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Em 1989, Amílcar Falcão foi um dos primeiros alunos da Universidade de Coimbra a fazer Erasmus. Salamanca foi o destino e Amílcar lembra as diferenças culturais, mesmo entre países irmãos.

Foi um choque bastante grande cultural, porque os espanhóis têm muitas diferenças. Ainda hoje, naturalmente, têm uma cultura bastante diferente da nossa. Mas pronto, a pessoa quando vai pra um país qualquer, tem que se habituar à cultura e aos hábitos desse país e foi o que nós fizemos, e foi o que eu fiz.

Foi o que fez, a começar logo pela língua.

Muitas vezes pensamos que o portunhol é algo que eles entendem. Não é verdade, eles entendem mais ou menos. Eu tive o cuidado de ir pra uma escola de idiomas e, portanto, tirei um diploma de espanhol.

Já as saudades de casa eram mais difíceis de ultrapassar.

Estava lá numa época sem telemóvel, portanto, eu pra falar com a minha família, tinha que ir a um telefone de um café, por baixo onde eu vivia, e tinha que pedir ao senhor pra telefonar e pagar.

Felizmente, há coisas que mudam para melhor. E de 89 pra cá, tudo é diferente.

Olha, eu quando estive em Espanha, Portugal era Portugal, Espanha era Espanha. Hoje em dia somos todos europeus.

É precisamente o europeísmo que dá coragem a José Miguel Moreira. Pra semana troca Coimbra por Itália e não teme o que pode encontrar por lá.

É um país ótimo para se ser pessoas. Os italianos são bastante acolhedores, muito simpáticos e penso que essa barreira, de fato, ser português ou não, não terei muitas dificuldades com isso.

E nem o facto de não saber o italiano o faz tremer.

Uma pessoa também consegue se enrascar facilmente. Uma pessoa diz uma palavra em inglês, uma palavra em italiano, uma palavra em português, só precisa de uma palavra também em espanhol, e acho que por aí basta.

Apesar de tudo, José não esconde o medo por ir pra um país desconhecido, mas encontra conforto por saber que eventualmente regressa a casa.

Eu tenho tanta curiosidade em viver esta experiência, sinceramente, e ainda por cima também é uma experiência curta. Eu vou estar assim durante um semestre só. Também não me assusta assim tanto porque sei que tem um fim.

O que não tem fim à vista é o programa Erasmus, seja no que espera agora a José Miguel Moreira ou nas memórias de Amílcar Falcão.