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Em direto neste Jornal das 10. Está agora o presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve, António Pina. Muito bom dia. O que espera da reunião desta tarde e das medidas que irão ser apresentadas?
Muito bom dia. De facto, vivemos um período muito difícil e a expressão popular aplica-se aqui com toda a clareza: em vez do pão é água, casa onde não há água, todos ralham e ninguém tem razão. Cabe dizer que estas alterações climáticas deviam ter sido previstas há mais tempo. Sim, é verdade. Não estamos a falar já de períodos de seca, estamos a falar de um novo normal. E a parte técnica do Ministério do Ambiente, onde se junta a APA e o seu domínio sobre as águas do Algarve, sim, tinha a obrigação de ter, há seis anos, há oito anos, previsto esta situação e não terem obstaculizado as novas fontes de acesso à água. Portanto, as Águas de Portugal e os serviços técnicos do Ministério do Ambiente sempre foram contra processos, como a questão do Pomarão, como a questão de fazer o açude da FOPANA, contra a dessinalização. A outra solução é ficar à espera que chova e esse armazenamento de água era preciso que chovesse. E isso não se verificou, nem se vai verificar. Esta situação é preciso tomarmos consciência que é o novo normal. E portanto, o novo normal, temos que ter um novo plano de abastecimento de água à região, que não pode passar apenas por ficar à espera que chova na região, porque não vai chover mais.
Então, o que vai ser preciso fazer? Vai ser preciso fazer cortes no consumo da água?
Para já, vivemos apenas com a água que temos. E não chovendo, não temos outra hipótese senão fazer cortes. Com certeza.
Que terão de passar inicialmente pela agricultura, que vai ter de se adaptar.
Infelizmente, uma parte da agricultura, a lei protege o ciclo urbano da água e é aquilo que a República definiu como prioridade. Também não é diferente daquilo que se passa noutros países. Aqui bem ao lado, em Espanha, os cortes para a agricultura são ainda superiores, cerca de 80% no caso de Barcelona.
Mas depois há também o problema do desperdício da água. Ainda esta manhã, aqui Macário Correia dizia que estava a chover, mas ao mesmo tempo continuavam ativas as regas nas rotundas em Faro. Podia fazer-se mais do que se faz.
Eu não vou falar de um caso em concreto, muito menos do município de Faro, até onde o senhor presidente Macário Correia já foi até presidente. Há alguns municípios, posso falar do caso do município de Olhão, que nos últimos três anos poupou ou reduziu 20% do seu consumo de água, fruto da diminuição das perdas, fruto também de uma rega mais criteriosa de espaços verdes. Há outros municípios também que o têm feito. Nem todos, infelizmente. Depois há, que está no terreno, um investimento na ordem já dos 20 milhões, dos 40 e quase três, que nos foram disponibilizados no âmbito do PRR, e há obra no terreno, já de alguns milhões, para remodelação das redes com vista a esta diminuição das perdas. Mas as perdas não se resolvem, porque nós estamos a falar de redes com 40, 50 anos, que a água sai e nós nem percebemos que ela sai. Portanto, achar que as perdas resolvem o problema da falta de água, não é possível.
É uma gota no oceano.
Não é credível, porque estamos a falar para reduzir as perdas médias de 30% na região para algo aceitável como 10% a 15%, precisávamos de 100 milhões, 150 milhões de euros de obra. E isso também só se faz sentir a dois, três anos. Os municípios estão a fazer esse caminho, mas esse caminho não resulta num clique que de repente deixa-se de perder 30% e temos esses 30% para outras fontes. Isso não acontece no curto prazo.