Morreu esta sexta-feira, em casa, o jornalista e escritor Joaquim Letria, aos 82 anos, confirmou o Observador junto da família.
Letria, um dos mais conceituados jornalistas portugueses, foi fundador dos semanários O Jornal e Tal & Qual e da revista Sábado e recebeu o Prémio da Imprensa na categoria ‘Televisão’, em 1974.
Nascido a 8 de novembro de 1943, em Lisboa, filiou-se no Partido Comunista aos 16 anos, tendo sido militante durante os oito anos seguintes. Em 1963, começou a trabalhar como jornalista no Diário de Lisboa, tendo também colaborado com a revista Flama e com o Rádio Clube Português.
Foi repórter internacional da agência The Associated Press e correspondente da Deutsche Presse-Agentur até 1970. Pouco depois, concorreu a um lugar na BBC, acabando por se mudar para Londres.
Em 1974, Joaquim Letria decidiu voltar a Portugal para dirigir a informação da RTP pós-25 de Abril. Esteve no ar mais de 24 horas na cobertura das primeiras eleições pós-revolução, em abril de 1975. Moderou também, em conjunto com José Carlos Megre, o célebre debate entre Álvaro Cunhal e Mário Soares, em novembro de 1975.
Depois de um desentendimento com o então Presidente da República, António de Spínola, que chegou a defender o despedimento de Letria da RTP, recebeu o Prémio da Imprensa na categoria ‘Televisão’, atribuído pela Casa da Imprensa, “pela vivacidade e o tom pessoal que conferiu ao seu trabalho”.
Em 1975, ajudou a fundar o semanário O Jornal, passando, pouco depois, para a agência noticiosa portuguesa ANOP. Foi ainda fundador de outro semanário, o Tal & Qual, e ainda da revista Sábado.
Já nos anos 80, e de regresso à RTP, Joaquim Letria enveredou pela criação e apresentação de programas, o que o tornaria popular junto do grande público. Criou e dirigiu os programas o Directíssimo e o Tal & Qual, que misturavam informação com entretenimento.
Letria foi também porta-voz da presidência da República, durante os mandatos de Ramalho Eanes, lugar que desempenhou até 1986. Regressou depois à RTP, onde apresentou o programa Já Está.
Voltou, no entanto, a sair, em 1988, para fundar e dirigir a revista Sábado (uma versão inicial, que duraria pouco tempo). Em 1992, voltaria à televisão para apresentar o programa Rosa dos Ventos, na RTP Internacional. Ainda nos anos 90, apresentou os programas Apanhados e o talk show Conversa Afiada.
Nos anos seguintes, lançou os livros ‘A Verdade Confiscada. Escândalo – A Armadilha da Nova Censura’ e ‘Histórias Para Ler e Deitar Fora’, tendo colaborado com a Rádio Comercial e com o jornal diário 24 Horas.
Foi eleito presidente do Sindicato dos Jornalistas e lecionou, durante 20 anos, como professor convidado, na Escola Superior de Jornalismo do Porto, na Universidade Independente e na Universidade Autónoma de Lisboa, tendo integrado o corpo docente do Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração (ISCIA) de Aveiro. Fez ainda consultoria de comunicação.