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Neste jornal das 20h, está em direto Rita Valadas, apresenta a Cáritas. Muito boa noite, bem-vinda a este jornal. Rita Valadas, de que forma a Cáritas vai participar neste evento?

Muito boa noite. A Cáritas tem os jovens na sua matriz, portanto tentou juntar jovens para pensar o programa que gostava de acontecer e tem três situações principais, independentemente de já estar a trabalhar desde a semana passada com as Cáritas diocesanas e agora com o caminho até Lisboa. Em Lisboa o que vai acontecer é uma presença na Cidade da Alegria, na feira vocacional, com um stand onde os peregrinos podem conhecer melhor o trabalho e a missão da Cáritas em Portugal e no mundo. Vai haver um festival da juventude na Fundação EDP com o tema Ecologia Integral. É um jogo que desafia os peregrinos a experimentar a forma como a Cáritas faz o seu trabalho junto dos mais vulneráveis em relação a várias situações. E depois um meetup no dia 3 de agosto na Fundação EDP, que é uma oportunidade de reunir todos os jovens voluntários e colaboradores que vêm de todo o mundo e que têm vindo a chegar a várias partes do país e que se juntarão em Lisboa para partilhar a alegria de pertencer a uma mesma família que junta 162 países do mundo onde há Cáritas nacionais, Cáritas diocesanas e Cáritas paroquiais. Portanto, é um enorme movimento. Nós já estamos a recebê-los, estamos a senti-los no dia a dia, já aqui na cidade de Lisboa e entre voluntários e peregrinos é um enorme movimento que nós queremos que seja apropriado pelos jovens. Nós queremos que os jovens digam o que querem para a Igreja e para o mundo.

E é com entusiasmo que esses peregrinos vão chegando?

Com uma alegria enorme, é quase impossível não sentir. Hoje, ao pé da sede da Cáritas, a quantidade de grupos de peregrinos que passou, de todas as nacionalidades, todas as cores, todos com imensa alegria, com muita serenidade, também devo dizer. É muito alegre, mas muito cuidadoso. Não se via ninguém a atravessar a rua à louca. Gostei de ver, acho que é um movimento que nos alegra muito e que começou já na semana passada, mas que hoje é impressionante e amanhã será ainda mais.

E de alguma forma a Cáritas vai conseguir estar presencialmente com o Papa nesta jornada?

Sim, a Cáritas, como todos os portugueses que estiverem na jornada, estará mais longe ou mais perto. Mas há alguns eventos em que a Cáritas irá participar, quer na sua situação de instituição da Igreja, nomeadamente nos eventos que estão ligados a isso, nas orações das vésperas e na reunião que o Papa vai ter com as instituições do setor solidário. E depois, claro, em todos aqueles que nos vamos poder juntar ao Papa para celebrar.

Vai tentar deixar alguma mensagem em particular?

Onde? Hoje, aqui?

Nesses encontros com o Papa, se houver essa possibilidade, gostaria de deixar alguma mensagem em particular ao Papa nesta circunstância?

O mais importante é o que Francisco tem dito, mas o que eu acho que é muito importante que os jovens tivessem consciência do seu papel na definição dos rumos, no meu caso, nos rumos de proteção dos mais frágeis, dos mais vulneráveis e no papel que eles querem ter. Não é só pedir-lhes que façam parte do processo, colaborando com ações. É pedir-lhes que façam parte da preparação, do caminho e do pensamento, porque é isso que nos falta. A ambição, a alegria e a forma aberta como eles sabem ver este mundo que nós tínhamos talvez menos competência para fazer. Essa competência da juventude e o seu papel aos vários níveis é, acho que é o maior reforço que esta jornada pode trazer, porque eles são o futuro e de uma maneira ou de outra, nós temos também que considerar as suas vontades, as suas visões e os seus sonhos na forma como se constrói o futuro.

E nesse sentido, Rita Valadas, já ouvimos, nomeadamente nas últimas horas e neste jornal, garantias de total transparência nos contratos, nas adjudicações feitas para esta jornada. No seu entender, é justificável o montante que está a ser gasto e que foi gasto para a preparação deste evento?

Olhe, eu sei pouco sobre essa situação. Aquilo que sinto é que, na minha perspetiva, não é muito fácil, apesar de nós já sabermos há muito tempo que ia haver a jornada. Houve muitas mudanças de estrutura, organização e de protagonistas neste processo. Do tempo em que se começou realmente a ter a certeza que podíamos fazê-la em 2023, porque tinha sido adiado de 2022, o tempo não é muito. E a nossa legislação não é muito facilitadora dos processos de aquisição. Tudo o que me dizem indica para valor de recompensa financeiro muito interessante e claramente acima daquilo que se vai gastar. Mas mais importante para mim é a visibilidade que isto vai trazer ao país, ao reconhecimento da competência que Portugal tem para organizar eventos muito mobilizadores e muito cheios de propósito e sobretudo no que diz respeito aos jovens, eles perceberem que isto é um tempo deles e que eles podem apropriar-se disto e podem fazer um caminho De iniciativa própria. E isso acho que não tem valor, é uma coisa que eu não consigo quantificar, mas que vejo que é claramente importante.

Tem havido alguns protestos, alguns mais visíveis, outros menos, relativamente ao valor, ao montante gasto na organização desta jornada. Como é que olha também para essas manifestações?

Eu acho que as pessoas têm direito a expressar a sua opinião. Acho que o deviam fazer, numa situação e noutra, com a maior humildade possível, porque nós não somos donos da verdade, nem donos de todo o conhecimento. E às vezes parece bastante agressivo. Acho que se abríssemos as possibilidades de olhar com muita coerência os dados que estão em cima da mesa, talvez todos conseguíssemos ser mais tolerantes uns com os outros. Depois há coisas que não têm grande significado. Eu acho que emitir uma opinião é muito importante, mesmo que seja contra. No contraditório encontra-se a melhor síntese que pode haver e isso é muito importante. Agora, usar o chiste para isso parece-me muito pouco útil e muito pouco digno.

Numa altura, Rita Valadas, em que se fala muito da necessidade de apoiar os mais frágeis, em que estamos a passar por uma crise, não seria também importante canalizar mais montantes, mais valores, também para quem mais precisa nesta altura?

Isso é sempre importante. Nós, por exemplo, estamos neste momento ainda com uma campanha na rua, exatamente porque não está a ser fácil encontrar verbas para apoiar as pessoas com mais fragilidade. Mas não parece que isto tenha um nexo de relação com o dinheiro usado nas jornadas. Acho que nós temos que saber não desperdiçar de tudo e, portanto, se há dinheiros mal usados, isso deve ser acompanhado e estou em crer, pelos testemunhos quer do governo, quer do Presidente da República, que as coisas estão a ser acompanhadas. Se estiverem a ser acompanhadas, estou certa que o resultado beneficiará também os mais vulneráveis. Mas nós precisamos da consciência coletiva de que a situação está realmente difícil em Portugal e noutras partes do mundo e que temos muito mais a fazer para além da jornada. A jornada tem um propósito muito claro. O dinheiro que está a ser utilizado na jornada não resolve estes problemas no mundo. Temos é que ser coerentes e utilizar com muita cautela todos os dinheiros que são colocados à disposição. E eu acredito que se está a fazer esse esforço. Desse ponto de vista, claro que eu não posso deixar de concordar com as suas palavras. A nossa situação é muito crítica, a Cáritas vive nos territórios, dia a dia, pessoa a pessoa, com nomes, não são números extrapolados, são nomes, e vivemos muito preocupados com a forma de resolver isso, só que não nos parece que a transferência do dinheiro da jornada para este propósito resolvesse estes problemas, retirando a possibilidade de dar mais mundo e mais voz aos jovens de todo o mundo em Portugal.

Rita Valadas, representante da Cáritas, muito obrigado por ter estado neste jornal das oito aqui na Rádio Observador. Até à próxima. Obrigado.

Até à próxima. Obrigada