Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Odair Moniz morreu há um ano, baleado pela PSP, uma morte que gerou forte contestação nas ruas, com desacatos violentos em vários pontos da Grande Lisboa. E uma das zonas mais afetadas foi Alfragide, onde se situa o bairro do Zambujal e onde vivia também Odair Moniz. António Paulo, presidente da Junta da Freguesia de Alfragide, no ano passado referiu-se aos tumultos que aconteceram no âmbito da morte de Odair Moniz como quase terrorismo. Pergunto-lhe se hoje a Junta de Freguesia, em articulação com a Câmara Municipal da Amadora e também com as autoridades, está mais preparada do que há um ano para responder a este tipo de desacatos, caso se voltem a repetir.
Em primeiro lugar, muito obrigado pela possibilidade que me dá de fazer algum comentário em relação ao assunto. Eu ano passado, honestamente, não me recordo de lhe ter referido a palavra terrorismo.
Não foi a mim. Foi à imprensa. Em declarações, penso, no bairro do Zambujal.
Sim, as declarações que eu fiz foi no sentido, e reafirmo, de dizer que aquele triste incidente que ocorreu no bairro do Zambujal, não me refiro à morte do Odair, pelo qual eu nutria a maior simpatia, mas pelos incidentes que se verificaram, como se veio a constatar a posteriori e que eu tive a oportunidade de referir nesse dia, a maioria dos participantes não eram elementos do bairro do Zambujal, eram exteriores ao bairro. E também referi, e reafirmo, que as pessoas do bairro do Zambujal são esmagadoramente, na sua essência, pessoas cordatas e que não são provocadoras daquele tipo de incidentes. Relativamente à forma como a Junta de Freguesia e em consonância com a Câmara têm intervido no bairro, nós temos tido a mesma prática, que é a de reunir com as associações que existem no bairro, procurar sensibilizá-las para um trabalho comunitário e da parte das associações, a resposta e o feedback que tivemos foi idêntica àquele que eu lhe acabei de transmitir. Ou seja, os incidentes não foram provocados por pessoas do bairro e os poucos que participaram neste incidente, alguns deles são pessoas que elas próprias também não têm o melhor perfil para esta situação. A esposa de Odair, inclusive, achou que aqueles incidentes e aquelas manifestações que se seguiram à posteriori não eram a forma mais adequada para fazer valer a imagem de Odair e tampouco expressavam o sentimento da família.
E penso que, só para esclarecer aqui, quando eu falei da expressão do quase terrorismo, disse que na altura, se os incidentes continuassem assim, porque houve três, quatro noites em que praticamente era muito recorrente esses incidentes mais violentos, que poderia chegar à dimensão do quase terrorismo. Foi esta a expressão exata que utilizou, penso que no dia 23 de outubro do ano passado. Mas perguntava-lhe aqui...
Repare. Se aquele tipo de incidentes provocados por pessoas externas ao bairro, em que as pessoas do bairro não concordavam com a forma como as pessoas se manifestavam e se expressavam, é evidente que se aqueles incidentes continuassem incendiando, estragando coisas na via pública, não só a polícia teria que ter um tipo de intervenção mais audaz, como aquilo iria provocar conflitos entre os moradores e aquelas pessoas que de fora vinham expressar-se daquela maneira. Portanto, tem que ser visto neste contexto a expressão terrorismo. Nós em Portugal, felizmente, é uma coisa que não temos tido, ao contrário de muitos países da Europa.
Claro que sim. E pergunto-lhe, disse-me, e já tinha dito também em declarações no passado, que o bairro do Zambujal tinha uma população na sua maioria pacífica, que não gerava problemas, pessoas trabalhadoras, e falou precisamente que a maioria das pessoas que fizeram os desacatos na sua freguesia foram pessoas que vieram de fora. Mas insisto na pergunta de se, por exemplo, começa esta semana o julgamento do agente da PSP que efetuou o disparo contra Odair, se a decisão não for favorável à família de Odair Moniz, imaginemos que o agente da PSP é ilibado, não teme que isso possa gerar novamente alguma frustração e que esses desacatos voltem a acontecer, mesmo que sejam pessoas fora da sua freguesia, se as autoridades, neste momento, e a Junta de Freguesia está mais preparada para o eventual acontecimento e para travar mais cedo esse tipo de desacatos, mesmo que sejam de pessoas que não sejam da freguesia.
Sim. Repare, do ponto de vista das forças da autoridade, a Junta de Freguesia não tem qualquer intervenção nem possibilidade de dizer às forças da autoridade para agirem desta ou daquela maneira. Portanto, isso é um problema que nos ultrapassa.
Daí eu perguntar se tinha reunido também com a Câmara, com as autoridades, ou seja, uma ação coordenada, nunca seria uma ordem da freguesia.
Nós reunimos com a Câmara logo naquela altura, o senhor presidente da Câmara falou conosco, nós dispusemo-nos Perante a família, naquilo que estivesse ao nosso alcance de a poder apoiar. Falamos com as associações representativas do bairro, que como há pouco lhe referi, foram apanhadas de surpresa perante esta situação e como deve calcular, é impossível, perante uma manifestação espontânea, haver a possibilidade da pessoa prever o que é que pode vir a acontecer. O que lhe posso dizer, e isso reitero, é que eu circulo no bairro a qualquer hora do dia. Sou conhecido no bairro, não tenho qualquer problema em circular no bairro. Agora, se aparecem pessoas de uma forma espontânea ou encomendadas por terceiros a fazerem um conjunto de desacatos à noite, esta situação é imprevisível e apenas perante os factos é que nós podemos ter um tipo de intervenção, no sentido de apelar às pessoas que aquela não é a melhor forma de se comportar. Eu acho que nós temos que esperar pela decisão dos tribunais e não estar, a priori, a pensar em cenários que podem acicatar os ânimos das pessoas. Já basta aquilo que aconteceu no passado, que eu espero que não se volte a repetir. Devo lhe dizer que este sábado houve um putativo encontro no bairro do Zambujal.
Uma homenagem.
Uma suposta homenagem ao Odair, onde a Junta de Freguesia, com a associação de moradores e com uma associação que é a Partilha, esteve presente. Mas no momento em que nós lá estivemos, que foi a hora que foi agendada, apesar de não termos sido convidados para esse efeito, fizemos questão em marcar presença, mas não estava ninguém. E a partir de determinada hora, viemos embora, porque não estava ninguém presente.
Está a falar no sábado, a partir da 13h e depois que ia acontecer um evento musical. Está a falar dessa homenagem?
Sim, nós estivemos lá até à 13h. Como não estava ninguém, viemos embora. Como lhe digo, nós não fomos convidados para estar presente, mas fizemos questão de lá estar. Por volta das 11h30 estávamos lá, mas como não apareceu ninguém, nós ausentámo-nos.