Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Eu fiz o contato com o hospital, não tenho conhecimento de novos internamentos. A partir de ontem, disseram particularmente que tinha havido ontem, depois do encerramento da praia, um internamento. Não sei se há alguma relação, mas o hospital a mim não confirma. Portanto, à partida, quero acreditar que não haja novos internamentos. Porque, em boa verdade se diga, nós há três dias sentimos que tínhamos a situação normalizada e o encerramento da praia ficou a dever-se ao facto de terem aparecido esses casos, cujo ponto comum seria terem frequentado a praia. Porque nós achávamos que, naturalmente, aquilo que é a visão dos técnicos, inclusivamente técnicos da APA que foram ao local, acharam que a água estava límpida, já não havia problemas, não havia vestígios de resíduos, e isso deu-nos algum conforto. Agora, com o aparecimento desses casos, a saúde dos nossos munícipes está primeiro e nós não tivemos qualquer pudor em encerrar a praia. A decisão foi nossa, juntamente com o delegado regional do Centro e o nosso delegado de saúde da Nazaré. Decidimos que era, por uma questão de cautela, encerrar a praia, com o risco que isso comporte. Como deve calcular, uma praia da Nazaré fechada no dia 1 de agosto não é nada simples de assegurar, mas tem que ser. A saúde dos nossos munícipes está acima de qualquer aspeto turístico que seja.

Perguntando ainda em relação aos munícipes que foram internados, já se sabe se receberam alta?

A informação que o nosso delegado de saúde nos deu foi exatamente essa. Quer dizer, foram lá, foi diagnosticada gastroenterite, vómitos, diarreias. Não há aparentemente sinais de internamento. Felizmente para todos nós, são sintomas fáceis de atacar. Mas estamos cá para dar resposta. Nós damos de frente às balas, o que possa acontecer, nós somos os responsáveis por isso e estamos cá disponíveis para aceitar todas as responsabilidades. Isso não é problema. Nós não nos escondemos, não fugimos da situação. A situação infelizmente aconteceu. Ao que parece, há uma correlação muito grande e queremos acreditar que não seja só coincidência, que seja, na verdade, uma relação intrínseca entre uma coisa e outra. Mas, por outro lado, estamos a aguardar as análises, esperamos que estejam em condições para nos dar algum conforto, porque sabemos que muitas das pessoas que estão no hospital, e conhecemos individualmente, muitos nem sequer à praia foram. Mas há, na verdade, um traço comum e nós estamos disponíveis para aceitar todas as responsabilidades que daí advêm.

Ainda não têm o resultado das análises.

Não, aquilo é um problema complicado, porque as recolhas têm que assentar e têm que esperar, havendo bactérias, se elas se multiplicam. Estamos a falar de 24, 48 horas. Nós temos duas análises feitas em duas empresas diferentes. Uma é a empresa certificada, com quem trabalhamos semanalmente, que fez a recolha na quinta-feira, e temos de sexta, de ontem, uma recolha que foi diretamente entregue no Instituto Ricardo Jorge. O Instituto Ricardo Jorge garante-nos que em 24 a 48 horas, ou seja, ao final da tarde de hoje, provavelmente temos notícia, temos resultados, mas depois temos que aguardar. Não é uma análise simples, é algo que necessita de algum tempo de repouso para perceber se, havendo bactérias, se elas estão a multiplicar ou não.

Presumo que só depois de receber os resultados das análises é que--

Isso é a garantia, nós não corremos riscos. Enquanto não tivermos o resultado das análises, enquanto as análises não nos derem aquele conforto que nós precisamos, a praia não é reaberta.

Com certeza. E quais são os riscos que isso acarreta?

Estamos a falar do primeiro de agosto, com marcações feitas, com algumas desistências. Isto é sempre muito complicado, porque as pessoas vêm à Nazaré pela praia de banhos que temos e, neste momento, ter a praia de banhos inabitada é algo que não convida. Percebemos isso. É algo que também nos transcende. Porque, em boa verdade, o que acontece já está há alguns anos identificado. Temos condutas bastante obsoletas, velhas, algumas com 60, 70 anos, a necessitar de investimento profundo, em que havendo uma sobrecarga, pode conduzir a estes desastres. Infelizmente, já nos aconteceu há três anos atrás. Também tivemos um caso semelhante. Felizmente, não houve notícias de gastos intestinos, mas houve o lançamento de jets, de resíduos, através do pluvial, que é uma coisa que não é normal, mas com a sobrecarga e entupimentos. Há três anos tiramos uma toalha de praia das condutas. Portanto, só para perceber que também há aqui uma má utilização. Óleos, tivemos um bloco de gordura que impedia a passagem dos resíduos. Isto também requer algum trabalho junto da restauração, porque há aqui o lançamento de óleos e uma má utilização dos sedimentos e dos pluviais. Tudo isso somado, infelizmente, deu no que deu.

Eu tenho só uma outra questão, que é mais no sentido de o Jornal de Leiria, que foi quem avançou esta notícia, referiu que a questão da descarga foi uma falha técnica. Como é que aconteceu esta falha? Sabe-me explicar?

Não, o que se refere, aliás, isto tem a ver com o comunicado que nós acabámos por lançar. Essa notícia tem a ver com o comunicado que nós lançámos. Aquilo, de uma forma muito sintética, é mais ou menos assim: houve uma sobrecarga e um entupimento no saneamento e, ao nível da zona do emissário submarino, esse entupimento acabou por transbordar para a zona fluvial. Houve ali uma ligação errada de algo que, por força da pressão das águas, acabou por ceder. Portanto, em condições normais, o que seria o encaminhamento normal dos dejetos, tudo isso no saneamento, acabou por ir para a zona do fluvial, que é aquela que dá acesso à praia, portanto, que sai a céu aberto, mas sai a céu aberto em condições normalíssimas, só sai água das chuvas e da canalização das nossas casas. E neste caso, esse entupimento originou ali uma falha que obrigou à quebra da conduta, por forma a passar de um lado para o outro. Toda essa falha técnica, que tem sido uma forma muito resumida e pouco técnica, digamos assim, que aconteceu. O que eu quero é sempre salvaguardar a saúde dos nossos munícipes e de quem nos visita. Eu até tenho estranho, porque poderemos ter agido tarde, a gestão da crise terá sido um bocado interdia, mas nós, no momento em que encerramos, sentíamos que tínhamos o problema resolvido. Achávamos que era causa de alarme na altura em que a situação já estaria resolvida. Mas a partir do momento em que temos conhecimento de que há enfermos, que há gente doente, queremos acreditar que seja, não temos razões para pôr isso em causa, porque os pontos coincidentes são tão grandes, porque não há prova. Não há nenhuma prova. Se as pessoas estiveram na praia, mas podem ter sido contaminadas cá fora e ido para a praia, tudo isso. Mas não é isso que está em causa, não é isso que nos importa. O que nos importa é cá que um ponto comum e que nós estamos sempre disponíveis e a nossa tarefa é exatamente essa, é pôr acima de tudo e de qualquer interesse, a saúde dos nossos munícipes e de quem nos visita.