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A reciclagem de equipamentos elétricos cresceu 31% nos primeiros seis meses do ano. O Eletrão recolheu e enviou para reciclagem mais de 13 mil toneladas. A que se deve este aumento?
Deve-se, sobretudo, a um conjunto de fatores. Em primeiro lugar, as pessoas estão cada vez mais conscientes de que este tipo de equipamentos tem que ser encaminhado para reciclagem. Nós não nos podemos esquecer que temos muitos equipamentos e eletrodomésticos fora de uso em nossas casas. Temos telemóveis, computadores, regra geral, escondidos num canto, numa gaveta. E é importante percebermos que estes equipamentos, se forem encaminhados pra reciclagem, vão ter uma nova vida, vai ser possível aproveitar os materiais para, no fundo, garantirmos aquilo que nós chamamos de economia circular. Portanto, em primeiro lugar, uma maior consciencialização de todos enquanto sociedade. Depois, há também cada vez mais locais de recolha onde as pessoas podem entregar gratuitamente estes equipamentos. Basta ir ao nosso site ondereciclar.pt, onde as pessoas podem ver locais, são mais de 13 mil espalhados por todo o país, onde podem entregar estes equipamentos. Há um aspecto muito importante que eu gostava de salientar. É importante que as pessoas saibam que quando compram um determinado equipamento novo numa loja, é possível entregar um equipamento equivalente no ato da compra. Portanto, se eu vou a uma loja comprar uma máquina de lavar, e me vêm entregar essa máquina à casa, quem vende é obrigado a retomar uma máquina equivalente que eu tenho em minha casa e encaminhar pra reciclagem. E portanto, há aqui este fator também da entrega. Há um outro aspecto também que eu gostava de salientar, que é o serviço porta a porta que o Eletrão tem vindo a disponibilizar, por agora na área da Grande Lisboa, mas que pretendemos alargar a todo o país, que na prática basta ligar pra nossa linha verde, que depois agendamos uma recolha em casa da pessoa, de um equipamento volumoso, uma máquina de lavar, um frigorífico, um fogão. Este tipo de equipamentos podem ser entregues ao Eletrão gratuitamente e comodamente em casa das pessoas, e nós encarregamo-nos não só da recolha, mas também do enviar para reciclagem.
Acha então que o serviço de recolha porta a porta ajudou muito neste aumento que se tem verificado nestes primeiros seis meses?
Ajuda, mas obviamente tem que ser alargado. O que é importante é garantir o encaminhamento adequado, não só nas lojas, mas também, por exemplo, temos campanhas de recolha em todo o país, através dos quartéis de bombeiros, das escolas, das mais variadas instituições. E depois temos o porta a porta, que tem contribuído, de fato, porque há sempre pessoas que não têm capacidade de pegar num frigorífico e o ir levar ao local adequado. E, portanto, este serviço oferece, no fundo, um encaminhamento adequado desses equipamentos que estão a ocupar espaço em nossas casas.
Tinha dito há pouco que o serviço que está ativo em sete municípios da Área Metropolitana de Lisboa e que estão a pensar alargá-lo também a mais cinco concelhos, como dizia no comunicado. Falou também que no futuro querem expandi-lo ao resto do país. Há uma previsão de data pra quando isso poderá ser possível?
Não conseguimos ainda antecipar. De qualquer forma, posso lhe dizer que já estamos aqui na área da Grande Lisboa, já estamos em conversações avançadas com mais municípios: Cascais, Oeiras, Sintra. E portanto, brevemente teremos toda a área da Grande Lisboa coberta. Depois, progressivamente, havemos de alargar pra todo o país. De qualquer forma, não é desculpa morarmos em outras zonas, porque já há soluções de encaminhamento de materiais deste tipo em todo o país. Basta ir ao ondereciclar.pt e encontrar uma opção disponível perto de qualquer casa.
Também tinha dito há pouco que muitos dos equipamentos danificados ou que já estão fora de uso, por assim dizer, ficam esquecidos em gavetas, acumulados em locais como garagens, armazéns que temos em casa. Como é que acha que se pode evitar este problema?
Muito bem. Basta, no fundo, fazermos um pequeno inventário. Eu próprio já o fiz. No fundo, procuramos em nossa casa aquilo que ainda temos acumulado nos mais variados locais e vemos que, de fato, vamos ficar surpreendidos, porque temos muita coisa que não faz sentido estar a ocupar lugar. E depois, o que temos que garantir é que não colocamos este tipo de equipamentos, muitas vezes de pequena dimensão, o comando de telemóvel, o comando de televisão, esse tipo de pequenos equipamentos, é importante que as pessoas não coloquem no caixote do lixo normal, indiferenciado, porque vamos perder, no fundo, esses materiais pra reciclagem e encaminhá-lo através do município, da loja, desse tipo de locais, porque há locais à disposição de todas as pessoas. Basta termos um pouco de consciencialização e de vontade para garantir o encaminhamento correto destes materiais.
Antes de terminar, queria só fazer-lhe mais uma questão. Muitos dos equipamentos elétricos de grandes dimensões, que são colocados na via pública pra depois serem transportados pelos tais serviços municipais, acabam por ser desviados. Também é uma questão que referem no comunicado. Como é que se pode resolver esta questão do mercado paralelo?
Pois. Nós, através do serviço porta a porta, garantimos que vamos buscar o equipamento à casa das pessoas, o que significa que não há colocação destes equipamentos na via pública. Nas áreas ainda não cobertas, de fato, essa responsabilidade é do município e, portanto, temos que garantir que há uma articulação muito estreita entre as pessoas e o município, de forma que essa recolha que é feita na via pública, ou passa a ser em casa das pessoas, ou então quando efetivamente não há capacidade e tem que ser mesmo feita através da via pública, temos que garantir que os serviços de recolha são o mais rápidos possível para que o equipamento não fique na via pública durante muito tempo, porque quanto mais tempo ficar, maior é o risco de efetivamente ser enviado para locais ilegais.