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Vamos já em direto ao encontro dos enviados especiais do Observador a Israel. João Porfírio, bom dia. A questão da segurança continuou a marcar a campanha eleitoral.

Muito bom dia. É verdade, o que é facto é que acabaram de abrir as urnas aqui em Israel, também um ponto bastante importante. As urnas vão ficar abertas até às 10 da noite, 8 da noite em Lisboa, e só aí é que iremos saber as primeiras projeções destas eleições. Mas como dizias, e bem, a segurança é muito importante, senão mesmo o ponto mais importante destas eleições, que são as primeiras eleições desde o 7 de outubro, as primeiras eleições desde o ataque de Israel ao Irão. Há aqui uma sensação de referendo a Benjamin Netanyahu. Não só estas eleições são importantes pra escolher, obviamente, um novo governo, um novo chefe de governo e um novo parlamento, naturalmente, mas sobretudo, muitas das pessoas com quem falamos consideram estas eleições como um referendo a Netanyahu. E por que esse referendo? Muitas destas pessoas acusam Netanyahu de ser o responsável político pelo ataque de 7 de outubro levado a cabo pelo Hamas e, sobretudo, pela escalada de violência que o país, Israel, neste caso, tem sofrido nos últimos anos. Só pra termos noção, Carla e Maria João, aqui em Israel, um pouco por todo o país, em Jerusalém e Tel Aviv, principalmente, nós estamos na rua, estamos a passear perto da praia, estamos a entrar num restaurante ou até num bar, onde normalmente pessoas muito jovens frequentam estes locais e praticamente todos os jovens a partir dos 18 anos têm consigo uma pistola de 9 mm ou uma metralhadora Kalashnikov. Imaginemos nós irmos passear à praia de Carcavelos ou irmos passear à Baixa de Lisboa e jovens de 18, 19 anos, 20 anos, de mão dada com os seus namorados ou com as suas namoradas e ao ombro Kalashnikov e/ou uma pistola de 9 mm. Nós falamos com uma associação aqui em Israel que afirma que o número de armas privadas aumentou mais de 220% desde 2023, ano em que ocorreu o ataque de 7 de outubro. E depois, obviamente, não nos podemos imiscuir de falar do ataque à grande escala que os Estados Unidos e Israel levaram a cabo contra o Irão. Israel vive sistematicamente numa pressão sobre se o Irão irá retaliar ou voltar aos ataques a este que é o país liderado por Benjamin Netanyahu. E depois, obviamente, a norte, temos a questão do Hezbollah, no Líbano, que é muito forte e que muitas das pessoas que vivem no norte de Israel foram obrigadas a abandonar as suas aldeias devido aos ataques do Hezbollah. Obviamente, também, muito rapidamente, a questão de Gaza continua, apesar dos holofotes midiáticos terem deixado de estar com tanta força depois daquele cessar-fogo mediado por Donald Trump, e que permitiu que os reféns fossem todos libertados. O que é certo é que os ataques continuam na Faixa de Gaza e há aqui uma grande pressão por parte do governo israelita de manter a Faixa de Gaza controlada por Israel e isso faz, obviamente, com que as pessoas que vivam em redor da Faixa de Gaza sintam bastante medo, porque é audível os bombardeamentos que ainda acontecem na Faixa de Gaza. E pra terminar, obviamente, a Cisjordânia. Neste momento, eu estou em Jerusalém, que fica a cerca de 3 km do checkpoint que nos permite entrar na Cisjordânia ocupada e há bem pouco tempo, há três dias, houve um ataque a militares israelitas na cidade de Hebron, militares israelitas que estavam a fazer um controle no checkpoint e que um carro com dois palestinianos chegou perto desse checkpoint e disparou vários tiros sobre esse checkpoint, matando dois militares israelitas. Obviamente que estes episódios que vão vitimando israelitas, mas obviamente também palestinianos, faz com que as pessoas aqui do lado israelita tenham medo daquilo que possa acontecer e medo constante daquilo que é a segurança do seu próprio país e a sua própria segurança. E portanto, pra terminar, obviamente que a segurança aqui em Israel é um tema premente e que vai marcar estas eleições. E só pra citar Gabi Ashkenazi, que no discurso de encerramento da sua campanha, que nós acompanhamos, ele disse: "Não há ninguém neste país que queira mais erradicar o Hamas do que eu. Eu perdi o meu filho às mãos do Hamas". Não só civis perdem a sua vida, como também militares e filhos de políticos no ativo. Ashkenazi perdeu o seu filho, que estava a combater na Faixa de Gaza, e Ashkenazi também aqui a usar a morte do seu filho como exemplo daquilo que quer ver como país, ou seja, um país mais seguro e a garantia de Ashkenazi de que quer erradicar totalmente o grupo Hamas.