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Queria começar por lhe perguntar muito diretamente como é que a Iniciativa Liberal está a pensar votar a moção de confiança do governo.
Não lhe vou já responder a essa pergunta. É prematuro neste momento. Só ontem, durante o debate, é que soubemos que a moção ia ser apresentada. Aquilo que lhe posso dizer é que era evitável termos chegado a este ponto, e é lamentável o país voltar a entrar numa nova crise política, ainda para mais quando o mundo está a mudar. O país precisa de resolver inúmeros problemas e, em vez de estarmos focados a resolver esses problemas e a garantir a estabilidade necessária para tentar dar melhores condições às pessoas e ao país, estamos novamente numa crise pela qual o grande responsável é, sem dúvida, o senhor primeiro-ministro, que arrastou todo o governo para uma situação relacionada com a sua vida pessoal. Isso é que, infelizmente, é a realidade com que nos confrontamos e que, na nossa opinião, teria sido evitável, nomeadamente se o senhor primeiro-ministro tivesse, de uma vez por todas, dado as explicações que tinha a dar, de forma célere e não sempre confrontado com novos desenvolvimentos, e tivesse afastado aquela empresa da sua influência pessoal ou da sua associação, quer pessoalmente e diretamente, quer via o seu agregado familiar.
E na ótica da Iniciativa Liberal, devem ou não existir eleições? Ou seja, pode apenas haver a indicação de um novo primeiro-ministro?
Considerando que o chumbo de uma moção de confiança leve necessariamente à demissão do governo, e face a essa demissão, se a moção chumbar, que ainda vamos ver como é que será votada quando for apresentada. Considerando o atual cenário na Assembleia da República, de uma certa fragmentação, eu não vejo grande alternativa senão irmos para eleições. Acho que será difícil, e até me parece, pelo aquilo que o próprio PSD ou a AD já foi dizendo, que não têm essa intenção de indicar outra pessoa qualquer. Parece-me que o cenário de eleições, face ao chumbo da moção de confiança, a confirmar-se, é a única alternativa que temos, até porque não há uma maioria absoluta no Parlamento, tudo tem que ser negociado e com uma moção de confiança chumbada, é óbvio que há uma enorme fragilidade e é normal que se devolva a decisão aos portugueses.
E a confirmar-se esse cenário de eleições antecipadas, quem é que pode favorecer?
Neste momento, e considerando toda a vitimização que está a ser feita com este caso, parece-me que há aqui um objetivo da própria AD em tentar ter esse favorecimento, de alguma forma, ou esse benefício indo a eleições. Não sei na prática como é que os portugueses vão olhar para isto. Aquilo que eu sei é que o país, a última coisa que precisava era de uma instabilidade desta, era de nova crise. O país precisa de um governo a funcionar, que governe, que garanta a estabilidade do país e que resolva os problemas do país, e também, obviamente, o nosso lugar no mundo, que neste momento, com tudo aquilo que está a acontecer, está também numa situação de grande fragilidade e de grande alteração face às últimas largas décadas. Esse devia ser o foco. E quando o foco deixa de ser esse, a passar a ser a vida pessoal do primeiro-ministro, a falta de explicações e andarmos aqui em moções de censura para moções de confiança e comissões parlamentares, andamos aqui todos a desfocar daquilo que é o essencial, que é resolver os problemas do país. Vamos ver como é que os portugueses depois vão avaliar tudo isto nas urnas.