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O que aconteceu ontem à noite neste caso?

Ontem, por volta das 14h, fomos acionados pelo Comando Sub-Regional para um serviço de emergência na Quinta do Conde. Nós aceitamos o serviço e saímos imediatamente. A nossa hora de saída do local de Carcavelos era às 14h, a chegada à vítima às 14h44. O cenário que nós tínhamos inicialmente era uma dispneia, uma falta de ar, com a vítima em cianose, com o roxamento das extremidades por falta de oxigênio. Nós arrancámos o mais precocemente possível, como devem calcular, ir para o outro distrito tem as suas limitações de tempo. Demorámos 44 minutos a chegar à vítima, sendo que durante o caminho nós fomos recebendo indicações do nosso ITMS que a vítima passava de P3 para P1, portanto estava-se a agravar a vítima e que a viatura médica ia a caminho do local. À nossa chegada, a vítima encontrava-se em paragem cardiorrespiratória. Os meus colegas iniciaram manobras e aguardaram momentos pela chegada da viatura médica e a autoridade no local. Iniciadas as manobras, fizeram tudo para tentar salvar aquela vítima, o que não se veio a verificar e o óbito foi declarado no local.

Naturalmente que a distância é aqui um fator muito importante.

Em qualquer paragem cardiorrespiratória, o fator tempo é sempre importante. Quanto mais tempo a vítima ficar parada, com o coração deixado de bater, mais difícil é voltar a reanimar aquela vítima.

O senhor comandante tem ideia se o pedido de socorro foi feito imediatamente antes dos senhores terem sido acionados? Sabe qual é este tempo?

Não tenho acesso a essa informação. A única informação que eu lhe posso dar é que assim que o pedido caiu em Carcavelos, é cultura da instituição a saída ao minuto, portanto nós automaticamente, se a central recebeu e aceitou o serviço, o veículo saiu de imediato.

Os senhores dizem na vossa página que já não é uma situação única, portanto, receberem estes pedidos de assistência, neste caso para distâncias consideráveis na margem sul, em particular. É uma situação que é recorrente, de facto?

Já é recorrente de há algum tempo, não é agora que é uma novidade, porque naquele momento, só esta ocorrência de Carcavelos é notícia, porque a vítima realmente veio a falecer, porque no mesmo momento havia outros dois corpo de bombeiros a fazer serviços na mesma área do distrito de Lisboa, naquela área do distrito de Setúbal. Não é a primeira, nem era a segunda, nem a última vez que íamos fazer à margem sul, recorrente.

Qual é a justificação que é dada para que esta situação aconteça de forma frequente?

A justificação que o centro de orientações nos dá é: não há ambulâncias disponíveis. Agora, se me perguntar qual o motivo das indisponibilidades, não lhe sei dizer. Eu oiço na comunicação social, por exemplo, que há macas retidas nos hospitais. Eu vou lhe dar o exemplo do Conselho de Cascais. O Conselho de Cascais, há uns anos atrás, alguém teve uma visão diferente de tudo isto e garantiu que todos os corpos de bombeiros do Conselho de Cascais tivessem por cada ambulância uma redundância de macas. Dificilmente no Conselho de Cascais nós temos uma ambulância retida muito tempo por falta de macas, porque cada ambulância tem duas macas. Por exemplo, essa é uma das situações que acho que foi um conceito completamente diferente, mas nós ultrapassámos esta retenção de macas de forma normal, com a visão de alguém que foi bastante visionário no nosso conselho.