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Relatório de jogo na Rádio Observador, 18ª jornada. Augusto Inácio, vamos aqui analisar a vitória do Benfica em casa do Rio Ave por duas bolas a zero, num jogo que teve um início fulgurante das Águias, um dos melhores, opinião quase unânime entre todos, um dos melhores inícios de primeira parte e primeiras partes do Benfica este ano no campeonato.

É verdade, depois do Benfica ter perdido duas competições numa semana, que foi a Taça da Liga e a Taça de Portugal, o Benfica teria que dar uma grande resposta hoje em Vila do Conde, porque estamos em janeiro e o Benfica ainda tem objetivos. Um dos objetivos que o Benfica tem, embora na minha opinião seja muito difícil chegar ao primeiro lugar, é chegar ao segundo lugar, que dá acesso às eliminatórias e aos playoffs pra chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões. Esse, para mim, deve ser o principal objetivo que o Benfica tem em mente neste momento. E o Benfica entrou muito determinado, com uma variante de Ake, Sheldon Rupp no lado esquerdo, Prestián no lado direito, Sudakov, enfim, a 10. Por detrás mesmo, não é vindo da esquerda pra dentro, é mesmo por trás do Pavlídis. O Benfica criou um jogo que eu, sinceramente, não estava à espera. Um jogo de grandíssima qualidade. Passe curto, envolvimento, dinâmica, cruzamento, remate, oportunidades. E o que é certo é que o Benfica, logo nos primeiros minutos, dizia ao que vinha.

E tu até disseste aos 15 minutos, quando já estava 1 x 0, depois do gol do Leandro Barreiro, que se aos 15 minutos tivessem dois, não seria de surpreender.

Sim, porque o Benfica criou essas oportunidades e realmente o Benfica não é normal, nas primeiras partes, ter esta qualidade ao ponto de muitas vezes nós dizermos que o Benfica deu uma parte de avanço. Normalmente, era as primeiras partes que o Benfica dava de avanço. Ora o Benfica não deu nada de avanço.

E o Rio Ave quase que chegou atrasado.

O Benfica sabia as forças que tinha e os desgastes desse jogo, que teve principalmente com o Porto na quarta-feira pra Taça de Portugal no Dragão, iria fazer mossa. Claro que não é no início que faz mossa, é em nível físico, eu referi-me a isso. Na segunda parte e durante o trajeto da segunda parte, isso provavelmente poderia acontecer. E aconteceu. O que é certo é que o Benfica, quando isso aconteceu, estava a ganhar por 2 x 0. E é assim que são as equipes grandes. Fazes o resultado e depois geres o esforço físico com as substituições que tens que fazer, mas não andas com aquela sofridão à procura do gol que tens que ganhar quando o resultado já está feito. O perigo aqui que o Benfica corria era se realmente relaxasse de tal maneira que o Rio Ave pudesse fazer um gol e pudesse pôr em causa ainda o resultado final. O Benfica esteve sempre seguro nesse sentido, o Rio Ave realmente não criou grandes oportunidades. É verdade que dividiu o jogo, mas o Mourinho tem razão. Na primeira parte, e eu também disse isto aqui no Observador, não é preciso o Mourinho estar a dizer, que eu também o disse aqui, que o Benfica podia estar a ganhar por mais do que dois gols de diferença na primeira parte, que era justo, porque o Benfica jogou pra isso mesmo. Por isso é uma vitória justa, boa, e que pode dar, por que não dizê-lo, uma outra confiança em relação àquilo que são os objetivos finais do Benfica.

E se por um lado fomos analisando a equipe do Rio Ave, notando que há um esquema defensivo que o Mourinho também conseguiu identificar, o esquema cinco defesas, que o Benfica conseguiu debelar por boa análise também de José Mourinho àquilo que é a equipe do Rio Ave.

Sim, mas o Mourinho sabe também, como o Benfica sabe, como qualquer clube grande sabe, que essas equipes consideradas mais pequenas, com todo respeito, normalmente quase todas elas jogam em 5-4-1. Depois é como é que vais desmontar esse sistema. E o que é certo é que, às vezes, demora-se tempo a entrar dentro dos espaços pra fazer gol. E a curiosidade disso é que o Benfica, nos primeiros minutos, criou ali algumas oportunidades, qual cinco defesas, qual quatro médios, qual um avançado, porque não havia realmente força suficiente pra travar a dinâmica e o ataque do Benfica, e só podes ter isso através de qualidade. E a qualidade o Benfica apresentou hoje, coisa que não tinha apresentado em outros jogos, sinceramente.

E ao longo da emissão fomos também destacando os papéis nas laterais de Dalot e de Aitor, que hoje tiveram um jogo com cariz um pouco diferente, porque estavam também apoiados na frente pelos respectivos extremos. Augusto.

Sim, isso é aquilo que o João Pinto aqui já disse e eu concordo plenamente. Muitas vezes era entrega, criatividade, o último passe, o último cruzamento, era sempre pelos laterais, porque o Benfica não tinha extremo, jogava com cinco médios, praticamente. Diria que eles ficaram com esse trabalho um pouco mais facilitado, dando lugar à criatividade do Sheldon Rupp, do Prestián, e depois apareceriam no ataque, naturalmente, no desenvolvimento do jogo, e depois dar a sua pincelada de qualidade também que têm nesse último passe e nesse último cruzamento. Tudo isto para dizer que é um Benfica com outra estrutura, mas acima de tudo, com o desenvolvimento do jogo, que facilita tudo e todos.

E falávamos da questão da gestão, mas mesmo apesar de ter gerido o jogo na segunda parte e ter gerido o resultado, não foi por isso que o Rio Ave conseguiu fazer face à equipe do Benfica. Talvez tenha equilibrado um pouco as coisas, talvez tenha protegido um pouco melhor a baliza. Não chegou, é certo, na segunda parte, muitas vezes, à baliza do Benfica. Sequer que alguma, porque na primeira parte ainda houve aquele remate ao poste, mas na segunda parte, de Rio Ave, na baliza do Benfica, muito pouco.

Sim, normalmente essas equipes como o Rio Ave, o que querem é espaços para desenvolver o seu jogo, correr e jogar em contra-ataque, como se costuma dizer. Ora o Benfica não correu o risco de perder ali bolas que desse a oportunidade a esse contra-ataque. É verdade, perdia a bola e os jogadores do Rio Ave trocavam a bola, mas a profundidade o Rio Ave nunca teve, porque o Benfica estava bem organizado.

E a verdade é que o Rio Ave chegou a marcar um gol, que depois foi anulado por fora de jogo, e foi um fora de jogo de sete centímetros. Dá para dizer que esteve a sete centímetros de conseguir fazer essa passagem pela defesa do Benfica a equipe do Rio Ave. Resta saber o que é que foi pra ti, na tua opinião, Augusto Inácio, nesta noite, no Estádio dos Arcos, o pior.

O pior, estás a começar pelo pior. Pois, eu sinceramente, acho que o pior é a falta, às vezes, de resposta de qualidade que as equipes adversárias, caso o Rio Ave, não teve perante a força que o Benfica imprimiu. E às vezes as equipes podem ser muito fortes, mas tu podes ter a tua qualidade de poderes chegares à frente e também incomodar a defesa do Benfica. Ora o Rio Ave, na primeira parte, não fez nada disso.

E resta saber o que é que foi o melhor na noite de hoje, neste encontro. Vitória do Benfica sobre o Rio Ave por 2 x 0.

Eu tenho que dar os parabéns a todos, aos jogadores, ao treinador, à estrutura toda, pela primeira parte, mas principalmente para os jogadores, claro. A primeira parte que o Benfica fez hoje, que é uma primeira parte, na minha opinião, de grandíssima qualidade, ao nível das melhores equipes.

Augusto Inácio, está escrito e entregue, e também vai ficar disponível no observador.pt e nas plataformas podcast, o relatório de jogo deste Rio Ave 0, Benfica 2. Um grande abraço, Augusto.

Um abraço.