceiros, não significa que vai chover durante todo o dia. Temos que ter cuidado com estas coisas. A diferença está sobretudo na continuidade, na distribuição e na forma como essa precipitação começa e termina.
Então quando é assim o dia inteiro, diz-se chuva.
Diz chuva.
Ok. Vamos então agora à curiosidade. Filomena, trazes-nos uma baleia branca do Ártico que apareceu na Irlanda. O que estará a fazer tão longe de casa?
É um visitante muito pouco habitual, este que apareceu nas águas da Irlanda. Foi no sábado, dia 17 de outubro, que esta baleia beluga foi filmada por um drone na baía de Donegal, na costa noroeste da Irlanda. É uma descoberta extraordinária. As belugas vivem habitualmente nas águas geladas do Ártico ou do Subártico, muito longe da Irlanda. São conhecidas pela aquela cor branca, aquela cabeça arredondada e pela capacidade de produzir uma grande variedade de sons. Aliás, elas são conhecidas como canários-do-mar, precisamente por serem dessas vocalizações que fazem. Há uma outra curiosidade, as belugas não nascem brancas, as crias são cinzentas ou acastanhadas e só ficam brancas à medida que crescem. E segundo o Irish Whale and Dolphin Group, esta é apenas a segunda observação de uma beluga confirmada através de imagens em 35 anos que leva esta organização. Há outro pormenor interessante. Em novembro do ano passado, também apareceu em Donegal um narval, que é outro cetáceo habitualmente associado apenas ao Ártico. Os especialistas admitem que a beluga agora observada possa ser o mesmo animal que já foi visto antes na Noruega, na Dinamarca e na Finlândia. Só que ainda não conseguiram confirmar que é mesmo o mesmo.
Tem que pôr um autocolante. Que horror, não. Será que o aquecimento do Ártico está a levar estes animais a explorar outras águas, Filomena?
É uma hipótese. A diminuição do gelo marinho poderá influenciar estas deslocações, mas também só é possível que hoje existam simplesmente mais pessoas a observarem e a registar estes animais. E há uma boa notícia: nas imagens, a beluga aparece a nadar normalmente e a respirar sem dificuldades, portanto, não parece estar doente, nem parece ter nenhum problema. Não sabemos se se perdeu, se está a explorar novas águas ou se está apenas a viajar pela Europa. Nunca se sabe. Portanto, enquanto esta visitante branca continua a ser um mistério no Atlântico.
E tem um ar tão simpático, partilhaste aqui uma imagem quando se comenta.
Elas também têm sempre um ar muito fofinho.
Parecem que estão sempre a sorrir.
É isso.
Como tu, Filomena. Foi mais um "Quente e Frio" com Filomena Martins. Amanhã há mais.
Amanhã.
E é o último da semana.
É.
Também precisas descansar, aproveitar o fim de semana.
Sem chuva.
Até sem chuva.