Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

É um certo abandono, porque tenho muitos amigos que estão fora, que ganham concursos e lá fora são super reconhecidos. E realmente estamos aqui no nosso país e parece que só quando fazemos concertos é que é bonito, só quando ganhamos concursos é que somos do país e isso deixa-nos um bocado tristes. E ver que isto não tem só a ver com o nosso valor pessoal, mas com o valor da cultura a nível nacional.

Abandonados. É assim que Margarida Mercês, do Conservatório de Música, descreve o sentimento geral dos alunos. As obras já deviam estar prontas, mas na melhor das hipóteses, recomeçarão no final deste ano. Ana Mafalda Pernão é professora no Conservatório de Música e diz-nos que o arrastar da situação está a perturbar a formação pessoal e artística dos alunos. Alunos que foram transferidos provisoriamente para um espaço na Secundária Marquês de Pombal, em Lisboa.

Tem um peso na formação dos próprios alunos, que num espaço que não é nosso, que está emprestado, que foi feito à pressa para conseguirmos ter um espaço para onde ir, mas que não está adequado a todas as nossas necessidades, nunca é bom, nem pedagogicamente, nem mesmo moralmente, para o desenvolvimento do ser músico que nós queremos. Portanto, nós estamos numa escola que teve umas divisórias para se poder trabalhar, mas essas divisórias não têm luz, a maior parte delas, não têm uma boa ventilação, não têm janela, ouve-se de uns lados para os outros.

A vida na Escola Artística de Dança do Conservatório Nacional também não anda melhor. Horários de 12 horas, das 08h às 20h, em quatro edifícios espalhados por Lisboa. Esta foi a solução encontrada para o ano letivo que agora termina, mas que poderá manter-se nos próximos anos. O diretor da Escola de Dança, Paulo Ferreira, lamenta e diz que assim foi e assim deverá continuar a ser.

A situação vai manter-se. Nós continuamos com a Parque Escolar a tentar encontrar soluções alternativas, porque tivemos que fazer alteração aos horários, tivemos que passar a ter transporte escolar entre o edifício sede na Rua João Pereira de Rosa e a Rua de Campolide, e tivemos que passar a ter também horários diferentes e uma gestão diferente de horários por causa de estarmos divididos por quatro edifícios.

Mas afinal, o que aconteceu a esta obra? Ao Observador, várias pessoas denunciam que se optou pela via mais barata e no final, o barato sai caro. No arranque deste processo, o concurso público para a obra não teve concorrentes. O preço era demasiado baixo, foi o que nos explicaram os responsáveis pelos conservatórios de música e de dança. A obra acabou por ser adjudicada à Tomás Oliveira, que se encontrava em pré-falência e que, de acordo com a Parque Escolar, se mostrou incapaz de executar os trabalhos desde o primeiro dia. A construtora contactada pelo Observador não quis prestar declarações. O edifício histórico no Bairro Alto, mesmo no coração de Lisboa, está fechado há dois anos e os encargos continuam a crescer. Numa hipótese otimista, a obra só deverá ser retomada no final deste ano, atirando o regresso dos alunos para o início de 2023. Lilian Kopke, diretora do Conservatório de Música, diz que a situação provisória se vai arrastar por cinco anos e pede melhorias.

Nós estamos também negociando com o Ministério da Educação uma melhoria nas salas que nós ocupamos aqui, em especial um aumento do número de salas, porque nós estamos muito apertados. Era uma situação provisória, mas não é nada provisório. Nós já estamos aqui há dois anos e vamos ficar mais três, são cinco anos.

Na Rua dos Caetanos, em pleno Bairro Alto, já não se veem crianças em maiô de ballet, nem se ouvem os ensaios e os exercícios para chegar àquela nota difícil. Resta o silêncio. Se tudo correr bem, as obras recomeçam no final deste ano.