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25ª jornada do campeonato, poderia ter sido uma jornada de muitas mudanças, mas depois do empate entre Sporting Braga e Braga, houve também hoje, no Estádio da Luz, Augusto Inácio, empate no clássico entre Benfica e Futebol Clube do Porto, também a duas bolas. E a história do encontro é uma primeira parte pro Porto, a segunda parte pro Benfica, embora o Porto, na segunda parte, pudesse também ter matado o jogo. Mas vamos primeiro analisar a primeira parte, em que o Futebol Clube do Porto foi dominador e entrou pra ganhar, quando a expectativa poderia ser de que tentasse gerir o jogo, talvez não dessa maneira.

Sim, acabamos de assistir a um bom jogo de futebol, com partes diferentes, é verdade. A atitude de ambas as equipes foi perfeita, foi uma pressão mais alta, quando se esperava que talvez uma ou outra equipe fizesse uma pressão não tão intensa assim, mas o que é certo é que as duas equipes entraram pra ganhar. Simplesmente, o Porto foi mais esclarecido, foi mais equipe. Aquele meio-campo do Porto supreendeu-se ao meio-campo do Benfica. Berrernache e Ricardo Rios não conseguiram realmente anular aquelas investidas, às vezes, do Porto, porque bastava um passe a rasgar o meio-campo que os dois ficavam batidos, ficava o jogador do Porto de frente pra defesa do Benfica. O Porto não criando, assim, grandes oportunidades. Naquela grande oportunidade que criou, marcou logo o gol. Foi realmente uma avenida com Otamendi a vir atrás do Danis Gol. Ficou o espaço aberto, o Varela meteu a bola no Farolt, percorreu metros, rematou, o guarda-redes não segurou a bola e na recarga o Farolt fez um a zero. Esperava-se uma reação do Benfica, mas uma boa organização defensiva do Porto, que não deu grandes possibilidades de o Benfica poder rematar. E quando podia rematar, acho que estavam sempre a pedir licença se podiam rematar ou não, por tal a falta de esclarecimento e tal a falta de destreza em relação ao arremate. O que é certo é que depois aparece outra vez o Benfica com muita ansiedade também a querer fazer o gol do empate o mais rapidamente possível. Deixou uma marca muito grande em que apareceu o Óscar Piotrzewski sozinho frente ao Otamendi e depois este menino de 17 anos fez uma-

Aquele se chama revienga

...uma magia, uma arte, de que realmente só está ao alcance daqueles que ainda não são grandíssimos jogadores, mas que estão naquele caminho, naquele trilho, que podem vir a ser grandes jogadores. Realmente, fez um grande gol. O Porto vai pro intervalo a ganhar dois a zero e a tarefa do Benfica ia ser muito complicada na segunda parte.

Muito complicada. E na segunda parte, o Futebol Clube do Porto até pareceu entrar com alguma vontade de matar o jogo. Creio que promoveu logo duas substituições na sua equipe, uma delas por motivos, como ouvimos, de gestão dos cartões amarelos, mas o Futebol Clube do Porto sempre tentar ligar esse estilo do jogo à resolução do jogo. Falhou muito na segunda parte e o Benfica foi ganhando elã, até que nos minutos finais dominou por completo e acabou por chegar aos dois gols.

Além da gestão dos cartões amarelos, também foi uma questão física, como disse o Fariol, do PP, que já tinha feito muitos minutos. E essas coisas, ele sabe o que é que vem a seguir, sabe que vem a Liga Europa, sabe que vêm os jogos do campeonato perigosos. E o Farioli não quer perder os jogadores por demasiada exposição física, porque podem perder esses jogadores. E repara, se perder esses jogadores duas ou três semanas, se calhar vão perder os melhores jogos da época, neste momento, para o Futebol Clube do Porto. E também foi essa a gestão. O que é certo é que o Futebol Clube do Porto, embora tivesse ali uma mistura de pressão alta com uma pressão mais baixa esperando o adversário, o que é certo é que a estratégia do Porto era realmente convidar o Benfica a invadir o seu meio-campo e depois aplicar a rapidez do Bórja Sainz e a rapidez do Evanilson. O que é certo é que o Porto conseguiu isso, mas depois não conseguiu materializar aquilo que era a sua ideia e a sua intenção. O Benfica deu muitos passos. Mourinho disse na conferência de imprensa que houve ali quatro, cinco, seis vezes campo aberto, como ele disse. E é verdade.

Farol também o disse na zona da conferência de imprensa.

Campo aberto e, nesse campo aberto, às vezes parece mais fácil fazer o gol é quando tu não consegues. Quando as coisas são mais difíceis, às vezes consegues fazer os gols. O Porto conseguiu fazer isso. O mais fácil, eles não conseguiam concretizar. E o que é certo é que o Benfica, esperava-se, enquanto não marcasse um gol, viu-se um Benfica desconectado, eu não digo amorfo, porque os jogadores não quisessem, mas o Benfica a ficar cada vez mais descrente que era possível conseguir dar a volta ao resultado. Mas lá apareceu o gol e essas coisas têm este efeito incrível.

E também o estádio, que diga-se de passagem, o Benfica jogou em casa e jogou também com o ambiente contra eles muitas vezes.

O estádio, até o Benfica não marcar o gol, também já contestava, já assoviava.

E de resto, esquecemos de falar aqui, mas que foi os vários momentos do jogo em que o jogo estava interrompido por causa de paralises, pitadas.

Estamos no lado negativo do jogo.

Vamos a isso.

Mas eu diria que o melhor que podia acontecer ao Benfica, e o pior que podia acontecer ao Porto, foi o Benfica ter marcado um gol. Shell Droup marcou o gol e aqui, claramente, há uma situação que acho que não foi muito bem coadunada estrategicamente pelo Futebol Clube do Porto, foi a entrada do Lukebakio, em que saiu o Martin Fernandes e entrou o Francisco Moura, e deixando ficar um contra um é sempre muito complicado Por outro lado, os jogadores têm que saber os jogadores com que vão enfrentar. O que eu quero dizer com isto? Que o Francisco Moura tem que perceber que está a jogar contra o Lukebakio e, estando jogando contra o Lukebakio, ele nunca pode dar o lado esquerdo para o Lukebakio poder ou rematar, ou assistir, ou cruzar. Tem que dar sempre ao pé direito. E depois, se o pé direito der gol, é outra coisa, mas aquele pé mais forte tem que ser anulado. E o Francisco Moura não conseguiu, a bola foi ao poste, na recarga o Sheldon fez o gol. E depois é aquela alma gigantesca de um estádio, um vulcão a apoiar a equipa. Uma outra equipa que poderia vacilar aqui ou acolá, mas que teve a oportunidade de fazer o 3 x 1, mais do que uma vez, não conseguiu. E depois o Benfica, o Leandro Barreiras entrou para isso, entrou para segurar o meio-campo e também para ser mais um médio a entrar na área de foco do Porto. E repara que os dois gols do Benfica que marca é precisamente no centro da defesa do foco do Porto. E o Barreiras apareceu ali e fez o 2 x 2. Acaba por ser, no meio disso tudo, um resultado justo. Por quê? Porque o Porto não soube aproveitar as suas oportunidades que teve de ter matado o jogo e o Benfica que acreditou que até o fim podia marcar o gol, e conseguiu. Por isso, aí está justificado o resultado, embora seja um sabor amargo para os dois. O Porto, porque teve dois gols de diferença e não conseguiu ganhar.

Porque precisava desta vitória para manter vivo.

Não encurtou a distância que tinha de foco do Porto, são sete pontos e continua a ser.

E a verdade é que José Mourinho, na sala de conferência de imprensa, acabou por ser rasgados elogios à equipa de foco do Porto, mais concretamente àquele músculo do meio-campo, e por ficar um pouco, não diretamente, mas acaba por subsaír daí uma crítica ao seu próprio plantel, ou pelo menos à gestão do seu próprio plantel, porque com a ausência de Ósfeld e também com as limitações de Barreiro, que só entrou perto do final do jogo, foi obrigado a jogar com Richard Rios e com Barranquero e Ché, que não deram conta do recado, Augusto Inácio.

Ele quis ser o mais sincero possível, e às vezes o mais sincero possível, mas quando se toca em nomes e quando se toca naquilo que é o jogo menos bom que o Benfica fez, pode ficar ali o jogador um bocado magoado pelo que o seu treinador expô-lo de uma forma que não era muito simpática. Mas eu entendo o que o Zé Mourinho queria fazer e quis dizer. Ele não disse mal do Richard Rios nem do Barranquero e Ché. O que ele disse é que para o tipo de jogo que o Porto faz, não eram esses os jogadores indicados para jogar naquela posição em que o Benfica mais necessitava, tanto do Ósfeld como do Leandro Barreiros. Mas às vezes as pessoas podem confundir aqui algumas coisas e pode ficar aqui alguma, entre aspas, azia dos jogadores.

E do lado de Farioli, foi questionado sobre uma jornalista, sobre aquilo que todos já nos vamos perguntando um pouco, acredito que até mais, neste caso, adeptos de Benfica e Sporting que tenham pretensões ainda de chegar ao primeiro lugar, sobre uma eventual descida do fantasma do ano passado para Farioli, que teve 10 pontos de vantagem na liderança do Ajax, do campeonato holandês, e acabou por perder essa vantagem nas últimas jornadas do campeonato, agora está na mesma posição. É normal que o treinador, mesmo que não admita perante as câmaras e perante as perguntas que está com esse nervosismo, é normal que esse fantasma vá aparecendo na cabeça de Farioli. Pode não afetar as decisões, mas é qualquer coisa que marcará, com certeza, o contexto da vida do treinador.

Esse fado eu já venho ouvindo desde o início da época. E não é preciso estar a chegar a esta altura. E ele todas as semanas está a levar sempre com esta pergunta, que aconteceu o ano passado, o que pode acontecer e por que pode acontecer. Enquanto não acabar o campeonato e ele não for campeão, vai sempre levar com esta pergunta. Eu diria que as coisas acontecem, mas claramente que as pessoas estão atentas e querem, entre aspas, provocar um bocado o treinador, porque é aquele que lidera o campeonato e que está à frente. Agora, tem esse estigma. Esse estigma está a ser presente enquanto não acabar o campeonato, porque se o Porto for campeão, esse estigma na próxima época já não se fala mais nisso. Enquanto o fantasma estiver aí vivo e com lençol branco, com dois olhinhos, parece que são pretinhos e que andam aí a pairar no ar, o Farioli vai ter que levar com esta missa.

Eu tenho certeza que se aparecer um fantasma branco, Farioli vai querer pôr-lhe umas riscas azuis e talvez aí se resolva a questão.

Provavelmente.

Para saber o que foi o pior hoje, na tua opinião, para além dessa interferência das bancadas com a visibilidade do jogo, houve mais alguma coisa?

Realmente, o pior é, mais uma vez, lá está o clube a estar em causa perante meia dúzia de gente que vai ao futebol. Eles não fizeram mal nenhum no sentido da violência, mas utilizaram pirotecnia que não é de acordo com aquilo.

Que é proibida. É proibida e considerada crime.

E o Benfica vai ser castigado por isso. O que é certo é que, curiosamente, eu estava uns poucos minutos da primeira parte.

E o Benfica entrou até mais ligado.

O Benfica estava mais ligado, estava bem, estava por cima do jogo naquela altura. E aparecendo aquelas tochas todas, só prejudicou o clube. O seu clube, o clube que eles apoiam, com aquelas tochas, prejudicaram o seu clube.

Foram os adeptos do Benfica que quebraram o ritmo da própria equipa.

Exatamente. E isso claramente que não beneficiou nada nem ninguém, só prejudicou o Benfica, na minha opinião. Claramente que a primeira parte do Benfica não foi muito bem conseguida. Aliás, o Mourinho também disse isso, que foi uma péssima primeira parte que o Benfica fez. E também as oportunidades que o Porto teve para marcar o terceiro gol e não o fazendo, sujeitou-se a isso, mas claramente que o Porto também, nesse sentido, não esteve nada bem.

E no sentido contrário, o que foi o melhor nesta noite da Luz? Acredito que qualquer coisa que nos remeta para a intensidade até o final que vivemos este jogo.

Para mim, o melhor de todo o jogo, de tudo o que aconteceu antes e depois do jogo, foi a atitude do Bernardeschi chamar o árbitro para assistir a um espectador que estava na bancada, e acho que era espectador do Benfica. Mais valor tem, porque primeiro está às vidas e depois é que está o jogo.

Se não houvesse vidas humanas, não havia curso de futebol.

Exato. E o Bernardeschi teve uma atitude realmente de grande senhor e acho que isso deve ser realçado. A primeira parte do Porto, que é excelente em termos de organização, de atitude, de clareza, de ideias, dos gols. E claramente que o expoente máximo é realmente o gol do Óscar Piatowski, porque realmente menino de 17 anos enfrentar uma fera como o Otamendi e driblou-o de uma maneira e depois ainda por cima faz o gol, é realmente o ponto máximo e alto de um grande jogo de futebol.

E de resto, foi o jogador mais jovem de sempre a marcar pelo foco do Porto, apenas ultrapassado por um outro nome que remete ao ano de 1937. Portanto, é uma vitória moderna para o Óscar Piatowski.

É verdade.

Augusto Inácio, está feito a entrega deste relatório de jogo. Benfica 2, Futebol Clube do Porto também 2, da 25ª jornada do campeonato. Um grande abraço e até à próxima.

Um abraço.