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Conosco em estúdio está o jornalista de economia do Observador, Edgar Caetano, que tem acompanhado este tema. Edgar, o que explica, em primeiro lugar, a desistência de Mário Centeno?
No fundo, a desistência tem a ver com o facto de se perceber que não ia ter muitas possibilidades de conseguir. Aliás, é curioso que quando se viu a desistência do candidato da Lituânia e da Estónia, percebeu-se que aqueles três países bálticos, aos quais se juntaria a Letónia, estavam a unir-se, a tentar ganhar força para que se elegesse aquele que era visto como o principal rival de Mário Centeno. Pelo menos tinham sido esses dois, o letão e o português, que tinham sido escolhidos pelo Parlamento Europeu. Mas percebe-se que Mário Centeno não teria muitas possibilidades porque repara que o cargo de vice-presidente do BCE estava a ser exercido por um espanhol, antes tinha sido exercido por um português, Vítor Constâncio, antes por um grego. E nós estamos a viver uma fase em que a Croácia, que é o país natal do novo vice-presidente do BCE, é um país que entrou na zona euro em 2023, no dia 1 de janeiro de 2023. É um sinal que é dado.
Uma questão de equilíbrios regionais.
É isso. A zona euro está a expandir-se e nós não podemos estar constantemente para sempre a dar os cargos às mesmas pessoas, muito menos sempre a pessoas do sul da Europa.
E é isso que explica a escolha do croata para este cargo?
Sim, repara, o nome dele é Boris Vujčić, penso que estou a pronunciar bem.
Não sabemos muito bem.
Sim, ele é governador do Banco Central da Croácia desde 2012. É uma pessoa muito experiente e teve um papel certamente muito importante nesta fase de adaptação da Croácia à entrada para a zona euro, como eu disse há pouco, foi em 2023, há pouco tempo. Não deixa de ser um sinal que é dado, que seria dado de qualquer forma se fosse para um dos três países bálticos, neste caso, o mais provável seria o da Letónia. Mas ainda assim, é no fundo um sinal que é dado de que a zona euro está a expandir-se e quer respeitar os países que estão a entrar. E essa é uma escolha que tem que ser sempre vista à luz do facto de no próximo ano se ter que escolher um presidente para o BCE. Portanto, tem esse simbolismo acrescido.