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Mais um episódio do Mundo IA, o jornal diário da Rádio Observador sobre inteligência artificial. O episódio de hoje tem edição da Teresa Freire. E Teresa, a OpenAI voltou a alterar as regras do ChatGPT. A gigante tecnológica lançou um novo conjunto de diretrizes que muda a forma como a inteligência artificial interage conosco.
Em causa está uma reformulação do modelo Spec, o documento público que define como os modelos de inteligência artificial devem agir. A grande novidade é que o ChatGPT vai passar a focar-se muito mais naquilo que o utilizador realmente pretende, na intenção, e não apenas nas palavras literais que escreve. Carlos Pedro, sendo assim, o que muda na prática?
O sistema do ChatGPT vai passar a recorrer mais ao histórico e ao contexto da conversa, de forma a ter mais informação. É uma das novidades, mas há outra mudança relevante: o fim da chamada bajulação. Até agora, estes modelos tinham a tendência para dar sempre razão ao utilizador e responder o que a pessoa queria ouvir. A OpenAI quer travar isso e tornar o ChatGPT mais neutro, objetivo e honesto, assumindo claramente que não sabe a resposta, em vez de tentar agradar. O controlo, esse continua do lado do utilizador. As novas regras reforçam a ideia de que a IA deve servir apenas para apoiar a decisão humana, e não para decidir por nós.
As novas diretrizes para as conversas com a inteligência artificial da OpenAI, aqui resumidas pelo jornalista Carlos Pedro. As novas regras surgem numa altura em que os sistemas de inteligência artificial estão a assumir tarefas cada vez mais complexas.
E por cá, a Critical Software, tecnológica portuguesa, vai cortar 200 postos de trabalho devido precisamente à inteligência artificial.
A empresa desenvolve software para setores como a aeronáutica, o espaço e os transportes ferroviários. No final deste ano devem contar com cerca de 1300 trabalhadores, menos 200 do que em janeiro, uma redução de 13% do quadro de pessoal. Em causa está o impacto da inteligência artificial. Em entrevista ao Expresso, o presidente executivo da Critical Software, João Carreira, explica que a tecnologia está a substituir tarefas anteriormente desempenhadas por engenheiros.
Como por exemplo, Teresa?
Falamos de tarefas, sobretudo nas áreas de programação e testes, sendo que a chegada da inteligência artificial está a levar a uma reorganização das equipas. Há funções que desaparecem, outras que são transformadas e outras que são criadas. É o que explica João Carreira. O diretor executivo da Critical Software fala na transformação mais profunda da empresa desde a sua fundação em 1998. A Critical Software está a investir cerca de €8 milhões na aplicação de inteligência artificial.
E Teresa, agora uma pergunta: qual o melhor agente de inteligência artificial? Com tantos disponíveis, fica difícil escolher.
Foi exatamente o que pensou um jornalista da revista de tecnologia Wired, que decidiu assim pôr à prova seis dos principais agentes de inteligência artificial durante um dia completo de trabalho. Avaliou o desempenho de cada um numa série de tarefas quotidianas e práticas, como gerir tarefas, planear viagens, responder e-mails e emitir alertas.
E agora então vamos saber quais foram as conclusões.
O vencedor foi o assistente Dot, da OpenAI, que recebeu 20 pontos em 25 possíveis. Como pontos fortes, foi o mais consistente e proativo ao longo de todos os testes, apresentando o maior grau de eficácia nas respostas e autonomia de processos. Como pontos fracos, é o mais caro da lista. O autor recomenda que a maioria dos utilizadores aguarde por uma versão mais acessível. Já o Muse da Meta ficou em segundo lugar com 18 pontos. Foi o melhor a planear viagens e é totalmente gratuito e extremamente fácil de configurar. Há, no entanto, preocupações com a privacidade e com a gestão de dados pessoais por parte da Meta.
E agora, qual foi o pior?
Foi o Instinct, um assistente que opera através de mensagens ou canais como o WhatsApp para realizar tarefas do dia a dia, como encomendar comida, marcar viagens ou gerir agendas. É descrito pelo jornalista como o mais irritante. O jornalista conclui que os agentes de inteligência artificial ainda não substituem funcionários humanos. Devem ser encarados como colegas de trabalho rápidos e sem queixas, mas que exigem supervisão e instruções claras.
E fica por aqui, Teresa Freire, este episódio de Mundo IA. Voltamos na próxima semana com mais novidades, alertas e curiosidades sobre a inteligência artificial.