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Álvaro Santos Almeida é o novo diretor-geral do Serviço Nacional de Saúde. Pergunto-lhe se é uma boa decisão por parte do ministério.

Eu não sei se é propriamente um bom nome ou se é um mau nome, porque não é muito conhecido na área do Serviço Nacional de Saúde. É um perfil mais académico, mais teórico, mais de gabinete. Não é propriamente conhecido na sua intervenção junto do Serviço Nacional de Saúde. Portanto, também não é com grande entusiasmo que a notícia foi recebida. Aliás, não cumpre muitos daqueles que eu entendo que devem ser os requisitos pra um cargo destes, nomeadamente ser alguém técnico nesta matéria, mais do terreno, alguém que conhece na primeira pessoa os problemas do Serviço Nacional de Saúde, que sente as dificuldades dos profissionais de saúde e, sobretudo, também um perfil independente, que não deveria ter ligações político-partidárias muito marcadas pra lhe permitir fazer o seu trabalho com isenção e, sobretudo, de forma muito técnica, independentemente dos governos e das mudanças de ministérios. Parece-me que o perfil do doutor Álvaro Almeida é precisamente o contrário deste perfil, mas pronto, ele agora está nomeado e é com ele que o Serviço Nacional de Saúde vai ter que trabalhar. As pessoas do Serviço Nacional de Saúde e os vários agentes vão ter que trabalhar e colaborar e, portanto, é olhar em frente agora.

E o que podemos esperar agora? Ou seja, podemos esperar um trabalho na linha do que fez a antiga direção?

Eu acho que há aqui perfis que são muito diferentes. O perfil do doutor Fernando Araújo era um perfil de maior intervenção, como diretor-executivo, muitas vezes até de sobreposição com as funções do próprio ministro da Saúde. Nós muitas vezes não sabíamos muito bem de quem eram as competências. O perfil do doutor António Gandra de Almeida é um perfil mais apagado, é um perfil diferente. Eu acho que nós temos que encontrar aqui um equilíbrio, portanto, ser uma posição intermédia, não de substituição do ministro da Saúde, que tem que definir as políticas de saúde, mas alguém capaz de fazer a operacionalização das políticas de saúde, mas alguém também capaz de fazer ligação e de estabelecer aqui um consenso. Eu acho que não se deve repor em causa a existência da direção executiva. Ainda passou muito pouco tempo. Nós não podemos ajuizar pelas dificuldades do Serviço Nacional de Saúde e chegar à conclusão que temos que acabar com a direção executiva, como eu já ouvi. O Serviço Nacional de Saúde tem dificuldade há muitos anos, as dificuldades não são recentes e não é por isso que se acabaram os vários organismos que estão ligados ao Ministério da Saúde. Portanto, acho que temos que aguardar mais algum tempo. Essa avaliação pode ser feita, mas não me parece que seja este o momento de fazer mais uma transformação. Portanto, é, de alguma forma, sem grande entusiasmo, aguardar pra ver.