Acompanhe o nosso liveblog sobre política

O coordenador do BE assinalou esta quinta-feira uma “mudança sísmica” no discurso do Governo sobre a crise na habitação, pedindo que a pressão nas ruas continue e considerando que seria positivo “um gesto público de grande alcance” da CGTP.

José Manuel Pureza falava aos jornalistas em conferência de imprensa na Assembleia da República depois de ter estado reunido com uma delegação da CGTP-IN a propósito da proposta de Orçamento do Estado para 2027.

O coordenador nacional dos bloquistas e antigo vice-presidente do parlamento pediu que a mobilização de rua contra a crise na habitação — que se tem organizado em manifestações e acampamentos em Lisboa e no Porto — continue “democrática, grande, pacífica, mas firme”.

Pureza argumentou que estes protestos já geraram efeitos, apontando para uma “mudança sísmica” no discurso do Governo, nomeadamente do ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim.

“Quem veio aqui com voz tonitruante dizer que nem pensar em alguma vez escutar os gritos da rua e passados poucos dias vem falar da dor, do sofrimento de tanta gente e que o Governo compreende perfeitamente. Esta mudança é uma mudança sísmica e só tem uma justificação: é o Governo a perceber que está a perder nas ruas“, sustentou.

Interrogado sobre se faria sentido uma greve geral associada aos protestos pela habitação, convocada pela CGTP-IN, José Manuel Pureza respondeu que “seria muito bom que a CGTP tivesse um gesto público de grande alcance, com impacto de rua, com dimensão de rua, que pudesse dar força, ainda mais força, ao movimento social”, quer em forma de greve geral, manifestação ou outra.

Pureza remeteu a decisão para a confederação intersindical, que decidirá “nos seus ritmos próprios”, mas sublinhou que “em vários países europeus há iniciativas de protesto social de grande dimensão que estão marcadas para os próximos tempos, designadamente durante o mês de novembro”. Os promotores dos protestos em Lisboa e no Porto têm apelado a uma greve geral ibérica a 11 de novembro.

O coordenador bloquista defendeu que “seria muito importante que Portugal, através de todos os seus atores sociais, todos os seus grupos sociais, pudesse ter uma presença forte, sendo que Portugal é o país onde o preço das rendas de casa mais subiu no espaço europeu”.

Momentos antes, também em conferência de imprensa, o secretário-geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira, reiterou os alertas acerca do aumento do custo de vida e insistiu que “todas as formas de luta estão em cima da mesa, incluindo a greve geral”.

O responsável sindical salientou, contudo, que uma greve geral “exige tempo e preparação” e lembrou que a CGTP convocou uma manifestação no passado sábado contra o aumento do custo de vida e tem já um protesto agendado para o próximo dia 24 de novembro, no parlamento, data da votação final global da proposta de Orçamento do Estado.

Questionado sobre o pedido de greve geral ibérica, Tiago Oliveira respondeu que cada país e organização “tem o seu próprio andamento”, e sublinhou que uma greve geral “tem que ter êxito”.

Sobre a participação de dirigentes do BE nos protestos pela habitação, Pureza recusou que o partido tenha qualquer intenção de “dirigir” os protestos “mas contribuir, isso sim, para a força do movimento da luta pela habitação”.

José Manuel Pureza insistiu para que o executivo deixe cair a proposta que altera a lei do arrendamento, considerando que se o primeiro-ministro “é uma pessoa razoável e decente a única coisa a fazer é retirá-la”.