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Vamos entrar também em contato indireto com Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais. Muito boa noite, Jorge Ascenção.
Boa noite.
As escolas não vão encerrar. A pergunta que lhe faço é se os pais podem ficar descansados com isto.
Nós compete-nos ter confiança nas autoridades de saúde e, portanto, na sua competência. Se entenderam que em termos de saúde pública não há risco para aqueles que frequentam as escolas e com uma sociabilização que é muito intensa, obviamente, queremos acreditar que foram ponderados todos os fatores e que, em primeiro lugar, foi colocado em causa a garantia da segurança e da saúde, quer de crianças, como de profissionais, professores, assistentes operacionais, psicólogos, todos aqueles que frequentam as escolas e até os próprios pais, em especial, que frequentam de forma muito próxima as próprias escolas. E, portanto, julgo que nos compete ter essa confiança e com serenidade continuar a acompanhar, o que não significa continuar a ter todos os cuidados possíveis e que são necessários para podermos sempre prevenir algum tipo de contágio.
Jorge Ascenção tinha dito, a propósito da eventualidade de se antecipar as férias escolares, que às vezes mais vale prevenir do que remediar. Considera que o governo está agora a prevenir o suficiente?
Eu acho que a antecipação de férias, tendo em conta a evolução da situação, poderia ser a medida que neste momento melhor preveniria e que mais nos garantiria esta contenção que é necessária fazer. Mas é como digo, a acreditar de facto e a confiar, como nos compete, naquilo que são as opiniões e portanto julgo que fundamentadas. Nós não temos essa informação, mas o Ministério da Saúde terá e o governo terá uma informação detalhada para entenderem que não seria necessária essa antecipação. Também sabemos que o fecho antecipado agora das escolas, como estaria previsto, traz obviamente alguma perturbação, quer na logística familiar, na organização não letiva, etc. E julgo que tudo isso terá sido ponderado, ou pelo menos espero que tenha sido e tenho de confiar que assim foi. Mas sinceramente, em face desta evolução, e sabendo nós que algumas medidas do gênero foram tardiamente tomadas, quer em Itália, quer em Espanha, com as consequências que se sabe, e que provavelmente, até porque o seu período está a terminar, poderia ter sido colocado em cima da mesa ad hoc de antecipar as férias da Páscoa, o que não traria, julgo eu, grandes prejuízos, quer na questão académica, quer até na questão social.
E na eventualidade de não se anteciparem as férias agora e manter as escolas abertas, pelo menos até ver, ainda podemos correr o risco de que haja efeitos nas avaliações dos alunos?
Sim, podemos correr esse risco, até porque há sempre alguma angústia, sempre alguma perturbação. Os nossos filhos estão sempre a perguntar: "Mas fecha, não fecha, mas posso, não posso. São as viagens para o carro." Todo um conjunto de coisas. Mas é como digo, as autoridades da saúde terão seguramente informação mais precisa sobre todos estes fatores e todas essas componentes e terão tomado a decisão que entenderam ser aquela que menos prejuízo traz às famílias, à sociedade, e portanto, que não seria para já necessário. Eu espero, sinceramente, que tenham razão naquilo que foi a ponderação e naquilo que foi a avaliação que fizeram. Efetivamente, não seja necessário. Sendo certo que se hoje a decisão foi essa, amanhã ou daqui por uma semana, há sempre essa possibilidade de antecipar as férias, portanto, fazer um encerramento antecipado, dependendo provavelmente da evolução e provavelmente até também isso foi colocado em cima da mesa. Vamos ver se essa evolução tem esta progressão geométrica que teve noutros países ou se continua a progredir lentamente e, portanto, tentar conter de outra forma.
Jorge Ascenção disse que confiava nas autoridades de saúde. Os pais também partilham dessa sua confiança, é isso que lhe dizem?
Os pais estão preocupados. Aliás, eu acho que até há pais que estão de alguma forma, com todo o respeito, a negligenciar alguns cuidados que é necessário ter. Ouvimos hoje notícias de escolas que fecharam, mas afinal as crianças, os jovens e até as famílias foram para espaços onde estão em perigo de contágio. Portanto, nós quando falamos no encerramento de escolas, seria para estar em algum isolamento, em casa, etc. Portanto, as pessoas continuaram a ir para os shoppings, para a praia, para os parques infantis, o que significa que até estão confiantes demais e Deus queira que tenham toda essa razão. Portanto, estamos a falar destas medidas de contingência, que obviamente nos exige a todos algum sacrifício, era para tentar conter o risco da propagação. E isso significa mantermo-nos com esse sacrifício atual, algum isolamento social. E isso verifica-se ou pelo menos estamos a constatar, que uma grande parte das pessoas não está a levar muito a sério. Ora, se as pessoas entenderem que isto aqui é assim, de facto não justifica estar a fechar, nem escolas, nem espaço nenhum. Agora, é preciso também percebermos e passarmos essa mensagem que sem alarido, com toda a serenidade, não vale a pena fazer aqui grandes Alarmismos, mas é preciso não negligenciarmos os cuidados a ter e a prevenção necessária para conter a propagação deste vírus, que ainda não se sabe muito bem o que é e que consequências pode ter. E, portanto, com toda esta tranquilidade, nós temos que garantir estas medidas. E é nesse sentido que eu digo que acho que devemos confiar, e julgo que as famílias estão a confiar, até pelos comportamentos que vão assumindo, naquilo que são as decisões das entidades competentes. E julgo que sim, faz parte do nosso sistema sabermos e confiarmos em quem tem a responsabilidade nas mais diversas áreas. Obviamente, questionando e muitas vezes interrogando e pondo até em causa. E daí nós dizemos: "Ok, espero que, de facto, tenham razão", embora pensar, mas também é com base na informação que venha a público, eles terão uma informação mais precisa, como disse, pensar se era possível fazermos uma antecipação das férias e dessa forma ter uma garantia de maior eficácia na contenção. Mas isso depois obrigaria também a comportamentos e atitudes responsáveis por parte das famílias e dos cidadãos, e obrigaria a um conjunto de decisões, como por exemplo, a questão das viagens finalistas, porque encerrar as escolas, mas depois as viagens realizarem-se na mesma, não traria grande eficácia, e implicaria ainda a decisão de permitir que as famílias, ou mesmo um dos cônjuges, pudesse acompanhar os seus filhos, pelo menos os seus filhos menores, até ao segundo ou terceiro ciclo. E provavelmente tudo isto tem um enorme impacto em muitas coisas, em muitas áreas. E pronto, pesados os prós e os contras, pelos vistos a decisão será ou de não antecipar. Eu espero que, obviamente, a principal decisão que terá sido também ponderada e que assim não ficará em causa, seja a garantia e a saúde das crianças e o bem-estar de todos aqueles que frequentam as escolas e outras instituições. E é nesse sentido, eu acho que, de facto, temos que confiar e esperar que as coisas corram pelo melhor, sendo certo, repito, julgo eu que se for necessário, se alternará essa decisão, analisando e avaliando os dados que vierem agora a surgir nos próximos dias.
Muito obrigado, Jorge Ascensão, por se ter juntado à Rádio Observador. Jorge Ascensão, da Confederação Nacional das Associações de Pais.