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A Estremadura deu uma guinada à direita. O PP não chegou por pouco à maioria absoluta. Eu queria perguntar se estamos perante um fenômeno que pode acontecer nas próximas eleições um pouco por todo o país e se estes resultados têm leitura nacional, ou seja, se nos dizem alguma coisa sobre a política nacional, eventualmente sobre Pedro Sánchez. Como é que olha para estes resultados?

As eleições autonómicas na Estremadura têm, de facto, uma leitura nacional, até porque são as primeiras eleições de um novo ciclo eleitoral que terminará muito provavelmente em legislativas. E por essa razão têm uma leitura nacional. Têm uma leitura nacional também porque ocorrem numa circunstância, num contexto muito marcado pelos múltiplos casos de corrupção, peculato, tráfico de influências, abuso de poder, que marcam tanto o governo como o Partido Socialista, como até a família de Pedro Sánchez. Importa dizer que o candidato do Partido Socialista ao governo regional da Estremadura é uma pessoa que está ligada a um desses casos de corrupção que envolve Pedro Sánchez e de abuso de poder. Portanto, sim, por esse lado tem uma leitura nacional. Quanto aos resultados, são de facto impressionantes. A Estremadura é uma região que vota à esquerda desde que há democracia em Espanha. Aliás, se quisermos ser rigorosos, a Estremadura é de esquerda desde os anos 30. Já na Segunda República era uma região que votava à esquerda e que de facto gira, e vira bastante para a direita. Coisa semelhante já tinha acontecido numa outra região vizinha, na Andaluzia, que também é tradicionalmente de esquerda e hoje pende bastante mais para a direita. E portanto, sim, estas eleições estão a ser entendidas um pouco como a antecâmara das eleições legislativas, mas há aqui más notícias para a direita também. Se é verdade que a esquerda sofre uma derrota e uma derrota pesadíssima, também fica claro à direita, assumindo que estes resultados podem ser lidos de forma nacional, que não há governo de direita sem o Vox. Portanto, não há governo de direita sem a direita radical.

Era mesmo isso que eu ia perguntar-lhe, Diogo. Dois partidos, o Vox e o PP, representam mais do que toda a esquerda junta na Estremadura. Isto passa precisamente uma mensagem, como o Diogo estava a dizer, ao PP, também se traduzirá certamente a nível nacional. Como é que vai ser agora na Estremadura esta gestão política que vai ter de ser feita, até porque o PP não tem essa maioria absoluta, vai ter de governar com o apoio do Vox.

Muito provavelmente terá de ser reeditado o acordo de incidência parlamentar, no parlamento regional, entenda-se, entre o PP e o Vox para que haja um governo minimamente funcional. Mas levando isto para o lado nacional, é de facto uma notícia que não é boa para o PP. Recordemos que nas últimas eleições legislativas em Espanha, a direita como um todo, PP e Vox, tiveram votos mais do que suficientes para terem uma maioria absolutíssima. Só que como a direita está dividida em dois partidos, por força do sistema eleitoral, a esquerda conseguiu governar e governa. Na Estremadura isso não vai acontecer, a direita vai governar. Agora, fazendo esta extrapolação nacional, o que se mostra é que o PP não vai ser capaz de governar sozinho. E isso, tendo em atenção à acrimónia que existe entre centro-direita e direita radical, não só torna muito difíceis os acordos, mesmo que sejam acordos de incidência parlamentar, como coloca em causa a estabilidade de um futuro governo de direita. E portanto, são eleições, estas da Estremadura, que pintam um cenário difícil no plano nacional.

Até porque o Vox cresceu, duplicou os votos desde a última eleição e portanto isto é também um sinal para o PP. Diogo, muito obrigado.

Obrigado.