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E quando sentes a mão da pessoa que está do teu lado direito, procura sentir exatamente essa união, o calor. E quando sentes a pessoa que está do teu lado esquerdo, sente também o quão é bom estarmos unidos.

Leituras, cantigas e uma mensagem de união. A certa altura, todos foram desafiados a dar as mãos e cumpriram. Já as diretrizes da Direção Geral da Saúde, essas ficaram por cumprir. Não houve distanciamento físico, nem máscaras na cara, mesmo com a polícia bem perto, máscaras nem vê-las, só então ficavam no pescoço. O António apareceu com uma t-shirt onde se lia "Pela verdade" e pedia o fim da ditadura. Diz que é livre de não usar máscara.

Uma coisa quando é boa, não se insiste com ela. Eu sou livre e como sou livre, não admito que alguém no meu corpo ou na minha vida ou na minha família mande alguma coisa.

E se o obrigarem a pô-la, promete que não fica calado.

Até agora não admito é que uma pessoa com máscara me obrigue a mim a pôr máscara, que eu também não diga à pessoa: "Olha, tira a máscara, porque você está me incomodando com a máscara". Pois é, a gente tem que respeitar a opinião de cada um e a vida de cada um.

Mas vai mais longe duvida do vírus ao ponto de levar uma vida normal de há um ano pra cá, até na relação com a mãe idosa. Não mudou nada.

Normal, sempre sem máscara, sempre, de há um ano pra cá. E vou ao pé da minha mãe, que tem 92 anos, beijo-a sem máscara, sempre assim. E a minha mãe é uma pessoa que é dos pés à cabeça doente, é preciso ver. E nunca lhe peguei nada e a minha mãe, se tivesse perninhas pra andar, se não tivesse a idade que tem, os problemas que está dependente, até, ela estaria aqui. É uma mulher corajosa, sempre foi. E deu-me essa coragem.

Em nome da liberdade. Foi por isso que António foi ao Rossio juntar-se a este protesto. Não é uma ideia diferente da que tem Pedro, também sem máscara, acredita que o caminho não é a imposição das medidas restritivas.

Eu estou aqui, em primeiro lugar, numa questão de fazer manifestar os meus direitos ao livre-arbítrio, de poder, por exemplo, sair quando eu quero, usar máscara quando eu quero, acima de tudo, aconselhar e não obrigar.

Ao contrário de António, Pedro chegou a acreditar na gravidade do vírus. Nos primeiros meses teve cuidados, mas depois começou a pensar diferente.

Sei lá, em março, há um ano atrás, em março de 2020, todos sentimos medo ou tivemos algum receio e não sabíamos o que é que estava a acontecer. Mas eu acho que ao fim de um, dois meses, achei que havia um medo infundado, que havia mais qualquer coisa pra além do problema de saúde, digamos assim.

Das muitas centenas de pessoas presentes no Rossio, algumas negam que o vírus exista, outras pedem apenas que se normalize a doença e se retomem as liberdades que se perderam de há um ano pra cá. Apesar de estarem presentes movimentos mais fundamentalistas, não houve qualquer confronto a registar. Foi, sobretudo, pacífico este protesto.

Convido-te agora a libertar as mãos, tanto do lado direito como do lado esquerdo, e levar ambas as mãos ao teu coração.