Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Bruno Gonçalves, presidente do Instituto de Plasmas e de Fusão Nuclear no Instituto Superior Técnico de Lisboa. É uma notícia que marca esta semana, a morte de Nuno Loureiro e agora o envolvimento de Cláudio Valente. Como é que receberam todo este caso de duas pessoas que estiveram ligadas à universidade, mas Nuno Loureiro, alguém que teve uma ligação mais direta também com este instituto?
A notícia da morte de Nuno Loureiro em circunstâncias tão violentas foi obviamente um choque para todos os colegas que trabalharam com ele e para toda a comunidade, uma surpresa do porquê e o que levou a um desfecho destes e muita incompreensão. Algo que neste momento também ainda não está esclarecido, porque ao que parece, a acreditar nas notícias, foi alguém que conviveu com ele enquanto aluno no Instituto Superior Técnico, embora connosco e na área, não parece ser ninguém que tenha trabalhado na área de fusão nuclear. Mas é uma notícia chocante, tanto mais sendo alguém que em algum momento se cruzou com a vida do Nuno.
Que memória tem de Nuno Loureiro? Conheceram-se ainda em jovens, há muito tempo. Que memória tem de Nuno Loureiro?
Nós não nos conhecemos enquanto alunos. O Nuno entrou uns anos após eu ter entrado para o Técnico. Eu estaria cá na altura em que ele entrou, mas não houve nenhum contacto. Eu creio que conheci o Nuno nos anos 2008, 2009, no período em que ele estava na UKAEA e que eu também, após ter estado lá, depois tive algumas estadias também por lá. Mas o facto do nosso relacionamento apareceu quando ele se juntou ao Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear em 2009 e cá esteve até 2015 e posteriormente, porque ele se tornou o responsável do grupo de teoria e modelização, membro do conselho de administração e aí sim, passámos a ter muita interação nas discussões de estratégia da unidade, na discussão acerca da organização da unidade, discussões acerca da organização do nosso programa doutoral, na qual ele também deu um grande contributo e aí tivemos a oportunidade de ter imensas discussões e dialogar muito. E após ele ir para os Estados Unidos, também se manteve algum contacto, porque ele não só continuou a colaborar com colegas do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear, como estava sempre muito disponível, caso quiséssemos discutir alguma coisa, tentar encontrar formas de estabelecer colaborações com o MIT. Ele sempre se mostrou muito disponível para manter esse vínculo com o Instituto Superior Técnico e com o Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear.
Portanto, era uma ligação que ainda se mantinha aos dias de hoje.
Era uma ligação que ainda se mantinha. Há muita tendência dentro da comunidade de encontrar-nos em vários eventos científicos, conferências, etc. Ainda recentemente, colegas estiveram com ele em Los Angeles numa conferência. Por isso a ligação mantinha-se e mantinha-se com as pessoas individualmente, porque na nossa área é muito frequente haver este tipo de interação e haver muitos eventos comuns onde nos encontramos. Eu pessoalmente não o via há um ano. A última vez que o encontrei foi em Roma, num evento da Agência Internacional de Energia Atómica sobre fusão nuclear, mas estivemos um bom bocado a conversar acerca do investimento que estava a haver nos Estados Unidos, na fusão nuclear, nos progressos da fusão nuclear, naquilo que era a atividade dele, porque ele tinha há poucos meses assumido as funções enquanto diretor de laboratório e como é que estava a ser a experiência. Ele mantinha este relacionamento com os colegas, sempre muito disposto a continuar a conversar e apoiar. E após isso, lembro-me de ter trocado e-mails, um dos últimos terá sido para que uma empresa portuguesa que estava interessada em colaborar nos Estados Unidos pudesse falar com ele para ele tentar ajudar, e ele mostrou-se imediatamente disponível para o fazer.
Portanto, era uma pessoa muito ligada a esta área. Mantinha esta ligação ao Técnico. Temos lido ao longo do dia de hoje que era alguém muito dedicado ao trabalho. É assim que vê também o Nuno Loureiro?
Era alguém que gostava do que fazia, focado na área que ele trabalhava, teoria e modelização para fusão nuclear. Imagino, com uma certa ambição, por isso é que também chegou à posição que chegou, muito rigoroso do ponto de vista científico, apoiava muito os alunos, também tentava que eles estabelecessem o seu próprio caminho e encontrassem a sua forma científica de estar. Muito dedicado ao trabalho, mas também, tanto quanto consigo perceber, eu não conhecia a família dele, mas sei que era muito devotado, ele falava muitas vezes, também muito devotado à sua família.
Disse que mantinha essa ligação aqui ao instituto. Como é que a notícia foi recebida por vocês, principalmente de pessoas que estavam a trabalhar, algumas há pouco tempo, com o Nuno Loureiro.
Com muita consternação. Havia pessoas que eram muito próximas, pessoas que tinham uma relação pessoal e que ficaram arrasadas com a notícia. É num contexto violento, é num contexto em que não é uma doença prolongada, não é uma doença súbita, é uma morte violenta e por isso, também mais por isso, em todas as situações seria sempre chocante, mas sobretudo o contexto em que aconteceu deixou as pessoas completamente arrasadas e fica-se a pensar o porquê, que sentido é que faz e o que leva a isto.
O principal suspeito é alguém que também estudou no Técnico, Cláudio Valente. Tem algum conhecimento deste nome, desta pessoa?
Não, o único conhecimento que tenho é que estudou no Técnico, parece ter estudado no mesmo período que o Nuno Loureiro, que aliás acabei de ver uma notícia que dá conta, mas que não pude confirmar, que terá sido o melhor aluno do curso nesse período. Mas é a única informação que sei, é que se encontra na internet. É uma pessoa que não é claro que percurso é que fez após sair do Técnico. Tentei procurar se havia informação. Hoje é mais difícil, porque hoje o nome dele está em todo o lado. Mas assim que soube o nome, se havia alguma informação, que percurso é que tinha tido, o que é que tinha feito, e é uma pessoa que praticamente não existia na internet. É muito pouco claro o que é que fez e qual foi o percurso e até porque é que acabou neste desfecho passado 25 anos de interação com o Nuno Loureiro.
Mas uma das descrições é que esteve no Técnico como monitor. O que é isto? Isto é um estudante, alguém que colabora com a universidade? O que é isto de monitor?
O ser monitor não tem nada de particular. Ainda hoje existe, não sei se ainda se chama monitor, para dizer a verdade, mas são alunos que dão apoio ao ensino, alunos, regra geral, bons alunos, porque se tenta selecionar os melhores, mas que dão apoio ao ensino em determinadas cadeiras. E ele terá sido monitor, não tem nada de excecional, assim como não tem nada de excecional, porque isso encontra-se o contrato, a determinação do contrato, porque era um contrato pago e como tal tinha que ser declarado e tinha o início do contrato e o fim do contrato. Não tem nada de especial, é algo que muitos alunos que cá passaram foram monitores e deixaram de ser monitores. É algo que é comum, é apoio ao ensino e tirando isso, não tem nada de extraordinário. Se era de facto um bom aluno, é natural que pudesse em determinado momento ter sido monitor de algumas das disciplinas e dado apoio ao ensino.