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Já com todos os debates televisivos terminados, temos mais um resultado da Tracking Poll da Pitagórica em cima da mesa. António, muito bom dia. O que nos mostram os mais recentes dados? Há novidades?

Olá, Carla, bom dia. Sim, temos aqui algumas novidades. Podemos dizer que a Aliança Democrática continua na frente das intenções de voto. No entanto, é importante dizer que registra aqui a sua primeira quebra desde o início desta série de sondagens diárias da Pitagórica. A coligação de centro-direita aparece nos últimos dados a descer para os 34,8%, depois de quatro dias consecutivos de subida. Todavia, estes últimos dados mostram-nos uma queda de um ponto percentual face ao dia anterior, o que não altera significativamente a vantagem que a AD, liderada por Luís Montenegro, mantém. Se somarmos os votos da AD com os da Iniciativa Liberal, que nos aparece com 6,8% das intenções de voto, podemos dizer que este bloco de centro-direita consegue alcançar 41,6%, ou seja, um valor superior àquele que o PS obteve quando conseguiu conquistar uma maioria absoluta em 2022. Todavia, esta hipotética coligação com a maioria absoluta parece-nos agora um bocadinho mais distante do que aquela que os dados das últimas sondagens diárias nos apresentavam. Quanto ao Partido Socialista, o que é que podemos dizer? Mantém-se como a segunda força política, aparecendo com 26,6% dos votos, registando uma queda face aos 27,5% registados no início destas sondagens diárias. É quase um ponto percentual abaixo, representando assim a segunda maior quebra entre os partidos com representação parlamentar. O Chega continua a consolidar-se na terceira posição, subindo discretamente mais 0,3 pontos percentuais em relação ao último dia. Mais à esquerda, temos algumas novidades. A esquerda mostra pequenos sinais de recuperação, com o Livre a subir para 3,8%, mantendo o quinto lugar. A CDU também cresce ligeiramente e chega aos 3,5% das intenções de voto. E o Bloco de Esquerda, ainda que seja uma força que tem vindo a mostrar algumas dificuldades, aparece nestes últimos dados com 2,3% das intenções de voto. Ainda assim, bem abaixo dos valores que teve nas últimas eleições legislativas. Já o PAN aparece mais no final da corrida, é a última das forças políticas e mantém-se abaixo da marca de um ponto percentual. Quanto ao número de indecisos, também gostaria de deixar aqui uma ligeira nota. Este número de indecisos caiu ligeiramente, são agora 18,4%, depois de ter atingido um valor de 19,8% na última sondagem.

Sim, António. Vá.

Uma última nota que me parece importante é que quando olhamos para os números da AD, vimos que não houve grandes variações por género, por idade ou mesmo por região. A grande novidade é que quando olhamos para as classes sociais, nota-se uma queda das intenções de voto entre os eleitores das classes baixa e média baixa, onde o PS acaba por ganhar terreno. Todavia, nas classes média e média alta, a AD continua à frente. E continuamos sem empate técnico, uma tendência que tem se vindo a mostrar já desde o início destas sondagens diárias, uma vez que a AD e PS estão separados por oito pontos percentuais.

Já são oito pontos, e portanto a AD a descolar. Ainda assim, António, ouvimos ainda no debate das rádios, na segunda-feira de manhã, Pedro Nuno Santos desvalorizar estas sondagens e a lembrar que há um ano elas apontavam para resultados que depois não se verificaram nas urnas. Este alerta faz-lhe algum sentido?

Sim, faz algum sentido. Estas declarações de Pedro Nuno Santos, a propósito da desvalorização das sondagens e remetendo para exemplos passados, podem ser analisadas sob diversos prismas. Por exemplo, desvalorizar as sondagens pode ser uma estratégia de campanha. O que é que Pedro Nuno Santos está a querer fazer com isto? Se Pedro Nuno Santos reconhecesse publicamente uma desvantagem nas sondagens, isso poderia desmotivar os eleitores socialistas. Por isso, minimizar os dados ajuda a manter o ânimo do eleitorado. E, por outro lado, é uma regra básica da propaganda política. Se as informações, se os dados não nos beneficiam, devemos evitá-los ou, na sua impossibilidade, minimizá-los. Por outro lado, as afirmações do líder socialista procuram passar a mensagem de que a verdadeira sondagem, Carla, é no dia das eleições, é o voto que nós depositamos nas urnas. Por outro lado, Pedro Nuno Santos, acredito que sabe perfeitamente que em momentos de fragmentação partidária, o voto útil é um instrumento, é uma arma poderosa. Por isso, ao relativizar os dados das sondagens, por um lado, está a tentar evitar que eleitores de centro-esquerda migrem para partidos menores, como o Bloco de Esquerda ou Livre e CDU, que têm vindo a mostrar algum crescimento discreto, caso os eleitores destes partidos considerem que o PS está fora da corrida para vencer, mas por outro lado, procura manter a ideia de que o PS ainda pode ganhar ou travar a direita, estimulando ao voto estratégico do eleitorado moderado. Ou seja, faz sentido, sim.

Faz sentido este piscar de olho ao eleitorado potencial. É assim, faz parte da mensagem. António Cipriano, muito obrigada. Vamos continuar a falar até ao dia das eleições. Até breve.

Muito obrigado, bom dia.