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Paulo Marques, esta madrugada e durante o dia de hoje, está a ser avançado por vários meios de comunicação franceses que está previsto para hoje o anúncio de novas medidas do combate à pandemia, que vão ser definidas numa reunião esta manhã e depois serão anunciadas pelo presidente Emmanuel Macron. Eu pergunto-lhe, nesta fase de combate à pandemia, em que em França também se têm atingido números de casos diários, quais são as preocupações da comunidade portuguesa a viver em França?
As maiores preocupações da comunidade portuguesa e da comunidade francesa em geral, é das pessoas evitarem de ir em reanimação. A grande problemática é que se houver muitos casos a irem em reanimação, é uma fase muito problemática, porque o primeiro objetivo das medidas que vão ser implementadas logo à noite é de evitar que as pessoas cheguem em reanimação. E obviamente, essa preocupação atinge a comunidade portuguesa numerosa residente cá em França. As inúmeras autarquias estão à espera das decisões logo à noite do presidente Emmanuel Macron, mas já sabemos que haverá muito provavelmente um confinamento mais rígido, evitar que as pessoas se cruzem, evitar que haja reuniões, que haja assembleias, evitar que as pessoas saiam, porque será a única possibilidade de evitarmos um drama nos hospitais.
Paulo, eu aproveito para lhe perguntar, neste sentido, que interpretação faz das medidas que têm sido adotadas pelo governo francês para combater a pandemia? São medidas um pouquinho mais restritivas do que as que temos vivido em Portugal e por isso eu pergunto-lhe se acha que essas medidas são o caminho adequado para vencer a pandemia.
Por enquanto, não há outro caminho. A problemática é essa. A realidade é que temos perto de seis mil camas para 67 milhões de habitantes, camas em reanimação, pode-se acrescentar mais 1800. No entanto, a realidade é que o objetivo hoje é de evitar que as pessoas entrem nos hospitais para reanimação, porque será muito difícil atender uma forte população que tem que estar em situação intensiva nos hospitais. É esse o objetivo que esses constrangimentos e o reconfinamento, provavelmente, é a única decisão possível.
Paulo, aproveito para lhe perguntar, cá em Portugal, o primeiro-ministro António Costa e todo o governo tem sido claro a dizer que o regresso ao confinamento e parar outra vez o país não é uma opção. Este foi um discurso vivido também em todos os países europeus até esta segunda vaga. Eu pergunto-lhe com que olhos vê a possibilidade de Portugal e de outros países europeus seguirem este caminho que França está a seguir?
A França está a seguir o caminho da Irlanda, está a seguir o caminho dos Países Baixos. Obviamente que há o discurso que Emmanuel Macron teve no domingo. Emmanuel Macron domingo passado não punha em questão a eventualidade de um reconfinamento, dizendo que é provável que daqui a 15 dias passássemos a 50 mil casos/dia, mas isso sucedeu muito mais rápido. Sucedeu ontem. E obviamente que tem que se ter uma intervenção muito mais rápida. Podemos dizer o que quisermos, a realidade é que temos que evitar que as pessoas sejam atingidas pelo coronavírus e o objetivo é provavelmente o confinamento nacional aqui em França.