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Queria só primeiro confirmar consigo esta informação: as chamas estão controladas também, as que chegaram ao Fundão?

Sim, tivemos um reacendimento ontem ao final da tarde, grave, junto à vila de Alpedrinha, mas que foi controlado com muita dificuldade durante a noite e neste momento o fogo está em resolução.

Muito cedo ainda para fazer um balanço de prejuízos, mas imagino que seja um alívio gigante passados tantos dias com tanta chama nessa região.

Nós hoje ainda vamos estar totalmente em alerta. O perímetro é enorme, tivemos outro reacendimento que ainda apanhou muitíssimos hectares, por isso esperamos que, obviamente, algum reacendimento que hoje possa acontecer na parte da tarde possa ser debelado. Como tal, ainda é um pouco cedo, mas seguramente, no caso do incêndio do Fundão, de quase uma semana de fogo intenso, muito crítico e de alto risco para as pessoas e para o património, efetivamente, começamos a olhar agora para o dia seguinte, numa perspetiva de que seguramente ainda não estão feitas as contas finais, até porque o incêndio ainda ontem nos pregou esta partida desse reacendimento. Mas seguramente vão arder bem mais de 10 mil hectares, que são 100 km², é de facto o momento de começarmos a olhar pra frente, fazer todo o levantamento dos prejuízos e, sobretudo, também para tudo aquilo que agora as nossas populações precisam de imediato, ao nível do setor agrícola, setor pecuário, das pequenas infraestruturas.

E nesse sentido, Paulo, estão, imagino, desde os últimos dias em contacto com o governo já para poder pensar esse dia seguinte, com os apoios que chegam à população, o que é preciso.

Sim, ainda não tivemos muito tempo para isso. Tivemos um incêndio muito ativo até esta madrugada. Mas sim, vamos acompanhando as medidas, vamos lê-las agora com atenção relativamente àquilo que é o despacho e vamos obviamente ajudar. Estamos a preparar obviamente todas as equipas também de ajuda, entre nós, as das freguesias, das associações de setor, sobretudo na vertente mais agrícola, naquela medida até aos € 10 mil, que é uma medida muito relevante, de resposta mais imediata. E simultaneamente, obviamente, fazermos outro tipo de leitura, que vamos começar a fazer de forma mais sistémica a partir da segunda-feira, a partir de amanhã, se conseguirmos obviamente livrarmo-nos de vez por todas do fogo, das infraestruturas mais danificadas, também das questões de habitação. Algumas primeiras habitações ficaram destruídas, algumas muito danificadas, ou também obviamente sem as habitações. Vamos fazendo agora essa leitura mais serena. E termos essas equipas concertadas de apoio para todos aqueles que precisam, para as candidaturas e os formulários que possam ser enviados o mais depressa possível. Ainda há uma terceira parte desse assunto, que é como é que vamos recuperar a criação de valor. A parte mais do dano, do ponto de vista económico, mais de médio e longo prazo, que é preciso obviamente também começarmos de imediato a pensar. Isso será feito de forma muito mais coletiva. Provavelmente é o maior fogo de sempre de Portugal, toda esta região aqui desse centro interior afetada por este incêndio e outros, mas este em particular, se calhar carecerá de uma leitura específica, de um plano mais integrado, específico para toda esta zona, que reforce ou complemente os outros programas que já existam de promoção da coesão do território.

Claro. Paulo, falou-me em 10 mil hectares queimados. Eu sei que é muito cedo.

Mais de 10 mil hectares de certeza. O que posso dizer é que estamos seguramente para além dos 10 mil hectares, porque até aos 10 mil hectares nós já tínhamos feito um levantamento muito rápido, uma leitura muito rápida, mas entretanto o incêndio continua a acontecer, por isso posso garantir que foram mais de 10 mil hectares, ou seja, mais de 100 km² que arderam de forma muito profunda, ou seja, na perspetiva de que temos quilómetros em que não temos uma mancha verde