Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Começa agora o Quente e Frio na Rádio Observador, sempre com a Filomena Martins. Filomena, aqui há bocadinho estava eu a dizer que está de regresso o calor, parece que está de regresso, e tu dizias que não, estavas a acenar que não.
Não, estava a acenar. Olá, João.
Bem-vinda.
Obrigada. Estava a acenar que não vai ser assim tão sufocante como parece esta segunda-feira. Não vai ser tão mau como se chegou a prever, porque até podemos dizer que escapámos outra vez. Porque há uma nova cúpula de calor que se está a instalar sobre a Península Ibérica neste momento. A Espanha pode entrar na quarta onda de calor deste verão, com temperaturas que vão chegar aos 44, 45 graus, mas Portugal vai ficar outra vez na margem do calor mais extremo.
Mas não escapamos ao calor, isso é certo.
Não, já o sentimos esta segunda-feira, como estavas aí a queixar-te.
Sim.
Mas na terça, a partir de amanhã, o país vai mostrar claramente que ficará praticamente dividido entre duas massas de ar e no interior vai continuar a dominar o ar continental, muito quente e muito seco, mas junto à costa, o Atlântico começa a empurrar o ar marítimo mais fresco cá para dentro e, por exemplo, enquanto as temperaturas ainda sobem um ou dois graus no interior e vão chegar também aos 41, 42 graus, no litoral fazem exatamente o contrário. Vão descer as temperaturas no litoral, três a seis graus em relação a hoje, a esta segunda-feira. Lisboa ainda vai ficar nos 35, mas o Porto, por exemplo, vai baixar para os 26 e Viana do Castelo para os 25. No interior, aí já é um problema, Castelo Branco vai chegar aos 40, Bragança e Portalegre aos 38 e Beja também aos 38. E esta fronteira entre os dois Portugais vai ser visível, porque vai haver neblinas, nevoeiros e nuvens baixas aqui na costa ocidental, entre o Minho e Lisboa, e muito sol e muito calor no interior. E as noites vão voltar a aquecer.
Também ia-te perguntar isso.
Vão voltar a aquecer. Terça-feira vai começar com 24 em Portalegre, 22 em Castelo Branco e Guarda, 21 em Viseu e Faro com 20, tal como Lisboa. Ou seja, são as noites tropicais outra vez, mas também já não são aquelas mínimas extraordinariamente altas que já tivemos este verão, que passaram dos 26, 27 graus.
Que nem sentíamos a diferença entre o dia e a noite, quase.
Não dava nada.
E depois, o que é que aí vem? O que é que se segue esta semana?
O que se segue? Vai estar assim a tal montanha-russa. Quarta-feira o calor continua, sobretudo no interior. Quinta temos algum alívio e não sei se era o Rafael que estava a pedir, mas pode chuviscar no litoral, mas não acaba com o calor no interior. Sexta-feira pode haver outra vez uma subida, que algumas zonas do interior vão voltar outra vez a ficar muito perto dos 40. Há até possibilidade de haver uma onda de calor regional em grande parte do litoral continua protegida por essa influência atlântica e do outro lado da fronteira, a Espanha vai ficar muito mais exposta vários dias acima dos 40, podendo chegar aos 44 em Córdoba já na sexta-feira. Depois esta massa de ar muito quente vai avançar sobre França e no início da próxima semana, atingir com força o sul da Alemanha e a região dos Alpes. Há uma preocupação que em Portugal, contudo, não vai desaparecer quando os termômetros baixarem, que é o perigo de incêndio, porque a vegetação está muito seca e esta terça-feira o vento vai ter rajadas de 45 a 50 km/h naquelas zonas mais expostas e, portanto, a coisa vai ficar difícil. E algum fumo dos grandes incêndios espanhóis também já nos está a chegar ao interior português, porque há uma circulação de leste e a qualidade do ar vai piorar em muito.
Espanha tem sido muito fustigada, Espanha e França, com estes incêndios. Tu falaste aí de uma crista anticiclônica, é isso que faz disparar os termômetros?
Sim, neste caso, concretamente, a culpa é dessa crista anticiclônica. Não é sempre ela, mas neste caso é. Uma crista, simplificando, é uma extensão, como se crescesse um rabo, é uma zona de altas pressões, que é aquelas que rodam assim muito bonitinhas. E nas altas pressões acontece uma coisa importante, que é o ar tender a descer. À medida que desce das camadas mais altas da atmosfera, encontra uma pressão cada vez maior, o ar é comprimido e quando vai comprimido é fácil, ele aquece. Chama-se aquecimento adiabático. Não é o sol que o está a aquecer, é a própria compressão que o aquece. À medida que o ar desce e aquece com esta compressão, a umidade relativa diminui e, portanto, não há nuvens. Isto é fácil. E menos nuvens significam mais radiação do sol ao chegar ao chão, ao solo, e o sol aquece durante horas o ar que está por cima. Portanto, é fácil, fica calor e faz este calorzão.
E é sempre assim?
Contam vários detalhes aqui. A posição da crista importa muito. Neste episódio que vamos ter agora, a configuração atmosférica favorece o transporte para a Península Ibérica de ar muito quente e seco, vindo do norte de África. Também pode ser vindo do interior da península. Neste caso, vem do norte de África e até traz, para variar, as nossas companheiras poeiras do Saara.
Que nós não gostamos nada.
Não, juntamos tudo. O ar desce e aquece, não há nuvens, há muito sol e há uma massa de ar que já à partida é muito quente. Assim que uma dorsal ou crista anticiclônica pode ajudar a levar os termômetros muito facilmente aos 40 ou em Espanha, eventualmente, aos 44. Há também uma outra ressalva, uma crista anticiclônica não significa automaticamente uma onda de calor, porque uma onda de calor precisa que as temperaturas ultrapassem durante vários dias certos limiares, portanto, estarem alguns graus acima.
Mas nós agora, sempre que vem um bocadinho mais de calor, falamos logo em vaga de calor.
Não, mas não é. Uma onda precisa de vários dias consecutivos com máximas acima da máxima daquela zona onde está a acontecer. É precisamente aí que Portugal e Espanha se vão separar desta vez, porque a influência do Atlântico cá vai interromper o calor extremo em grande parte de Portugal e em Espanha ele vai persistir tempo suficiente para ser uma onda de calor.
Filomena, vamos acabar este episódio com uma curiosidade, a falar sobre a forma da Terra.
Sim, porque imagino que tenhas visto, que o senhor Rafael também tenha visto, que muita gente tenha visto nos últimos dias, umas imagens muito estranhas que se espalharam pelas redes sociais, que é uma Terra cheia de altos e baixos, muito deformada, parecia uma batata.
A imagem da Terra segundo a NASA.
Exato, mas não. A Terra não tem aquela forma. Já sabíamos todos desde a escola, penso eu que não, é uma esfera perfeita, que a rotação faz com que seja achatada nos polos, mais larga no Equador. Mas vista do espaço, até é praticamente redonda.
Então e de onde é que apareceu aquele batatoide?
Aquele batatoide mostrado pela NASA. As imagens representam o geoide, que é uma forma calculada a partir do campo de gravidade terrestre. Como a massa não está toda distribuída exatamente da mesma maneira por todo o planeta, há montanhas, há vales, há rios, há oceanos, a gravidade também varia ligeiramente. Portanto, aquilo está a mostrar a gravidade. E é um pormenor fundamental. Naquelas imagens, as diferenças são exageradas, e muito, para conseguirmos vê-las. Portanto, não representam à escala a verdadeira forma do planeta. Portanto, ficamos assim. A Terra não é uma esfera perfeita, mas também não é aquela batata gigante que andou pelas redes sociais.
Filomena Martins, obrigado pela tua ajuda. Ajudas-nos sempre a compreender como é que, além do tempo, estas curiosidades também são sempre muito interessantes. Estás de regresso amanhã para uma nova edição. Até lá.
Até lá.