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Primeiro que tudo, queria perguntar o que a história nos diz com este tipo de eventos, nomeadamente a Expo e o Euro 2004, foram os dois eventos que nós tivemos da dimensão que vai ter a Jornada Mundial da Juventude. Que impacto é que estes dois eventos tiveram na economia e que impacto é que se espera que a Jornada Mundial da Juventude tenha?
Bom dia. Eu sou sempre um pouco cético no sentido que é óbvio que este tipo de eventos tem impacto na economia, mas não tem um impacto definitivo na economia. Por exemplo, a Expo, que seria talvez aquele que tivesse um impacto mais estrutural, foi importante para a utilização do solo e para o crescimento e desenvolvimento da cidade de Lisboa, não teve impactos marcantes na economia portuguesa após o ano da sua realização. Tanto que gerou alguns desvios, desvios esses que levaram a que acabássemos por ter uma densidade de espaço superior àquela que tínhamos, porque basicamente isso foi resolvido com um grau de urbanização mais intenso do que estava inicialmente previsto e que permitiu ao Estado recolher os meios que compensassem os défices que entretanto tinham sido gerados na exploração do evento face àquilo que estava orçamentado. Teve, obviamente, um impacto no amor próprio dos portugueses na altura, tanto quanto eu me lembro. Foi importante para mostrar uma faceta nova do país, mas não acho que tenha contribuído para pôr Portugal num patamar diferente de crescimento. Quanto ao Euro, foi bom para quem fez os estádios, para quem andou à volta dos estádios, eu acho que não teve nenhum impacto no crescimento da economia portuguesa. Ajudou a que se melhorassem algumas infraestruturas, ajudou também a que se fizessem alguns erros de infraestruturas que não têm utilização. Teve obviamente um impacto que até pode ter sido globalmente positivo, não me lembro dos números, mas uma coisa que eu me lembro certamente é que não alterou o padrão de crescimento e de desenvolvimento da economia portuguesa. As Jornadas Mundiais da Juventude, obviamente que vão pelo mesmo caminho. São importantes para os católicos, são importantes porque têm a ver com a visita do Papa, têm a ver com a agregação de centenas de milhares de jovens de todo o mundo. São importantes para a cidade de Lisboa pelos maus e pelos bons aspetos. Os maus já os temos mais ou menos identificados. Vamos a ver a dimensão, portanto, com toda a dificuldade que põe à vida normal da cidade, mas tem aspetos positivos, tem a ver com um acréscimo importante da atividade económica nessa altura. Não acredito também que tenha qualquer impacto no desenvolvimento a prazo da economia portuguesa e, portanto, se for um evento que gere proveitos diretos e indiretos superiores aos seus custos, e tudo aponta para que isso possa acontecer, pelo menos com a informação que vai sendo pública, já é positivo. Agora, a partir daí extrapolar se vai ter um impacto definitivo em termos de alterar o padrão de crescimento da economia portuguesa, isso é completamente ilusório e mesmo que causa a ilusão não tem nenhum avanço técnico sólido para o fazer.