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Filipe Garcia, economista e analista de mercado dos chefes financeiros. Bom dia, Filipe. Obrigado por se juntar a nós. Como é que tem estado, neste início de manhã, a negociação do preço do petróleo?
Olá, bom dia. Os mercados têm estado cada vez menos impressionados com aquilo que se vai passando no Médio Oriente e a sensibilidade é cada vez menor, porque apesar de ter havido uma subida ao início da manhã, estamos agora com preços muito semelhantes aos do fecho de ontem, com $92,5 no caso do Brent, e também com outros mercados de energia como o gásóleo e o gás natural, pouco alterados ou até em queda. Ou seja, há cada vez uma reação menor a estes eventos. Também tem a ver com o fato de até agora não ter havido verdadeiramente escassez de produto. Os Estados Unidos transformaram-se com esta crise, e também com a guerra na Ucrânia, no maior exportador de petróleo do mundo, já ultrapassaram que era a Arábia Saudita, que era a Rússia, e nesta fase, o mercado vai percepcionando aquilo que está a acontecer no teatro de operações, por assim dizer, de uma forma como se tratasse de mais uma manobra negocial de parte a parte. E, portanto, não há uma reação assim tão exagerada quanto isso.
O fato é que este conflito tem feito novamente subir a inflação e hoje há também uma reunião do Banco Central Europeu para tomar uma nova decisão de política monetária e provavelmente, Filipe, haverá aqui uma subida das taxas de juro por parte do BCE.
Haverá, certamente, está mais do que telegrafado. Haverá uma subida para 2,25%, portanto 25 pontos base de subida nas taxas de referência. Será a primeira vez em cerca de três anos. O mercado também está à espera que vá haver mais subidas, já em setembro mais 25 e mais 25 até março do ano que vem. As Euribor já têm vindo a refletir isto, ou seja, nós temos Euribor a 12 meses a 2,86%, mas já está nesta zona de preços desde março, mais ou menos. Mas há muitos economistas que consideram, e eu sou um deles, que isto pode ser um erro de política monetária, porque a fonte da inflação nada tem a ver com o superaquecimento da economia e esta subida de juros não vai alterar nem a inflação, que tem uma fonte exógena, que são os preços da energia neste momento, e também de alguns alimentos, nem vai afetar também as expectativas de inflação futura.
Portanto, é agora uma situação diferente daquela que aconteceu, por exemplo, no início da guerra entre a Rússia e a Ucrânia. É isso?
Eu, por acaso, até acho que ela é relativamente semelhante, isto é, estamos a falar de fatores exógenos que provocam a subida de preços, em que depois a subida das taxas de juro acaba por deprimir ainda mais a atividade econômica, mas sem efeitos práticos na inflação, porque a fonte da inflação não é essa. Mas há uma diferença que até joga ainda mais contra esta subida da taxa de juro por parte do BCE, que é o fato de não termos agora, ao contrário do que tivemos em 2022, 2023 e 2024, perspetivas de subidas salariais que possam, de alguma maneira, mostrar que a inflação se está a enraizar na economia. E, portanto, acaba por ser um movimento que o BCE me parece que vai fazer apenas para não ser acusado de não fazer nada, mas que do ponto de vista de impacto econômico, não parece que venha a ser o mais significativo e vai simplesmente assumir os custos de financiamento numa economia europeia que já está em desaceleração e com uma performance relativamente muito pior face aos outros principais blocos