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Temos ouvido esta manhã os vários candidatos às eleições do Benfica. O Jornal do Meio-Dia não vai ser exceção. Junta-se a nós Bruno Batista, candidato a vice-presidente de Luís Filipe Vieira, a quem desejo desde já muito boa tarde. Bruno Batista, bem-vindo à Rádio Observador.
Boa tarde. E diretor de campanha.
E diretor de campanha, exatamente. José Mourinho, apenas até ao final da época, com um salário reduzido, é neste momento a melhor opção para o Benfica?
Não sei. Independentemente de qual seja o cenário que neste momento esteja em cima da mesa, eu só quero deixar uma mensagem ao próximo treinador do Benfica. É que tenha muita calma, porque a atual estrutura que vai encontrar na direção do Benfica não dá resposta àquilo que é a ambição para este clube, mas que a partir de 25 de outubro, principalmente se cumprirmos aquilo que eu espero que os sócios tenham como uma premissa principal para uma mudança chamada Vieira à Primeira, para que quanto antes tomemos conta da direção do clube e possamos dar ao novo treinador todas as condições para que o Benfica volte a ganhar. Essa é a principal mensagem que é preciso passar, é que o castelo de cartas montado por Rui Costa, que caiu com o primeiro sopro que chegou do Azerbaijão, não vai continuar a ser assim, não vamos continuar a somar fracassos atrás de fracassos e, acima de tudo, um presidente que vai a eleições à espera de vitórias desportivas, também morre com as derrotas e, portanto, é o fim de um ciclo com a saída de Bruno Lage e de Rui Costa do Benfica.
Luís Filipe Vieira faria a mesma escolha ou preferia outros nomes como Jürgen Klopp ou Rúben Amorim, que têm sido associados ao Benfica?
Luís Filipe Vieira já mostrou que consegue ganhar campeonatos no Benfica, independentemente de qual seja o treinador, porque acima de tudo, há uma estrutura profissionalizada, há métodos, há equipamentos de alta gama, há, acima de tudo, gestão e estrutura que permita uma vitória. Não está propriamente na mão de quem é o nome. Portanto, hipoteticamente falar numa escolha de Luís Filipe Vieira, nós estamos preparados, falamos com muitos treinadores, conhecemos muito bem o mundo do futebol e independentemente do momento que o Benfica estivesse a viver, só no fim de lá chegarmos é que iremos tomar uma decisão sobre treinadores.
O despedimento de Bruno Lage surge a pouco mais de um mês das eleições no Estádio da Luz. Rui Costa rejeitou qualquer tipo de eleitoralismo. Concorda ou houve eleitoralismo nesta decisão do presidente do Benfica?
Acho que isso é subestimar os benfiquistas e toda a gente percebe que a estratégia eleitoral do candidato Rui Costa foi usar os recursos do Benfica para fazer campanha. Começou com o Benfica District, começou também com todas as aquisições no mercado, onde gastou mais de 100 milhões de euros e agora esta era a última cartada que tinha para jogar. Infelizmente, já não vai a tempo, mas era a última cartada. É preciso perceber que Rui Costa foi o último dos benfiquistas a perceber uma única coisa tão simples, que Bruno Lage não tinha a ambição certa para o Benfica. Isto era uma morte anunciada. Nós vimos o jogo contra o Santa Clara na Luz, uma vergonha. Vimos o que aconteceu em Alverca, vimos o que aconteceu na Amadora, além dos jogos da pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Portanto, era um Benfica poucochinho, é um Benfica à imagem de Lage, que é a imagem de Rui Costa, porque Bruno Lage é única e exclusivamente uma criação e uma invenção de Rui Costa. A única vez que Bruno Lage conseguiu ganhar um título na vida foi no Benfica, com uma estrutura montada por Luís Filipe Vieira. Portanto, Bruno Lage sozinho não é o Lage de Vieira.
Luís Filipe Vieira já reagiu em comunicado, disse que são demasiados fracassos desportivos e erros da gestão do presidente Rui Costa e que tem de assumir responsabilidades. Isto é demitir-se ou retirar a sua candidatura?
Era retirar a sua candidatura, porque era o melhor que Rui Costa podia fazer, era o melhor ato de benfiquismo que podia ter, era assumir que não tem capacidade de liderança e que não tem legitimidade neste momento, até política, para decidir o futuro do Benfica. Esta direção não tem resultados desportivos, não tem boas contas e eu ainda acrescento, não tem vergonha, porque eu ontem vi Pedro Proença sentado ao lado de Rui Costa e não me esqueço que na final da Taça deste ano, um jogador do Benfica foi agredido. O Benfica fez um comunicado em que impediu e disse que o Estádio da Luz não estava disponível para que a seleção portuguesa lá pudesse jogar. E ontem Pedro Proença estava sentado ao lado de Rui Costa. Não sei se em algum momento Rui Costa lhe pediu satisfações sobre o VAR do final da Taça, porque nós, benfiquistas, ainda nos lembramos do que aconteceu na época passada.