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A 11ª edição do Encontro Internacional de Palhaços vai decorrer entre 9 e 13 de outubro em Vila do Conde e é organizado pela Companhia Nuvem Voadora. Pedro Correia é diretor artístico da Companhia Nuvem Voadora, também de Vila do Conde. Pedro, bem-vindo.

Olá, boa tarde.

Boa tarde, obrigada por estar aqui conosco. Esta companhia e este encontro deste ano conta também com a presença do fundador dos Palhaços sem Fronteiras, o reconhecido artista catalão Tortell Poltrona, nome artístico de Joan Montané Far, que também vai estar nos espetáculos. A pergunta que eu lhe faço, em primeiro lugar, é: como é que surgiu este projeto?

O Encontro de Palhaços é, como o nome indica, um encontro de artistas e também um encontro com o público. Todos os anos temos uma temática, portanto, damos um tema ao encontro, e este ano decidimos avançar com a ideia de o tema ser os Palhaços sem Fronteiras. Nesse sentido, convidamos o Tortell Poltrona, um palhaço catalão muito conhecido, mentor desta ideia, desta associação, desta ONG, que executa ações em zonas de calamidade humana. Vamos receber várias companhias, vários artistas, durante todo o fim de semana. Durante o início da semana, vamos ter uma masterclass com o Tortell Poltrona, que vai partilhar com outros artistas. Aliás, esta masterclass já está esgotada há mais de um mês. Também está a acontecer o interesse dos colegas na partilha das suas experiências. E a ideia também passa um pouquinho por este lado de sensibilizar as pessoas para o trabalho humanitário, que pode ser feito por palhaços em diferentes zonas do globo, e também passar esta ideia de que os palhaços realmente podem e têm um efeito muito positivo em zonas de fragilidade.

Era mesmo por aí que eu queria ir, Pedro. Qual é a mensagem principal que a companhia e também este 11º encontro internacional de palhaços pretende transmitir ao público?

Sim, essa é uma boa pergunta. Na verdade, nós tentamos há alguns anos, é esse trabalho que temos vindo a desenvolver, que passa por mostrar outros caminhos e, no fundo, desmistificar um pouco também esta caixa onde se encontra o palhaço. Para além do palhaço de insulto, que é um must também utilizado na nossa linguagem, mas depois também a própria personagem e a própria arte do palhaço ainda está muito fechada dentro de uma caixa. E nós, com o Encontro de Palhaços, tentamos programar espetáculos e outras atividades, porque temos também atividades para as famílias, onde as famílias podem experimentar as artes do circo e contatar diretamente também com artistas, mas nos espetáculos tentamos também apresentar espetáculos que mostram um bocadinho outras linguagens. E essa também tem sido um pouco a missão da Companhia Nuvem Voadora, a nossa missão de, no fundo, contemporanizar, estudar e experimentar a linguagem do palhaço nos dias de hoje.

Essa desmistificação do que é ser um palhaço dentro deste tipo de encontros, acha que o papel importante, neste caso e neste evento, é dar a entender que o palhaço não é só um palhaço, é isso que me está a querer transmitir?

Sim.

Ou que de certa forma não é só visto como alguém que pode estar a brincar, sim, mas também que pode servir, de certa forma, para ajudar outras pessoas.

Claro. Eu acho que a principal missão do palhaço, na minha opinião, e é muito pessoal, até porque isso também depois, mesmo em termos de definição, é uma coisa que não está fechada e não pode estar, porque cada pessoa também incorpora o próprio personagem e o próprio palhaço à sua maneira. Mas eu penso que uma das grandes funções do palhaço é criar pausas na vida, no cotidiano das pessoas, e pausas de harmonia, de alegria e que de repente, por segundos ou um minuto, com uma gargalhada, possam esquecer os problemas da sua vida. E isso no nosso cotidiano ocidental, onde temos menos problemas de catástrofes e guerras, que também é importante, mas também em situações deste gênero. No fundo, o próprio palhaço eu acho que é um reflexo e serve também para lembrar ao próprio ser humano que ainda temos humanidade dentro, e isso, no fundo, é válido em todo lado. Eu acho que independentemente da abordagem, acho que essa é a grande missão do palhaço.