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O cheiro do plástico queimado dos contentores do lixo mistura-se com o dos carros que arderam. É o resultado dos desacatos que atingiram vários bairros nos arredores de Lisboa, na sequência da morte de Odair Moniz. Um cenário que deu os bons dias aos moradores da Portela de Carnaxide, Cova da Moura e Casal da Mira.
Eles têm as razões deles.
Quais são as razões deles?
É o racismo.
Toda a gente sabe o que se passou, foi mais uma retaliação que eles fizeram.
Viu este carro a ser incendiado?
Não, já estava incendiado quando a gente viu.
Houve muita confusão, a polícia esteve cá?
Não, nem quiseram entrar no bairro.
Estavam lá em cima, nem se mexeram lá de cima cá para baixo.
Quando viam as pessoas a vir a pé, até diziam para ir a pé tranquilamente, que não se passava nada. Eles não queriam saber, sinceramente, do bairro.
Já no bairro dos Ambojal, os amigos de Odair Moniz pedem justiça.
Eu não digo punir o agente que o atingiu a 100%, porque acho que não se paga uma vida retirando outra. Já nada vai trazer o nosso Tá, que é a realidade. Mas que sejam apurados fatos verídicos e que realmente imponham a verdade, porque a imagem que estão a fazer do Tá não corresponde à verdade.
O que é que, na sua opinião, está na base disto tudo?
Isto basta pelo juramento que eles fazem pela farda que têm. O juramento não diz que eles têm que entrar aqui na violência, porque a única ligação que eles têm perante a comunidade no bairro social é a violência. Entram, olham para um morador: "Estás a olhar?" Começam a batecar. Batecar é bater, peço desculpa pela minha expressão. Passamos, normalmente com a viatura, legais, param a viatura, revistam o carro sem mandado, fazem coisas que não lhes compete completamente. É incrível.
Testemunhos dados ao lado de um autocarro que ardeu e de um contentor de lixo queimado, de onde ainda sai fumo