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"Ideias Feitas" com o Alberto Gonçalves. Boa tarde, Alberto. Hoje queres nos falar sobre o espetáculo de Jerry Seinfeld em Lisboa.
Quero, sim senhor. Boa tarde. Começo por informar que assisti ao dito espetáculo ontem. E a minha presença não tem absolutamente importância nenhuma, mas talvez seja importante lembrar que o Jerry Seinfeld foi coautor e figura principal da mais, julgo eu, acho que nem se está muito aberto à discussão, da mais influente comédia televisiva da história e que é dos maiores praticantes da arte do stand-up. Eu gosto da ideia de stand-up comedy, mas por acaso até me deparo com o obstáculo de conhecer pouquíssimos comediantes do gênero que são capazes de me fazer rir. Será defeito deles ou defeito meu? Provavelmente meu. Agora, entre os muito antigos, dos que me fazem rir ou faziam rir, mas os vídeos estão aí disponíveis, ocorre-me o Don Rickles, que já morreu, velhinho, depois o Woody Allen antes de se virar para o cinema, de se tornar realizador, e mais tarde o Eddie Murphy dos primórdios, quando ainda tinha 19, 20 anos. Mais recentemente, o grande e também já falecido, Norm MacDonald, e às vezes o Ricky Gervais tem piada. E entre estes, ponho ao nível destes, sem dúvida, o Jerry Seinfeld, que para mim é um dos maiores, e só por isso a sua vinda a Lisboa seria um acontecimento. Sucede que a vinda do Seinfeld a Lisboa foi um acontecimento ainda antes de ter acontecido, apenas porque ele não costuma ter opinião sobre o Médio Oriente, sobre Israel e sobre a Palestina. Aqui a esquerda, e alguma direita, é preciso dizê-lo, acham que é obrigatório ter. À conta disso, houve comediantes de quem nunca ninguém ouviu falar, que em protesto decidiram sair do festival, não participar no festival de que o Jerry Seinfeld foi cabeça de cartaz. E à conta disso, ontem o pavilhão onde se realizou o espetáculo tinha, infelizmente, um aparato securitário similar ao de um aeroporto, ou maior ainda, e provocou filas imensas. Aquilo demorou bastante, as pessoas demoraram bastante a entrar, e provocou também a sensação de que nunca um artista com posições extremistas e contrárias às de Seinfeld tenha implicado ou implicará alguma vez um aparato semelhante. Pode vir um cançonetista, ou um comediante, ou outra coisa qualquer que defenda sei lá o quê, terroristas de regimes ditatoriais, e de certeza que pode atuar em Lisboa ou onde quiser, sem que o evento seja considerado de risco. Agora, defender uma democracia como Israel, pelos vistos, ou pode inspirar atentados ou proezas. Felizmente não aconteceu nada. Pode inspirar atentados ou proezas parecidas, pelo menos o receio era esse, e o mundo está mesmo muito estranho. Agora, quanto ao espetáculo propriamente dito, não me vou alongar, não vou fazer crítica de stand-up comedy, mas o espetáculo foi muitíssimo bom, melhor do que eu estava à espera e bem melhor do que o recente especial que o Seinfeld tinha feito. Acho que foi pra Netflix, há uns dois, três, quatro anos, não sei. E mais próximo daquele repertório excelente que ele tinha na altura em que a série acabou, em 98, 99 ou 2000. Ele falou sobre telemóveis, casamento, férias, golfe e, como quase só ele sabe, apanhou o lado absurdo destes temas todos. Não falou do Médio Oriente e, melhor ainda, o público também não. Mesmo na parte final, é habitual nos seus espetáculos já antigos, o Seinfeld costuma abrir o programa às perguntas da audiência e num pavilhão praticamente cheio, houve uma série de gente que fez algumas perguntas, mas não houve uma única alminha que tivesse tocado em assuntos ditos polêmicos. Provavelmente, os autodesignados antissionistas estavam todos no Rossio a fingir que reclamam contra os problemas da habitação e, de facto, a empunhar cartazes em que apelam a uma intifada global. Seinfeld ignorou-os por completo e fez ali uma minúscula e muito discreta referência aos alegados comediantes que, coitados, tentaram boicotar o espetáculo, mas foi apenas isso. E se calhar, para terminar, talvez possamos aprender alguma coisa com Jerry Seinfeld, porque se calhar ignorar essa gente que está acampada no Rossio ou que intermitentemente acampa no Rossio e na Praça Dom João I, no Porto, se calhar ignorá-los é o melhor remédio. Já se percebeu que o governo e as autoridades oscilam entre a força e o diálogo, o que é um sinal de hesitação óbvia e é um meio-termo que uns dias remove os campistas do espaço público, outros dias permite que os campistas regressem às praças. Eu começo a achar que a solução passa mesmo por não lhes prestar atenção e deixá-los, com prejuízo dos pobres habitantes ali da zona, mas deixá-los ficar a habitar em tendas pelo tempo que quiserem e a berrar para o vazio. Convinha que, além da polícia, os mídia obedecessem às diretivas que emanam das assembleias populares, que já afirmaram poder decidir se admitem ou não admitem ali repórteres, e que os mídia deixem os campistas falar sozinhos. O Jerry Seinfeld também fala sozinho, mas há em Portugal milhares de pessoas a pagar um dinheirão para o ouvir. E deve haver milhões de portugueses que pagariam ainda mais para não ouvir os campistas.
Alberto Gonçalves, regressas amanhã. Hoje é desfazer novamente as ideias feitas. Até amanhã.
Até amanhã.
Benfica-Alverca. As Águias recebem os ribatejanos no Estádio da Luz. Esta segunda-feira, a partir das 8 da noite. Emissão especial com relato em direto do Benfica-Alverca.
As emoções do campeonato jogam-se na Rádio Observador.
Emissão especial que arranca daqui a menos de uma hora, quando faltarem 10 minutos para as 8 p.m., com o relato em direto do Miguel Cordeiro, comentários do Luís Francisco, do João Pinto e do Pedro Henriques, numa emissão sempre bem conduzida pelo Vicente Figueira, para acompanhar este Benfica-Alverca. Um pouco antes, aliás, da hora das 8 p.m. Agora sim, por falar em jornais, é já daqui a pouco com o Luís Soares.
"Pop Up", o vosso encontro semanal com estes provocadores do mundo da cultura popular, Maria Ramos Silva, Bruno Vieira Amaral e Pedro Buchinho Mendes. Às quintas-feiras, depois das 2 p.m., na Rádio Observador e sempre em podcast. Este programa tem o apoio da FNAC. Cultive a diferença. O novo Audi Q3 foi desenhado para o futuro, desenhado para a performance, desenhado para a vida. E depois de desenhado para tanto, passou a desejado por muitos. Conheça o novo Audi Q3 com até 120 km de autonomia em modo 100% elétrico. Audi, na vanguarda da técnica. São portugueses, vivem nos Estados Unidos e têm vidas extraordinárias. No podcast "Capitães na América", João Paulo Secadura dá voz a histórias de sucesso. Sextas-feiras, pelas 8 p.m., na rádio, em observador.pt e nas plataformas de podcast. Uma parceria do Observador com a FLAD, Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento.
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São 6:59 a.m. Já a seguir atualizamos as notícias com o Luís Soares.