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Relatório de jogo com Augusto Inácio. Vamos falar do Stuttgart da Futebol Clube do Porto, encontro da Liga Europa, oitavos de final, primeira mão, que terminou com vitória portista por 2 x 1. Futebol Clube do Porto que marcou através de Mufi e também de Rodrigo Mora. Um Dav reduziu para o Stuttgart. Gols todos na primeira parte, uma segunda parte carregada de jogo mais físico, mais potente, à procura o Stuttgart de conseguir restabelecer a igualdade. Augusto Inácio, seja muito bem-vindo. Quais são as notas mais relevantes que tiras desta vitória portista na Alemanha?
Para já, nota bastante positiva para o Futebol Clube do Porto, que consegue ganhar num terreno de uma equipa adversária que joga na Alemanha, na Bundesliga. Isso é sempre assinalável, uma vitória na Alemanha. Diria que o Futebol Clube do Porto conseguiu aquilo que queria. Conseguiu ganhar o jogo e poupar os jogadores para aquilo que é a sua luta titânica pelo campeonato nacional. Só jogaram três jogadores daqueles normalmente titulares, foi o Diogo Costa, o Vítor Nárque e o Roberto Costa. Tudo o resto, o Fariol mudou tudo. E o que é certo é que o Porto entrou nos primeiros cinco minutos deste jogo algo desconcentrado. Eu diria que o Stuttgart teve duas aproximações muito perigosas, que poderiam, não digo que fossem grandes oportunidades, mas tiveram espaço para isso. O que é certo é que o Porto equilibrou e quando equilibrou, e depois do remate do William Gomes à trave, o Porto ganhou uma dimensão no jogo que antes não tinha apresentado, ao ponto de depois de Mufi ter marcado um golo e depois uma excelente antecipação do Zaidu e um excelente cruzamento passe para o Rodrigo Mora fazer o 2 x 0. O Porto estava muito confortável no jogo, estava senhor do jogo e o Stuttgart não apresentava realmente soluções para poder incomodar o Diogo Costa. Só que nos últimos 10 minutos desse primeiro tempo, os jogadores do Futebol Clube do Porto, como se costuma dizer na gíria futebolística, começaram a inventar. Deixaram de jogar como equipa, deixaram de passar a bola uns aos outros.
O que é que acontece, Augusto?
Eu não sei o que se passou. Se fosse no meu tempo, eu não gosto muito de falar nisso, parece que já estou no museu, mas se fosse no meu tempo, um jogador que fizesse aquilo era logo insultado pelos próprios colegas para não tornarem a fazer aquilo. Aquilo pega-se, é uma doença que se pega e pegou no Fofana, pegou no Pablo Rosário e depois o Porto permitiu que o Stuttgart voltasse ao jogo, através de um lance em que o Fofana podia ter tirado a bola, Rodrigo Mora podia ter tirado a bola, não tiro eu, não tiras tu, e acabou por ser o gol do Stuttgart, o que deixou algumas dúvidas para a segunda parte. Na segunda parte, o Stuttgart continuou como foi a primeira parte, os primeiros cinco minutos muito bons, só que o foco do Porto, à medida que o tempo foi avançando, foi refrescando a equipa, porque havia jogadores muito desgastados. Mufi deu tudo o que tinha, Fofana deu tudo o que tinha, Borges Santos acho que também deu tudo o que tinha.
Foi muito físico este jogo na Alemanha.
É sempre, corre-se muito. E eu disse cá para comigo, o Futebol Clube do Porto vai aproveitar os espaços que o Stuttgart está a dar, porque a qualidade e a frescura dos jogadores que entraram iam marcar a diferença. O que é certo é que estes minutos finais, talvez 15 minutos da parte final, fez lembrar o jogo no Estádio da Luz, em que o Porto tinha campo aberto para poder realmente marcar a diferença e nunca o conseguiu. Mas ficou a solidez defensiva mais apertada, mais unida, mais junta. Essa parte foi bem conseguida, a outra parte não foi e o Porto acaba por fazer um excelente resultado no Stuttgart, que lhe permite ter muitas e boas hipóteses de passar à fase seguinte.
É um Futebol Clube do Porto bastante organizado, ainda assim, não conseguiu manter o controle de jogo no meio-campo. Consegue explicar-nos o porquê, Augusto Inácio? É mérito da pressão da equipa alemã?
Tem a ver com as substituições também que o treinador do Stuttgart fez, muito mais gente no meio-campo pressionando muito mais. O Futebol Clube do Porto realmente tentou defender o melhor possível e defendeu bem, mas só que faltou a outra parte. E a outra parte para mim é muito importante no futebol: quando o adversário já está a dar tudo por tudo, já praticamente não tem organização defensiva nenhuma, já está a jogar, não digo com o coração em vez da cabeça, mas de uma forma em que deu e permitiu muitos espaços, aí o Porto falha claramente, porque não soube aproveitar os espaços que a equipa deu, mas é natural que essa pressão tivesse sido feita pelos jogadores do Stuttgart.
O gol anulado ao Stuttgart, sentes que foi aviso para a equipa de Francesco Farioli? Escutado, entenda-se.
Houve outros lances também de cruzamentos perigosos que houve ali, mas que felizmente não trouxeram nada de negativo para o Futebol Clube do Porto. Aquele foi mais um lance, foi um livre lateral em que o Diogo Marques estava fora de jogo. Mas se me dissesses assim: "Mas esperavas um gol do Stuttgart naqueles momentos?" Podia acontecer. Mas também podia acontecer o gol do Porto, se soubesse aproveitar esse espaço. Por isso, olha, estão uns para os outros.
Augusto, vamos destacar aqui um pouco as exibições mais particulares. Tivemos Zaidu na esquerda, muito massacrado, levou muita pancada. Ainda assim, acaba por fazer um jogo bastante positivo. Este Zaidu é um jogador que é útil no plantel do Futebol Clube do Porto e se Francesco Farioli não pode ter pensado ao ver este jogo de Zaidu, se calhar no clássico tinha dado jeito.
Provavelmente, tens razão. Eu acho que o Zaidu, pelo momento que está a passar, teve muito tempo sem jogar na equipa principal do Porto. Quando entra, faz um bom jogo. E depois, no outro jogo a seguir, ele também joga bem. Quando chegas ao Estádio da Luz e ele é convocado e vai para a bancada Eu penso que o Francisco Moura deve estar num excelente momento. Mas o que é certo é que depois daquele penalti no derradeiro, no último minuto, em que o Sporting empatou, quando entrou no Estádio da Luz, o Francisco Moura notou-se que estava com muita falta de confiança e naturalmente que ele não joga hoje, precisamente porque o Zaidu está mais confiante do que o Francisco Moura.
Há mais dois jogadores que eu gostava de isolar, Augusto Inácio. Um é Fofana, é um médio que o Futebol Clube do Porto tem aqui um verdadeiro achado, tendo em conta a qualidade-preço que conseguiu no mercado. E o segundo é Deniz Gül, o avançado turco que estava muito escorregadio.
Em relação ao Fofana, ele só vem para o Futebol Clube do Porto porque o Farioli o conhece, porque não foi o Porto que o descobriu. Foram indicações do Fofana que queria esse jogador, assim como o Porto também não tinha possibilidades financeiras de contratar mais um ponta de lança depois da lesão do Luca De Jong e do Samu, que o Mufi é também um achado. Digo um achado, porque foi ele que indicou esse jogador ao Futebol Clube do Porto e que pode dar muito jeito à equipa. Só que se nota que o Mufi, por exemplo, está com pouca mobilidade, tem pouca resistência, é um jogador ainda para ser trabalhado a esses níveis, mas o que pode dar, dá, e hoje marcou um gol que foi bastante importante.
Augusto Inácio, vamos ao melhor e ao pior. A começar pelo melhor, o que há de melhor a retirar deste encontro?
O melhor do Futebol Clube do Porto acaba por ser a reação àqueles primeiros cinco minutos do Estugarda, em que o Porto se impôs de uma forma que ninguém esperava, que era dominar o jogo, marcar dois gols. Esse foi o melhor período do Futebol Clube do Porto e depois, na parte final da segunda parte, a união e a coesão defensiva, não é da defesa só, é da equipa toda, que se mostrou muito sólida.
E o pior?
O não aproveitamento dos espaços que o Estugarda estava a dar para o Porto poder atacar a sua baliza. O Porto faltou-lhe criatividade, faltou-lhe decisão, faltou-lhe o último passe. Não digo esclarecimento, porque esclarecimento os jogadores do Porto acho que poderiam ter fornecido melhor, mas diria que o Porto fica um amargo de boca, embora o Porto tivesse ganho o jogo na Alemanha, fica um amargo de boca, que o Porto teria ganho por mais.
Está feito o relatório de jogo do Estugarda Futebol Clube do Porto, vitória portista por 2 x 1, hoje com o Augusto Inácio.