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No discurso que é de despedida, Catarina Martins disse olá ao futuro.
Ao fazer agora esta última intervenção como coordenadora do Bloco de Esquerda, não ouçam uma despedida. Termina o mandato, continuo a caminhar aqui, como sempre, e se olho este percurso, muito mais do que um balanço, estou a fazer um balanço para o futuro.
Depois de deixar a porta totalmente aberta para continuar a fazer parte da linha da frente, as contas com o passado.
Foi em nome dessa coerência que promovemos e assinamos os acordos da Geringonça, que ajudamos a salvar o país da direita e não nos submetemos nunca à ideia peregrina de que bastaria um acordo de cavalheiros para um compromisso de medidas.
E a garantia de que hoje, mesmo com estes resultados eleitorais, o Bloco faria o mesmo.
Respeitamos quem tinha votado no Bloco e que por medo da direita ou por preferir uma maioria absoluta, apoiou o PS há um ano. Mas faremos sempre o mesmo quando nos disserem para escolher entre uma conveniência partidária e o cuidado que a democracia deve ao Serviço Nacional de Saúde ou ao direito de quem trabalha. Escolhemos e escolheremos a coerência.
Já no tiro ao PS, a crítica à maioria absoluta que António Costa conquistou.
Agora não sabe o que é que há de fazer com a sua vitória e é consumido pela pior das situações. O governo pouco faz e não tem desculpa nenhuma. Pediu todo o poder para uma maioria absoluta e num ano e meio desbaratou a confiança de boa parte dos seus eleitores.
Para Catarina Martins, o governo é o único culpado pelos erros e isso faz crescer o populismo.
Não foram o Covid e a guerra que criaram as dificuldades atuais. Não foi nenhuma oposição que criou qualquer dos problemas que os ministros inventam. São todos autoinfligidos e a arrogância só os amplifica. E é assim que se entretém uma degradação da vida pública em que o PS se tornou o padrasto de todo o populismo.
Na despedida, Catarina Martins critica o PS por estar a dar palco ao extremismo e ultrapassada a Geringonça, volta a colar Costa à direita.
O PS, com maioria absoluta, achou que chegara o seu momento cavaquista. Não foi porque a negociação lhes tirava horas de sono que o PS recusou qualquer entendimento com a esquerda. Foi mesmo porque quis uma política no avesso da esquerda.
Catarina Martins, na despedida da liderança, mas com a garantia de que vai estar por aqui.
Obrigada pelo tempo que vamos começar agora, como sempre, lado a lado. Obrigada.