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Mais de 60 empreendedores de 38 startups deram esta quinta-feira o pontapé de saída no Bootcamp Greenup. Trata-se de um programa promovido pelos Territórios Criativos e pelo Turismo de Portugal, que quer ajudar a promover projetos que consigam aproveitar com máxima eficácia o aumento da procura turística no interior do país.
São 38 as startups que foram selecionadas diante mais de uma centena de candidaturas e que vão, durante dois dias, receber formação e mentoria de vários especialistas em turismo, empresários, investidores e acadêmicos. Tudo com esse objetivo de tentar dinamizar o turismo no interior do país, também muito afetado pela pandemia. A sessão de abertura ocorreu hoje em Alvaiázere. Foi lá que marcou presença também a Secretária de Estado da Valorização do Interior, Isabel Ferreira, junta-se agora a nós neste jornal. Pergunto-lhe como é que vai funcionar este bootcamp de dois dias.
Muito boa tarde. Esta iniciativa inclui, como vocês diziam na peça introdutória, 66 empreendedores e 38 startups, que foram selecionadas de forma muito competitiva e que agora vão ter o seu treino, a sua formação, a sua capacitação durante estes dias e terão também a oportunidade de trocar experiências entre eles e ter aqui o valioso empenho, quer dos Territórios Criativos, quer da Greenup, que são os responsáveis por esta iniciativa. E aquilo que eu gostaria de destacar é que tudo isto acontece numa cidade do interior e que traduz o interior que temos hoje. São territórios que verdadeiramente têm um potencial muito grande do ponto de vista dos seus recursos endógenos, mas que têm dinâmicas à sua volta que sabem valorizar esses recursos através do empreendedorismo, de atividades empresariais e que diversifiquem também a base económica, capacitando estes territórios e tornando-os mais competitivos.
Mas, no fundo, quais é que vão ser as prioridades destes projetos? São projetos ligados ao turismo, mas cada um deles com uma proposta. De que forma é que estes projetos podem, no terreno, em concreto, contribuir para dar um impulso diferente ao turismo nas regiões do interior do país?
Sim, estes projetos são da área do turismo e por isso também esta iniciativa conta com a colaboração do Turismo de Portugal. E que é muito importante neste período que nós vivemos atualmente, em que o setor enfrenta novos desafios, mas em que os territórios do interior também têm mostrado um enorme potencial. E o que é importante é agora que estes empreendedores saibam desenvolver estas áreas de negócio no interior, de forma a trazer os turistas para estes territórios, mostrando o seu património natural, cultural, patrimonial, os seus recursos, mas sobretudo também que depois consigam atrair estes turistas de forma mais permanente e que eles se transformem em residentes, fixando pessoas e atraindo também pessoas para estes territórios do interior.
Ao longo do verão, nós fomos ouvindo notícias de que os empreendimentos turísticos, por exemplo, do interior do centro do país, essencialmente os de pequena e média dimensão, estavam a receber mais turistas, nomeadamente turistas portugueses, tendo em conta também essas dificuldades na movimentação do espaço entre os vários países por causa da pandemia. Havia, na altura, essas notícias de uma certa retoma, mas nas últimas semanas, agora com o recolher obrigatório, com o estado de emergência, os empresários turísticos do interior do país acabaram por revelar também que estavam mais desanimados, sobretudo por causa do cancelamento de muitas reservas. Qual é que é o ponto de situação neste momento? Enquanto Secretária de Estado da Valorização do Interior, observa que há, neste momento, uma quebra da confiança por parte dos empresários que atuam no interior do país?
Aquilo que nós observamos, sobretudo durante o período de férias do verão, foi aquilo que acabou de referir. Uma grande procura pelos territórios do interior e uma taxa de ocupação muito grande em tudo que era turismo de natureza, turismo rural, turismo verde, turismo gastronômico e todas estas vertentes diferentes que ocorrem nos territórios do interior. Agora, este período é excepcional, como todos sabemos, e portanto, também aqui é preciso um grande esforço e uma grande capacidade de resiliência e também de adaptação e de encontrar novas formas de diversificar estas áreas de negócio. E por isso, também estes treinos, como o possibilitado neste-
E são esses treinos que vão contar com esses especialistas, não é? Em turismo, empresários, investidores e acadêmicos. Tudo isso para tentarem contribuir a uma espécie de projeto conjunto para dinamizar o interior.
Sim, exatamente. Estabelecer rede e encontrar soluções criativas, porque no final do dia também são as empresas mais criativas e as mais qualificadas, é verdade também, aquelas que ficam mais preparadas para ultrapassar situações excepcionais e até sair eventualmente mais fortalecidos dessas situações adversas que vivemos nos tempos de hoje.