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Ao Quente e Frio. Todos os dias depois do jornal das 16 horas, previsões meteorológicas em análise com a Filomena Martins no Quente e Frio. Edição para terça-feira, 07 de julho. Olá, Filomena, bem-vinda.
Olá, Nelson.
Parece que depois de vários dias de calor extremo, o mapa começa finalmente a mudar. Já o conseguimos ver e sentir, mas ainda assim, não em todo o país, não é?
Não, ainda não. No litoral, o alívio já chegou. Em Lisboa sente-se bem, no Porto também se sente, 25 °C no Porto, Aveiro nos 26 °C, Viana do Castelo nos 24 °C e Leiria também nos 24, 25 °C. Em Lisboa a temperatura desceu para os 32, 33 °C, ainda é bastante, mas bastante abaixo dos mais de 40 °C dos últimos dias. Mas sim, no interior, sobretudo no interior sul, o calor ainda continua bem instalado. Castelo Branco ainda chega aos 40 °C, Beja e Évora aos 39 °C, Santarém aos 38 °C, Guarda também nos 38 °C e Bragança nos 37 °C. Portanto, ali ainda está quentinho.
E é por isso que olhando até para o mapa do IPMA, ainda vemos toda essa região com aviso laranja. O governo vai manter esta zona do país com este aviso, pelo menos até o final de quinta-feira.
Sim, situação de alerta nesta zona, com aquelas proibições do alerta, porque o IPMA continua com estes avisos de calor em vários distritos, sobretudo neste interior norte e centro, na Beira Baixa, no Alto Alentejo e no Algarve. Num resumo rápido, os avisos acabam às 23 horas de quarta-feira, dia 8, segundo a previsão atual, ainda pode mudar. As noites já refrescaram, primeiro no litoral norte e centro e depois vão continuar. Faro continua a ter as noites mais quentes do país, anda perto dos 25 °C. O contraste litoral interior vai continuar a ser a grande história da semana. E sábado poderá ser o primeiro dia sem calor extremo sinalizado, com máximas já perto dos 30 °C na maior parte das regiões. Um grande detalhe para quem está de férias por cá, na praia, a água do mar continua a mostrar dois países diferentes, porque na costa ocidental não passará dos 17, 19 °C, talvez em alguns locais até menos, e no Algarve estará entre os 22 e 24 °C, que é mais convidativo.
Sem dúvida. Hoje vamos conhecer um fenômeno chamado supertufão Bavi. O que é, afinal?
Vamos mudar de continente e de tema, porque enquanto por cá falamos de temperaturas de 40 °C, no Pacífico há esta tempestade capaz de arrancar telhados, derrubar florestas inteirinhas e deixar toda uma ilha sem água, sem eletricidade, porque este supertufão Bavi já mostrou a sua força e agora segue em direção ao Japão, a Taiwan e à China. O olho deste tufão passou diretamente sobre a pequena ilha de Rotas, nas Marianas do Norte, e chegou com a força equivalente de uma categoria cinco. São ventos acima de 240 km/h e rajadas de 290 km/h, só para termos uma ideia. Houve danos bastante significativos, com cortes de energia, chuva torrencial, condições descritas como "catastroficamente destrutivas". Era a frase do presidente da câmara lá do sítio. Só que o Bavi ainda não acabou, pelo contrário, ele continua a atravessar águas muito quentes do Pacífico Ocidental e deverá aumentar de força à medida que avança.
Mas Filomena, por que chamamos tufão e não furacão? Tenho essa dúvida também.
Na verdade, é tudo o mesmo fenômeno, é um ciclone tropical. O nome muda apenas conforme a região do planeta. Portanto, no Atlântico nós chamamos furacão, no Pacífico noroeste, junto ao Japão e à China, chama-se tufão. Vá lá saber por quê, foi assim. O que muda é apenas a geografia, a física é a mesma. Um oceano muito quente fornece calor e vapor de água à atmosfera, a pressão desce, os ventos aceleram e a tempestade intensifica-se. Há outras zonas em que chamam apenas e só ciclone. Isto ajuda também a explicar uma tendência que os cientistas têm vindo a sublinhar, que até pode haver menos ciclones tropicais em alguns anos, como este de 2026, é possível que haja menos, mas os que se vão formar vão encontrar oceanos cada vez mais quentes, já falamos disso aqui, e por isso podem intensificar-se mais depressa, produzir mais chuva e tornar-se mais destrutivos. O modelo norte-americano prevê uma pressão mínima para este tufão agora de 924 hPa, é assim que se mede. Que é um valor extremamente baixo e típico dos ciclones mais violentos do planeta. Para teres uma ideia, este é 924, o Katrina, nos Estados Unidos, atingiu cerca de 920.
Um bocadinho abaixo.
Um bocadinho abaixo. E por isso a energia vem sempre do mesmo sítio, vem do oceano, o nome muda e este vai ser muito violento.
Muito bem. Terminemos com uma inovação. Parece que está a chegar um satélite que vê o perigo antes de toda a gente.
Parece que sim, vai ser ótimo para os meteorologistas, porque a Europa prepara-se para lançar no final de agosto este novo satélite meteorológico. Chama-se Meteosat de terceira geração, MTG-12, que promete ser uma pequena revolução. Vai conseguir observar a atmosfera com muito mais detalhe, ao pormenor, acompanhar quase em tempo real a formação de nuvens, trovoadas e fenômenos extremos, como aquele, por exemplo, de Leiria o ano passado. Ano passado não, já foi este ano, já foi em fevereiro. Consegue detectar também focos de calor e incêndios florestais muito mais cedo, ajudar a antecipar tempestades severas, ou seja, pode começar a ver o perigo antes de, para toda a gente, como tu dizias. E, portanto, no verão com ondas de calor, incêndios, fenômenos extremos, isto de ver antes de toda a gente pode significar minutos preciosos para emitir avisos e para antecipar muitos riscos.
Sem dúvida. Quente e Frio desta terça-feira, já feito aqui com a Filomena Martins, vai chegar logo em seguida às plataformas de podcast e também ao nosso site em observador.pt. Amanhã, depois das 16 horas, volto a falar com a Filomena Martins para saber que tempo vai fazer. Até amanhã, Filomena.
Até amanhã.