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O Carlos Moedas acusa Fernando Medina de esconder a situação dos imigrantes em Lisboa. Num comunicado, explica que se baseia numa reportagem divulgada pelo Diário de Notícias, na qual são relatados casos de muitos imigrantes que não têm condições de habitação dignas. Carlos Moedas, pergunto-lhe o que está aqui em causa e que explicações pede a Fernando Medina, o atual presidente da Câmara de Lisboa e seu adversário na corrida autárquica?
Eu parece-me que a situação é bastante grave. Aquilo que hoje soubemos através do Diário de Notícias, de pessoas a viverem em condições desumanas. E eu penso que o presidente da Câmara é o primeiro responsável, é aquele que tem que responder, é aquele que tem que fiscalizar estas situações e, sobretudo, um presidente da Câmara que falou exatamente do caso que tivemos no concelho de Odemira e falou exatamente, nesse caso, da falta de fiscalização que houve em Odemira e dos desequilíbrios que isso causou. E agora chegamos à conclusão que este tipo de situações existem em Lisboa, aqui aos nossos olhos, e o presidente da Câmara tem essa responsabilidade. Portanto, aquilo que eu critico naquilo que disse hoje, foi exatamente isso, a incapacidade para realmente responder àquilo que são as perguntas. Quem é que autorizou? Quem é que tolerou que estas pessoas estivessem a viver nessas condições? Toda essa fiscalização que deve ser feita pelo presidente da Câmara. Portanto, isso é extremamente importante que seja feito. E é importante que Fernando Medina responda sobre isso, porque tem aqui uma responsabilidade de planeamento, de definir os usos das frações. Aliás, há casos em que não há licença de utilização, de habitabilidade. Portanto, tudo isso tem que ser respondido pelo presidente da Câmara.
E considera que Fernando Medina o vai fazer?
Eu espero que sim. Eu penso que Fernando Medina tem hoje uma série de espaços públicos, mediáticos, de propaganda, uma vez que ele já é candidato, mas continua a falar e a ter programas na televisão. Portanto, espero que ele responda nesses programas, uma vez que ele tem toda essa capacidade de falar todas as semanas na televisão e na rádio. E tem que explicar como é que é possível que numa capital europeia tenhamos tido casos como este de população imigrante que vem para trabalhar, que contribui para a sociedade trabalhando e que agora está a viver nessas condições que são totalmente desumanas e isso é importantíssimo. E que diga o que vai fazer, como é que vai reagir nestes casos de sobrelotação, em que as pessoas vivem a 10, a 12 num espaço de um quarto. Portanto, isso tudo não são situações admissíveis numa capital como Lisboa.
Neste comunicado que aqui falamos, o Carlos Moedas, que é candidato à autarquia de Lisboa, acusa Fernando Medina de fechar os olhos. O que está a correr mal, na sua opinião? Por que este problema ainda não foi acautelado, ainda não foi resolvido? O que está a falhar?
Olha, eu fico muito espantado, porque Fernando Medina falou deste problema em Odemira. Portanto, ele estava a ver e viu esse problema em Odemira. Disse que o problema de Odemira era um problema de falta de fiscalização, mas afinal esse problema também existe na nossa cidade, aqui em Lisboa, e ele nunca tinha falado. Este problema obviamente existe, as pessoas sabem que ele existe e o presidente da Câmara nunca falou e ainda por cima falou de problemas noutros concelhos, portanto, não faz qualquer sentido. Isso é uma explicação que ele vai ter que dar aos lisboetas. E é importante que numa cidade como Lisboa, estas situações sejam resolvidas. Isto não é humano e portanto temos que ter aqui essa capacidade de resolução dos problemas.
Carlos Moedas, deixe-me perguntar-lhe, é candidato à autarquia, se fosse presidente neste momento, a partir de agora, o que é que faria para resolver esta situação, para acautelar as condições de habitabilidade e trabalho destes imigrantes?
Olha, em primeiro lugar, há um dever e uma responsabilidade de planeamento, definir fiscalização e planear como é que resolvemos estas situações, como é que encontramos soluções. Soluções que podem vir de instituições públicas, de instituições privadas, que podem resolver o problema, mas sobretudo é necessário fiscalizar, é necessário estar presente e depois encontrar soluções para cada caso. E isso é possível, porque o sistema, se for liderado, se for realmente comandado com liderança e planeamento, é possível encontrar soluções. Não há razão para que essas soluções não existam.
A autarquia tem meios humanos e financeiros para fazer esse trabalho neste momento?
Eu penso que a autarquia tem meios humanos e tem meios financeiros. Aliás, a autarquia teve a capacidade de reagir durante esta crise e vimos as ajudas concedidas a vários setores e há uma capacidade financeira de reagir neste momento e estes casos têm que ser considerados. Mas mais do que isso, temos muitas associações, temos muitas IPSS que estão prontas também a ajudar nestes casos e temos que trabalhar com as diferentes IPSS.
Está a faltar esse trabalho de articulação, na sua opinião? Ou os meios estão a ser desaproveitados?
Eu acho que há uma grande falta de articulação entre a Câmara Municipal e, por exemplo, o caso das IPSS e outras organizações, não só no caso dos migrantes, mas também no caso das pessoas em situação de sem-abrigo e tantos outros problemas em que há uma articulação que eu consideraria muito deficiente entre a Câmara Municipal e essas associações e essas instituições. E esse trabalho tem que ser feito e temos que estar no terreno a falar com essas instituições, não a dizer o que elas devem fazer, mas a aprender e a trabalhar com elas e a trabalhar em conjunto e reunir esforços. E isso não está a ser feito em Lisboa.
Carlos Moedas, uma última pergunta. O Carlos Moedas baseia-se, para fazer estas acusações, numa reportagem hoje divulgada pelo Diário de Notícias. Pergunto-lhe por que só falou desta questão agora, se apenas se baseia nesta reportagem ou se as condições destes imigrantes já eram do seu conhecimento e se, entretanto, já procurou contactar estas pessoas ou procurar mais informações ou confirmar mais informações.
Estamos neste momento a fazê-lo. Eu penso que já tinha tido informações destas situações, mas penso que esta reportagem hoje no Diário de Notícias é muito clara e traz factos muito relevantes e por isso falei hoje sobre isso. Estamos em contacto, estamos a tentar encontrar-nos com estas comunidades, a falar com elas, ver como é que podemos ajudar. Mas obviamente foi muito importante esta peça jornalística que nos veio aqui trazer os factos de uma maneira neutral e com uma grande neutralidade em relação à situação e por isso eu hoje tive que reagir àquilo que são os factos apresentados pelos jornalistas.
Portanto, já tinha conhecimento deste tipo de situações na capital?
Informalmente, eu acho que todos já tínhamos ouvido falar. Não tínhamos o conhecimento específico daquilo que hoje foi dito na reportagem do Diário de Notícias. E por isso é importante, a partir de agora, realmente conseguir obter toda a informação necessária. Mas já tinha tido ecos e informações de pessoas que estão no terreno de que estas situações existiam e portanto, hoje vieram a confirmar-se através deste trabalho jornalístico. E vamos atuar e vamos ouvir e vamos trabalhar com estas pessoas, mas estas situações não podem continuar.