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Junta-se agora a nós, em direto, o especialista em assuntos internacionais, Paulo Santo. Bom dia, Paulo Santo. Era de esperar um discurso tão virado para dentro?
É um discurso muito virado para dentro e embora isso não tenha sido um tema explícito na sua intervenção, a verdade é que a ideia da sua recandidatura já está a fazer caminho e, portanto, é um discurso que no fundo faz também isso. De alguma forma mostra, ele procura mostrar isso, o sucesso em termos da economia, um discurso também bastante duro, bastante forte do ponto de vista internacional, embora naturalmente a parte da política interna tenha estado em destaque. E um discurso, por outro lado, também recebido com alguma hostilidade, com gritos de mentiroso e muito interrompido por alguns republicanos. Portanto, foi um discurso do Estado da Nação, não na linha do habitual, mas um discurso que tocou em alguns dos pontos mais importantes, talvez até o mais importante de todos, terá sido esta questão de construir americano, comprar americano, fazer aquilo que, se quisermos, até o antecessor dele procurava também dizer, que é a América primeiro.
A América primeiro num discurso protecionista, diria isso, Paulo Santo?
Num discurso muito defensor de uma América onde tudo é americano, onde se constrói americano, onde todos os produtos, ele disse a certa altura que estradas, pontes, obras públicas, tudo isso será feito com produtos norte-americanos. E portanto, esta ideia que os líderes europeus querem criticar tanto, de que é na América que tudo começa, é a América que deve atrair investimento internacional também e, como ele disse também, é na América que a cadeia de abastecimento para a América deve começar.
Já aqui falou que os olhos parecem já estar postos numa recandidatura de Joe Biden, mas essa possibilidade nem no Partido Democrata é particularmente consensual.
É um assunto ainda muito relativamente tabu, no sentido em que há muita gente que, de facto, mesmo dentro dos Democratas, não há um grande entusiasmo com essa ideia da reeleição de Biden. Muitos republicanos não gostam, são claramente hostis. Mas Biden fez isso, fez claramente um discurso nesse sentido, fez um discurso que testa essa sua ideia de um potencial eventual futuro e próximo anúncio de uma reeleição.