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Bem-vindo, António Nunes. Esta manhã houve uma reunião entre a Liga dos Bombeiros e o INEM, isto depois da morte de um homem no Seixal que esperou quase três horas por uma ambulância. Tanto o INEM como os bombeiros afirmam que é a retenção das macas nos hospitais que está a condicionar todo o socorro da emergência hospitalar, sendo que os bombeiros ameaçam com a cobrança de uma taxa aos hospitais precisamente pela retenção das macas, sendo que essa também é uma discussão já antiga. António Nunes, os bombeiros vão mesmo avançar com essa cobrança?
Nós não sabemos se vamos avançar ou não com essa situação. Isso vai ser uma das ponderações que temos que colocar na reunião de hoje. Esta reunião já estava marcada há mais de oito dias e não se dirige concretamente à situação passada ontem. O que nós temos é um conjunto de assuntos para tratar com o INEM, designadamente a atualização dos valores pagos pelo INEM, pelos serviços prestados em cooperação com o transporte de doentes urgentes. Temos também que falar com o INEM sobre as novas alterações que foram introduzidas unilateralmente pelo INEM para a mobilização dos postos de emergência médica e ainda a questão do que é que aconteceu, porque ambos estamos de acordo que se as urgências hospitalares não melhorarem a forma como recebem os doentes e libertam as macas dos bombeiros, há uma imobilização com tempo excessivo de ambulâncias nos hospitais e isso condiciona a gestão do transporte de doentes urgentes quando são necessárias ambulâncias. Como os recursos são limitados, essa gestão torna-se cada vez mais difícil para o INEM, do ponto de vista da mobilização dos meios e para os bombeiros, do ponto de vista da gestão dos seus recursos humanos.
Em cima da mesa nesta reunião vai estar também o novo sistema de triagem do INEM. A minha pergunta é: como resolver a situação?
A Liga dos Bombeiros Portugueses tem consciência que há vários países que utilizam diferentes metodologias de mobilização de ambulâncias, mas temos também um conhecimento exato de que o território continental de Portugal é muito diferente do interior para o litoral e em particular nas zonas de maior intensidade urbana, como as grandes metrópoles de Lisboa ou Porto, e aquilo que é o restante do território. Temos também consciência que a Península de Setúbal é cronicamente um problema para resolver no transporte de doentes urgentes e, portanto, a aplicação universal de uma determinada metodologia a realidades diferentes, não nos parece que seja razoável. Pode ser, do ponto de vista técnico, aceitável, mas é preciso também entender que nos países onde essas metodologias são usadas, existem realidades completamente diferentes. Desde logo, a literacia dos cidadãos no âmbito da saúde, a questão das distâncias às entidades hospitalares, a questão do funcionamento das próprias unidades de urgência. Portanto, todos esses fatores têm que ser ponderados e colocados em cima da mesa e não olhar só por uma parte da matriz e aplicar a matriz sem aplicar o restante. É isso que vamos colocar ao INEM.
E para além de ouvirem o INEM, admitem também alguma reunião próxima com o governo para discutir este tema?
Nós estamos ao nível da discussão técnica, não estamos ao nível da discussão política e por isso nós até agora nunca pedimos uma reunião com o Ministério da Saúde. Portanto, nós entendemos que este é o tempo da discussão com o INEM e com a Direção Executiva, e que a Direção Executiva é que já deveria, salvo melhor opinião, ter entrado em contacto connosco para fazer uma reunião, uma vez que se o INEM e os bombeiros estão a encontrar um estrangulamento ao nível das estruturas tuteladas pela Direção Executiva, compete à Direção Executiva. Esgotado que sejam os temas técnicos e que se passe a uma questão política, então nessa altura, a Liga dos Bombeiros Portugueses não tem qualquer objeção em solicitar uma audiência à senhora ministra da Saúde. Mas julgo que neste momento, o poder político está afastado destas reuniões, porque elas são eminentemente de caráter técnico e só no final é que nós poderemos levar as nossas divergências, se as houver, à senhora ministra, para depois o poder político decidir qual a solução que quer assumir em política pública.
Há pouco alertava para a questão da Península de Setúbal. O Jornal de Notícias revela hoje que o INEM só tem duas ambulâncias disponíveis em toda a Península de Setúbal, isto para acorrer a mais de 340 mil residentes. A falta de ambulâncias é-
Está a falar, provavelmente, de ambulâncias do INEM, mas todos os corpos de bombeiros da Península de Setúbal têm, cada um, mais do que duas ambulâncias.
Mas há, de facto, uma falta de ambulâncias ou é apenas um problema de gestão das mesmas?
Pode haver falta de ambulâncias em determinados períodos do dia. Nós admitimos que, nalguns momentos do dia a dia, o elevado número de chamadas pode conduzir a que haja, de facto, a necessidade de uma gestão mais cuidada dos meios existentes. Na Península de Setúbal, isto também tem muito a ver com os encerramentos das urgências hospitalares, que não são só exclusivamente obstetrícia. São, às vezes, especialidades dentro da urgência e, portanto, os percursos que as ambulâncias têm que fazer são maiores, por vezes 40, 50 km. Mesmo que cheguem a uma unidade de urgência e se houver um pequeno atraso na triagem e na retenção da maca, logo os recursos de ambulâncias que estão, eu diria, no limite, passam a ser escassos. E, portanto, é uma questão que o INEM tem que resolver e eventualmente reforçar em determinados períodos do dia com algumas ambulâncias dos corpos de bombeiros que não sejam da zona ou com ambulâncias do INEM, a Península de Setúbal.