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Junta-se a nós neste Jornal das 11 o secretário-geral da Federação Nacional de Educação, Pedro Barreiros. Bom dia, Pedro Barreiros, bem-vindo ao Jornal das 11, à Rádio Observador. Pergunto-lhe se podemos esperar mais um ano letivo complicado e um arranque de ano letivo complicado.

Muito bom dia. Infelizmente, é mesmo isso que podemos antever ainda antes do início do ano letivo, tendo em conta aquilo que foi a incapacidade manifesta por parte do Ministério da Educação e do governo em resolver os problemas que estão desde há muito identificados, mas para os quais continua a haver uma grande teimosia na procura dessas soluções. Não foi por falta de vontade nossa, porque até mesmo durante o mês de agosto, fartámo-nos de enviar pedidos de reuniões, ofícios, propostas, no sentido de ainda durante o mês de agosto, e abdicando até mesmo do nosso período de férias, de encontrar soluções para alguns dos problemas, tendo a consciência objetiva de que não é possível resolvê-los todos de uma vez só, mas começarmos a fazer um caminho, precisamente vai quase ao encontro daquilo que acabei por ouvir enquanto estava à espera de entrar, e que tem a ver com a necessidade de uma construção robusta, não de um edifício qualquer, mas de um edifício educativo. Nós temos de tornar as nossas escolas e o sistema de ensino o mais robusto possível para que não haja estes problemas que já estão desde há muito identificados e que não se percebe o porquê de não se encontrar uma solução.

Pedro Barreiros, a FNE já tem vários protestos marcados para os primeiros três meses do ano letivo. Esperam ainda conseguir respostas do governo ou estas greves, algumas que até estão marcadas para esta semana, vão mesmo avançar?

As greves estão anunciadas, os pré-avisos de greve, e neste caso importa referir que os três pré-avisos que entraram são greves que não têm um impacto direto com o trabalho letivo, com os nossos alunos, são greves ao sobretrabalho, à componente não letiva e também às horas extraordinárias. São greves que já vêm desde o ano passado, precisamente para problemas que estão identificados e que não foram resolvidos. A única greve que está desde já anunciada, e essa sim, que contamos em encerro todas as escolas, é a greve do dia 6 de outubro, que está associada à comemoração no dia 5 de outubro do Dia Mundial do Professor. Agora, mais do que as greves propriamente ditas, até porque não é a única forma de contestar e manifestar a revolta que sentimos, mais do que as greves, o mais preocupante realmente é o ânimo ou a falta de ânimo que reina nas escolas, a desilusão em virtude de os professores, os educadores e também o pessoal de apoio educativo se sentir marginalizado quando comparados com as regiões autónomas e também com o restante da administração pública.

Ontem o Ministro da Educação disse que está a trabalhar em medidas para resolver a falta dos professores, nomeadamente na habitação. O Ministro da Educação abriu a porta para rendas acessíveis para os professores deslocados. Este é um passo em frente por parte do governo, acha que pode começar por aqui uma solução ou não chega?

Parece-me um bocadinho à imagem daquilo que é aquela publicidade enganosa que por vezes nos entra pelas casas adentro. Isto há um ano ou mais que se anda a anunciar, traduziu-se em concreto na disponibilização de 14 apartamentos na zona de Lisboa e de 15 apartamentos em Portimão, que não chegam para aquilo que são obviamente as necessidades, mas por outro lado, importa ter presente que os professores precisam não é deste tipo de apoios, de ter que esticar a mão. Aquilo que precisam é de salários e precisam de condições de trabalho que lhes possam fazer face, como qualquer trabalhador assim o pretende, que lhes possa fazer face àquilo que é a sua vida e as suas necessidades. E não aquilo que estamos a assistir neste momento, que é um desespero por parte de muitos que nos fazem chegar essa informação para encontrar casa, porque não há. Tive recentemente um caso de uma colega de Braga que foi colocada em São João do Estoril, onde não consegue encontrar uma casa que possa efetivamente pagar. Mas além disso, há outras responsabilidades do Ministério da Educação que têm a ver, e posso dar este exemplo, esta colega em concreto, quando se deslocou à escola, o horário que lhe foi entregue foi que iria ser professora do primeiro ciclo, do 12° ano e do ensino profissional, espalhado por várias escolas. Ou seja, isto não são condições mínimas dignas por parte da tutela que pretenda realmente ter uma qualidade de educação, e assim não vamos lá.