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Bom dia. Desde já, obrigada pela disponibilidade para falar conosco, Gonçalo Xavier, o diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição. Eu queria começar por lhe perguntar como está a ser a adesão a esta greve. O SITESA, o Sindicato dos Trabalhadores do Setor de Serviços, convocou uma greve de 24 horas para o dia de hoje, dia 24, véspera de Natal, e queria lhe perguntar, Gonçalo Xavier, se há muitos trabalhadores a aderir a esta greve, que efeitos é que se estão a fazer sentir neste dia?

Na verdade, esta greve é convocada quase anualmente. Nos últimos quatro anos, tem sido convocada pelas várias plataformas que estão afetas à distribuição e aos associados da APED. Este ano, só o SITESA é que convocou os seus filiados para esta greve, mas a verdade é que também, tal como nos outros anos, não está a ter grande adesão e não há qualquer expressão nas nossas lojas que ponha em causa o normal funcionamento das operações. Este ano, realmente, há esta questão inédita de ser só o SITESA. Normalmente eram também os sindicatos ligados à CGTP que convocavam uma greve para esta altura. Felizmente para os consumidores, é uma greve com escassíssima adesão e não está a ter nenhuma complicação de maior nas nossas operações.

E queria lhe perguntar se sabe ou se alguém vos informou por que é que, além do SITESA, esses sindicatos que estão mais ligados à CGTP este ano decidiram não convocar a greve. Não sei se sabem o motivo.

Sim, tanto quanto percebemos, o sindicato ligado à CGTP, o CESP, deu-nos a informação de que já tinham feito a sua reivindicação no período da greve geral, de 11 de dezembro, e que, portanto, nesse sentido, achavam que não deveriam penalizar os associados deles com uma nova greve. O SITESA, como referi, à semelhança dos outros anos, decidiu convocar a greve para estes dias, aliás, também para o dia 31 de dezembro. Mas repito, se já tínhamos uma adesão incipiente com as duas plataformas sindicais, agora só com o SITESA, ainda se nota menos essa adesão. Nós respeitamos muito o direito à greve e respeitamos muito a luta sindical, mas a verdade é que nos últimos quatro anos já celebrámos três contratos coletivos de trabalho. Nós privilegiamos na APED a contratação coletiva, essa é uma matéria de facto que ninguém pode negar. E a verdade é que temos tido rondas de negociações durante os últimos dois meses, que pensamos que vão chegar a bom porto, pelo menos com uma das plataformas. Mas, repito, respeitamos este direito à greve e esta forma de se manifestarem, mas felizmente para os consumidores, é um dia absolutamente normal nas nossas lojas, nas mais de 4800 lojas dos associados da APED, entre retalho alimentar e não alimentar, e felizmente não está a ser nada posto em causa do ponto de vista da normalidade das operações.

E queria também perguntar, nesta altura, por ser véspera de Natal e normalmente as pessoas fazem mais compras, como é que são feitas as escalas? Normalmente têm mais ou menos o mesmo número de trabalhadores, fazem um reforço, até há menos, ou como é que costuma ser nesta altura?

As operações nas lojas são muito bem programadas. Há um aviso atempado das escalas e de quem é que está programado para trabalhar estes dias. Portanto, é tudo feito com uma enorme transparência e tranquilidade, privilegiando o bom relacionamento que existe entre os colaboradores e o seu equilíbrio entre a vida familiar e a vida profissional. Evidentemente que estes dias são dias de maior azáfama e isso está acautelado na forma como todo o processo é montado para bem dos trabalhadores, para bem dos consumidores e para bem das operações, para que nada falte e para que as pessoas possam celebrar o seu Natal, quer os consumidores, quer os trabalhadores, com tranquilidade e com a paz necessária para estas alturas tão importantes para as famílias.

E queria lhe também perguntar: a maior parte dos trabalhadores estão sindicalizados no SITESA, estão no outro que mencionou, ou é mais ou menos igual? Só para percebermos, ou seja, que porcentagem, entre aspas, de trabalhadores é que poderia então ter feito greve hoje?

Compreendo. A sindicância, infelizmente, do nosso ponto de vista, tem vindo a diminuir. Isto é, são cada vez menos os trabalhadores que estão sindicalizados. Há uma perda gradual nos últimos anos. Estimamos que a sindicância esteja abaixo dos 5%. Agora, isto não desvaloriza de maneira nenhuma o papel dos sindicatos. Parece-nos que os sindicatos têm que se reinventar, mas a verdade é que há uma paz social no nosso setor, fruto destas Deste caminho que temos feito em conjunto e destas negociações que temos feito em conjunto com a assinatura de diversos contratos coletivos de trabalho para o setor. O que queremos é que existam sindicatos fortes e com uma presença segura e que defendam as suas posições de forma equilibrada. E nós cá estaremos também para acomodar e para melhorar a atratividade do setor, que é muito importante para nós, porque queremos atrair os melhores trabalhadores e o melhor talento para trabalhar no retalho e na distribuição alimentar e não alimentar em Portugal.

Desculpe, pode me só repetir o nome do outro sindicato que mencionou?

CESP. Chama-se CESP, é ligado a uma plataforma chamada FEPCESE. São duas estruturas sindicais, uma ligada à UGT e outra ligada à CGTP. O CESP é da CGTP, o SITESE é da UGT.

E, portanto, não sabe se há mais trabalhadores sindicalizados nesta ou na SITESE, é mais ou menos igual?

São mais ou menos. É mais ou menos a mesma coisa.

Claro, era só para perceber qual é que teria mais peso. E em termos de expectativas para dia 31 de dezembro, que também vão fazer greve, há de ser parecido? Como é que tem sido?

Exatamente igual. Não temos tido qualquer impacto nos últimos anos e não esperamos que haja, que se mantenha exatamente a mesma forma como nos outros anos, porque, repito, há uma certa paz social e isto é uma greve um pouco mais política e de posição do que uma greve de reivindicação, porque as reivindicações têm vindo a ser atendidas e temos vindo a trabalhar na melhoria da estrutura salarial do setor e da renovação da atratividade do trabalho para o setor do retalho e da distribuição.