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Perguntava-lhe então, enquanto líder parlamentar do PSD, como é que veem esta venda agora assinada por parte do Estado português da Efacec ao fundo alemão Mutares?

O senhor Ministro da Economia hoje disse, a propósito da venda da Efacec, que era um dia feliz. Eu não sei para quem é que é um dia feliz, mas seguramente não é um dia feliz para os contribuintes portugueses. É preciso recordar que, no total, esta nacionalização e venda, entre o dinheiro que já foi colocado na Efacec e o que vai ser colocado agora para conseguir entregar a empresa a um investidor privado, são 400 milhões de euros de dinheiro dos contribuintes. E é também importante recordar que quando a Efacec foi nacionalizada em 2020, o argumento do governo foi que se tratava exclusivamente de um problema de compliance da acionista Isabel dos Santos e que, devido aos problemas jurídicos, até internacionais, da acionista Isabel dos Santos, a Efacec estava com problemas, nomeadamente de obtenção de financiamentos bancários e financiamentos nos mercados. Nós já verificamos, mas agora confirma-se, que o problema da Efacec não era só um problema com a acionista Isabel dos Santos. A empresa estava basicamente falida e, portanto, é preciso que o governo e, sobretudo, o senhor primeiro-ministro, porque o ministro da Economia tem explicações a dar, mas ele não era ministro da Economia quando a nacionalização foi decidida em 2020. É preciso que o senhor primeiro-ministro explique aos portugueses por que fez esta nacionalização em 2020 e por que é que gasta 400 milhões de euros dos contribuintes para, no fundo, entregar esta empresa a um grupo privado.

O ministro da Economia, em conferência de imprensa, tinha avançado alguma justificação. Lembra que o colapso da Efacec significaria o colapso de muitas pequenas e médias empresas portuguesas. Não é assim que lê esta matéria?

Não é assim que leio e, sobretudo, não está demonstrado isso e não está demonstrado que, ainda assim, se justifique os 400 milhões de euros. E mais uma vez, mas aí a responsabilidade é do primeiro-ministro, o ministro da Economia não era o titular da pasta à altura, mas não foi essa a razão que foi avançada em 2020 pelo governo, foi que era um problema exclusivamente da acionista. E mais, o governo disse que num ano privatizaria a empresa e nunca falou em utilização de dinheiros públicos e, sobretudo, nunca referiu que o Estado perderia dinheiro com essa operação. E por isso o primeiro-ministro tem que dar explicações ao país.

Não sei se na vossa leitura, se julgam que há três anos, se tivesse sido vendida, que teria havido comprador.

Não sei. Mais uma vez, o ponto essencial não é esse. O ponto essencial é que nós não percebemos qual é o racional da intervenção do Estado em 2020. E mais do que isso, o governo em 2020 faltou à verdade, porque disse que era um problema exclusivo da acionista, dos problemas de compliance da acionista, dos problemas legais, até a nível internacional, que a acionista tinha. Nunca disse que a empresa estava falida e nunca disse que seria necessário gastar dinheiro dos contribuintes e, sobretudo, um montante desta ordem dos 400 milhões de euros, para depois entregar a empresa a um grupo privado.

É necessário agora, na visão do PSD, esclarecimentos por parte do primeiro-ministro?

É preciso, o primeiro-ministro deve esclarecimentos ao país, porque ele é o responsável, muito mais do que até o atual ministro da Economia, que nem sequer era o titular da pasta à data da nacionalização da empresa.