Pressionado pelos manifestantes nas ruas e depois de duas intervenções que não produziram os resultados pretendidos pelo Governo — a de Luís Montenegro e a de Carlos Abreu Amorim —, foi a vez do partido sair em defesa do Executivo, não por Sebastião Bugalho, porta-voz do PSD, mas por Alexandre Poço, um dos ‘vices’ do partido. Na São Caetano, o também deputado ‘laranja’ despendeu 11 minutos para passar em revista tudo aquilo que o Governo tem feito em matéria de Habitação e para acusar o PS de ser incapaz de assumir as responsabilidades pela crise no acesso ao mercado.

“É extraordinário e revelador de uma falta de decoro ouvir aqueles que assistiram [ao agravar da crise da Habitação] falarem agora como se não tivessem nenhuma responsabilidade. Não acordamos hoje para o problema. Somos humanistas de verdade e não apenas de boca”, atirou Alexandre Poço, sugerindo que os socialistas, depois de terem estado oito anos no poder, estão agora a tentar instrumentalizar os protestos para retirar ganhos políticos.

Antes disso, Alexandre Poço já tinha passado em revista as principais medidas já adotadas pelo Governo, sendo que a aposta assumida é no aumento da oferta. “Está em curso o novo regime de licenciamentos, que entrou em vigor este mês, a 1 de outubro, para que seja mais rápido e mais fácil construir em Portugal. O IVA da reabilitação e da construção a 6%, que também entrou em curso este ano. O maior programa de investimento público em Habitação de que há memória em democracia, 10.700 milhões de euros para construir 133 mil casas — à data de hoje, já estão construídas 31.700 casas”, elencou Poço.

Ao mesmo tempo, garantiu o vice-presidente do PSD, o Governo tem-se esforçado por colocar os imóveis do privado e do Estado na resposta à crise. “O Estado já inventariou 83 mil imóveis e irá transferi-los para as autarquias, fazer PPP para arrendamento ou colocar à venda para financiar políticas de habitação.” Medidas a que se junta a questão das heranças indivisas, que o Governo também está a resolver, e os incentivos fiscais para quem coloque as casas no mercado.

O terceiro vetor, sublinhou Poço, centra-se nos apoios para quem precisa. “Nos últimos dois anos, o aumento dos apoios para a Habitação é colossal. Inquilinos: a dedução das rendas em sede de IRS subiu de 700 euros para 1000 euros em 2027. Jovens: 133 mil já beneficiaram da isenção de IMT e Imposto de Selo desde 2024. Porta 65: de 28 mil jovens passaram a ser 58 mil jovens. Alojamento estudantil: de uma rede de 15 mil camas para uma rede de 26 mil.”

Alexandre Poço falou ainda da questão da nova lei do arrendamento, que está dependente do ‘sim’ final do Chega, garantindo que as pessoas com mais de 65 anos estarão protegidas e que ninguém ficará sem tecto. E foi já neste contexto que apontou o dedo ao PS: “Sejamos claros: a lei que está hoje em vigor é a lei do anterior Governo. Não se pode responsabilizar uma lei que ainda está em discussão por uma realidade que decorre do regime de arrendamento que está hoje em vigor. Não funciona e temos de o mudar.”

Antes de Alexandre Poço, já António Leitão Amaro, ministro da Presidência, tinha responsabilizado o PS pela crise na Habitação. “Aquilo que leva a esta situação são as leis em vigor. A situação que hoje preocupa os portugueses resulta das leis do arrendamento da geringonça e do PS, que castigavam o arrendamento. O PS devia ser o primeiro a reconhecer o erro brutal das suas políticas, que levaram a que quase não houvesse construção e que houvesse tanta casa desocupada, mas fora do mercado. Devia corrigir isso. Esperamos que seja capaz de o fazer até ao final.”

Em entrevista à Antena 1, Leitão Amaro reconheceu que “há uma dificuldade de perceção dos portugueses em relação ao que o Governo está a fazer”. “No caso da habitação é um caso evidente onde dizemos que ‘já foi feito isto, isto e aquilo’ e nem todas as pessoas estão igualmente informadas ou convencidas dos resultados ou não estão disponíveis para aceitar tanto o tempo que as coisas demoram a acontecer”.