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Gabinete diretor receção.
Esta vai ser uma das últimas visitas que Álvaro Silva vai fazer ao pai no Lar Mansão de Santa Maria de Marvila, em Lisboa.
Sim, boa tarde.
Boa tarde. É o senhor Carlos?
É, sim.
É o filho do senhor Firmino Silva. Estou aqui, sou o Carlos.
Eu vou abrir também.
Muito obrigado. Firmino Silva, o pai de Álvaro Silva, está aqui há quase dois anos, mas sabe que não vai continuar.
Com 92 anos, numa ansiedade enorme e ainda por cima com a agravante da minha mãe estar internada e ele não saber o que se está a passar.
A ansiedade surge porque a Mansão de Santa Maria de Marvila vai fechar.
Tenho uma pequena esperança que a Segurança Social tome conta disto. Se houvesse boa vontade de ambas as partes, eu penso que sim, porque isto tem boas condições. Precisa de uns pequenos arranjos, porque isto é lindíssimo lá por dentro.
Os pequenos arranjos de que fala a Alice Fernandes devem custar €7 milhões, de acordo com o que avança a fundação que gere o lar à Rádio Observador. Acabada de chegar para a troca de turno, a funcionária do lar, há mais de três anos, diz ao Observador que acredita num entendimento de última hora entre a Fundação Dom Pedro IV e a Segurança Social. A dona do edifício recusa-se a fazer as obras que podiam permitir a continuidade dos 140 idosos que aqui moram.
Eu não tenho razão de queixar. Pelo contrário, estou a louvar todas as entidades desta fundação, pelo menos as que eu tive contato. Não entendo, não consigo entender porque a Segurança Social falhou com a fundação. Não consigo entender.
Idália Plácido é filha de outra utente que está na mansão há três anos.
Não sei como é que a minha mãe vai reagir. Estou nervosíssima por isso. Vou hoje buscá-la, que ela é recém-operada, vou buscá-la e vou levá-la diretamente pra outro lar. Não sei como é que ela vai reagir.
A mãe de Idália já sabe pra onde vai ser transferida, mas ainda há muitos idosos que não sabem onde vão morar no futuro.
Atenção com este patrimônio. O que é que vão fazer dele? Ao abandono, será o mais certo, ou à venda, que é triste. Tem aqui azulejos, tem aqui arte de um valor inegável, mas que não seja um valor artístico, cultural e histórico. Lamento que isto esteja a acontecer.